Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
eu só sou
se puder não ser-me
é que só cabe em mim
a possibilidade de fazer-me
nada do que é absoluto
permite-me viver-me
na relatividade intrínseca
dos meus medos.
o sonho
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e, mesmo particular,
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que conjuga todos os passos
de quem esteja sonhante.
Meu vínculo
é o que sinto
pensar é só preciso
naquilo que o coração
é meu indício
A razão é quase gesto
de que prescindo
quando o coração aponta
os verbos do que digo.
Meu vínculo
é o que grito
na rua geral da vida
em que me infinito.
único
tudo me define
outro
sou,
assim alheio,
tudo
de mim mesmo
e pouco
é que me sobra
a ilusão
de parecer-me
em vão
quando não pulsa
na luta
o coração.
o desejo
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o medo
o desejo
é a encruzilhada
de todas as veias
de todas as falas
o desejo
é transeunte
de ruas escondidas
tudo que lhe tanje
é a vida
o desejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo
é quase um salto
na escuridão
dos seus enredos
meu voo
é só licença
a que me dou
na consciência
no mais das vezes
sempre aterrizo
na pista fictícia
dos sentidos
astronauta de mim
nesse exercício
construo o cosmos
que habito
nem sempre
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos sempre juntos
o infinito
e nem o passado
é tão conciso
há um futuro dele
impreterivelmente desmedido
dobro
a manhã
e tardo
é que anoiteço
num tempo
único e tão vário
que todos eus sem mim
dão-me ao espaço
em que adormeço unânime
em meus braços.
o acaso
talvez consiga
tornar-se íntimo
da vida
os braços de todos
pelas avenidas
construindo uma paz
intensamente coletiva
o futuro é um acaso
devidamente construído
Yemojá
que entornas o mar
sobre meu tempo
e que te prestas
a sonhar
o que não devo
Yemojá
que lavras a manhã
de todos os teus peixes
e te consolas nas ondas
do exato oceano
como uma nave desgarrada
dos enganos
e que palmilhas os ventos
com a intimidade
dos amantes
e que individuas
em mim
o coletivo mar
de tuas tranças.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.