Lista de Poemas

Liberdade

 

haverá uma prisão

em cada liberdade

este senti-la prisioneira

mesmo quando tarde

em contê-la da fuga

quando a vontade
 

antes do ato claro

de trazê-la atada

de-se-lhe as correntezas

de vivê-la pela alma

como andorinha viajante

dos infinitos que declara

12

Jurisdicional vivência

 

minha jurisdição é a vida

e tudo aquilo que a diga

a paz que construa, a guerrilha

o habeas corpus do tempo

é só uma oitiva

dos espaços do corpo

nessa lida

todos os inquéritos

que a contradigam

arquivam-se na vontade

de tê-la construída

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Medida

 

el infinito

asi insiste

no se da la intención

de ser medido

excepto en la razón

cuando penetra

em las sonrisas

o cuando explicita

las leguas de la lucha

de la gente en las avenidas

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Cósmica saudade

 

a saudade dói

mesmo em arquivo

nessa mania intensa

de imitar o infinito

diz-se até fato

em seu indício

de mostrar-se bruta

mesmo fictícia

a saudade é um foguete

no cosmos que instala

rasgando o espaço

das nuvens da alma

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Dos bemóis do povo

 

assim correndo no passo

no espinhaço da avenida

até parece que o frevo

é um abraço da vida

é como se fosse o povo

abraçado em cada rua

ensaiasse no tempo

o futuro da luta

e cada bemol no espaço

dançando pela cidade

espalhasse em cada canto

um gosto de liberdade

7

Baldeação da vida

 

minha fronteira

é o infinito

apesar dos metros

que habito

a matéria de mim

como um comício

grava meus fatos

naquilo que consigo

a matéria dá-se a tanto

nos neurônios que agito

5

Sonâmbulo verbo

 

guerra semântica

dou-me ao inverso

no meio do sono

escreve-me o verbo

a noite admite

dá-se a comícios

nas costas do sonho

que permite

a palavra surge no sono

como uma grande marquise

6

Vazão humana

 

no homem

de-se o ofício

de construir-se outro

como um vício

construção humana

da matéria no infinito

baste-se tanto

como indício

de que o ser é alheio

a privados comícios

as escaramuças do ego

são rédeas consumidas

18

Infinitos

 

os infinitos que vivi

estão medidos

todas as suas léguas

habitam meus sentidos

os que transitam na saudade

os que trago comigo

os que revivo agora

os que ainda transito

nos vincos da memória

e nas dobras dos sentidos

7

Coletiva andadura

 

há indícios,

a vida,

antes de privada,

vige coletiva

cicatriz memorial

do que se viva

a matéria

interna comentos

como um vendaval

no pensamento

tudo que é viver

unifica o tempo

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.