Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
A Nana Vasconcelos
O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida
mas na sua sina
de tocar o mundo
resta-lhe a certeza
de se ter em tudo
o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
Yemojá
que entornas o mar
sobre meu tempo
e que te prestas
a sonhar
o que não devo
Yemojá
que lavras a manhã
de todos os teus peixes
e te consolas nas ondas
do exato oceano
como uma nave desgarrada
dos enganos
e que palmilhas os ventos
com a intimidade
dos amantes
e que individuas
em mim
o coletivo mar
de tuas tranças.
o tanto de mim
em que me basto
são léguas construídas
nos palmos que ajo
o quanto de todos
reajusta a vida
nos juros humanos
da paz consentida
as metragens humanas
transcendem a medida
Meu olho gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só a constância
de vislumbrar amplitudes
sempre nasço de mim
mesmo quando não pude
é que o outro é o espelho
de nos inventar amiúde.
Sempre haverá um povo
nos arredores do futuro
mesmo que não haja tempo
para dizê-lo em tudo
sempre haverá um tempo
nos arredores do povo
mesmo que não haja um futuro
guardado em cada bolso
tempos são
apenas arquiteturas
de quem constrói as manhãs
nos descaminhos da luta.
Eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura,
demandada pelos anos,
abrange todas as medidas
do invólucro humano
eis que consumir o tempo
é uma alegria orquestrada
ao homem cabe compô-la
das notas em que não se cala.
Dos mares que velejo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
do que eu consiga em teu encalço
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa senti-lo.
aos 62
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
rio pela tarde
o que da manhã
me invade
e nunca que me faço triste
com a certeza
de todas as saudades.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.