Lista de Poemas

Rendas da vida

É como bordar o amor

com as agulhas da calma

com a linha do coração

e os bastidores da alma

7

Das contrafações do engenho humano

 

Subo ao conceito

e desço aos fatos

quando não por tê-los

assim desirmanados

desfocados do mundo

e das filigranas do lapso

 

chego aos fatos

teoricamente praticado

como se o engenho fosse lavoura

de submeter-se a arado

e a vida uma teoria

de todas as minhas práticas.


 

15

Das ações e das formas

 

por mais viver

não vingue o dia

em espalhar a noite

pelas entrelinhas

é que o discurso

é só uma forma

de enquadrar o fato

em cada norma

viver é cavalgar o tempo

com as rédeas da lógica

e a certeza guerrilheira

das revoltas


 

11

Das úmidas lembranças

 

Quando a saudade

dê-se como lágrima

encha todos os rios

que se tem na alma

 

e navegue serena

as estradas da vida

inventando as emoções

nos tempos em que, avulsa,

reste pela memória, exata, 

como se fora uma fábrica

das eternidades que pulsa. 

6

Das úmidas lembranças

 

Quando a saudade

dê-se como lágrima

encha todos os rios

que se tem na alma

 

e navegue serena

as estradas da vida

inventando as emoções

nos tempos em que, avulsa,

reste pela memória, exata, 

como se fora uma fábrica

das eternidades que pulsa. 

5

Ode ao PCR nos caminhos da história  

 

                      Aos Camaradas Manoel Lisboa de Moura e Selma Bandeira

 

o partido inventa o tempo

como uma usina de luta

e camaradas serão todos

no futuro exato dessas ruas

 

o partido ecoa nos muros

como uma frase explosiva

e tange o coração do povo

nos ombros largos da avenida

 

o grito urgente do discurso,

no seu jeito singular diz-se tão vário

que ressoa no peito como certeza

um Partido Comunista Revolucionário

 

enfim, dê-se-lhe a vazão

de parecer-se na luta

uma fornalha grávida da revolução.

20

Das lagoas dos viventes

 

Que esse espelho de águas

pareça assim a vertente

dos rios que a gente nada

atravessando a gente. 

7

Dosimetria da vigência humana

 

e pelas franjas da alma

a vida é só o esforço

um completar-se de si

na esperança do outro

 

ninguém é humano sozinho

nas cordilheiras da vida

tudo é o tanto de todos

nos mares, nas avenidas

 

ao homem só cabe o tempo

de navegar essas medidas.

14

da filosófica contração do mundo

 

no trajeto

entre mim e a razão

sou apenas transeunte

da contradição

nada do que está posto

deixa de ser em vão

 

é que são relativos

os absolutos na mão.

8

Das dúvidas das horas

 

O infinito

é só um salto

que o tempo teima em dar

pelo espaço

tudo que lhe tange

é passeata

e a exata compleição

do que prolata

com esse jeito de tanto

e a certeza de nada.

6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.