Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a saudade
é um tempo insubmisso
passado dá-se a presente
com ares de infinito
desconjunta o futuro
rasgo indeciso
em querer-se passado
quase vitalício
a vida tremula um tempo
inteiramente fictício
no colo do verso,
ávida, a palavra
finge no poeta
rastros da alma
pisadas consentidas
no palco da memória
a vida dá-se verbo
teatro da fala
atravessada no tempo
como lúdica arma
a saudade
é só um tempo
do passado
em que se cabe
voos do futuro
pela vontade
nos braços da vida
como nave
pulsar o presente
em memória exata
do tempo arquivado
nas brechas da alma
eu vim de mim
como invento
que todos criaram
pelo tempo
átomo militante
matéria em pensamento
eu vim de mim
assim urgente
com o povo no peito
e a vida nos dentes
Maya Plisetskaia
discursa sem verbo
sua avulsa verve
são apenas gestos
e uma mania imensa
de inventar universos
os que despeja no palco
os que vigem em manifesto
nas eternidades repentinas
das coxias do cérebro
forme-se o rito
exato distrato
entrega do mundo
às vias de fato
vigência humana
messe avulsa
das braçadas trançadas
nas vagas da luta
grávido ritmo
da gestão de tudo
construção do tempo
escoicear do futuro
por trás da manhã
a noite armava
na síncope de si
a madrugada
a escuridão
em franca distopia
tentava negar as luzes
que o mundo urdia
as rimas do verso
nem pressentiam
que o sonho brilhava
mais do que dizia
a fala do poema
foge do poeta
no arco do verbo
de alheia seta
o alvo nem sempre
dá-se a conversa
a veia das palavras
é discurso interno
medra privada
em coletiva saga
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.