Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
mães
adredemente
Inventam a vida
ao redor da gente
seus ilimites
não desandam
tudo que a razão
apenas tanja
é que suas horas
vigem tão alheias
que nem se registram
em suas veias
antes povoam um tempo
de amores irrestritos
em que declara seus
todos os infinitos.
A Nana Vasconcelos
O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida
mas na sua sina
de tocar o mundo
resta-lhe a certeza
de se ter em tudo
o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
Meu olho gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só a constância
de vislumbrar amplitudes
sempre nasço de mim
mesmo quando não pude
é que o outro é o espelho
de nos inventar amiúde.
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
da África dançando
de-se o indício
de que Madiba é vivo
em cada comício
da África dançando
entenda-se o ofício
que o povo tem de lutar
pelo seu riso
da África dançando
decrete-se um infinito
das léguas todas do povo
que Mandela traz consigo
meu verso
apenas tenta
derramar nas palavras
minha crença
não que o verbo
nas trincheiras da vida
tenha os mesmos metros
do que se acredita
antes delibera
nas esquinas do novo
aquilo que a palavra
mede em todos
meu poema
apenas convoca
todos os meus afetos
todas as minhas portas
e se o prolato
e se as invoco
é por ser o futuro
aquilo que eu posso.
empírico
nada é tão lúdico
que me faça viver
a qualquer custo
é que viver
menos que um susto
é a travessia de um tempo
a longo curso
é construção
de uma praça coletiva
guardada a proporção
dos singulares que se viva
empírico
nada é tão lógico
que me faça viver
fora dos ossos
viver é apenas a função
dos verbos que eu possa
Dos mares que velejo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
do que eu consiga em teu encalço
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.