Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
A alma é só invólucro
daquilo em que se cabe
guardada a proporção
das pretensas liberdades
que a gente traz pelo peito
e às vezes nem sabe
e vige enquanto perdura
o gosto infante da alegria
no riso que a gente tange
pelos ombros da avenida
construindo com irmãos
as lutas todas da vida
a alma é só um detalhe
da singularidade coletiva.
é que no abraço
a gente se esquece no outro
como um aviso recorrente
de uma vida que é pouca
pra construir as razões
que nos fazem todos
é que no abraço
a gente se infinita
como se outro fosse usina
de construir a vida.
Na pandemia
viajo em mim impunemente
como um trem carregado
de passados e presentes
cada estação
é um grito absurdo
dos passados e presentes
que alinhavam o futuro
ao tempo resta a razão
de inventar seu discurso
na solidão saio de mim
como transeunte
de todas as estradas
que não pude
e deixo-me a sós
em incautos coletivos
como bólide da vontade
de estar comigo
eis a contradição:
a pandemia é coletiva
nem deixa a solidão
ser mais restrita.
no trajeto
entre mim e a razão
sou apenas transeunte
da contradição
nada do que está posto
deixa de ser em vão
é que são relativos
os absolutos na mão.
Quanto mais se monta o tempo
mais jovem o futuro fica
é que a vida não se conforma
em ser apenas notícia
nos ombros de sua fala
a palavra se afirma
é nas ruas de sua luta
que o futuro está em riste
mostrando a largura do povo
que se constrói e se acredita.
O poema
é uma guerrilha avulsa
tudo que lhe tange
é o discurso
entre a certeza do verbo
e a incerteza da luta
a que os humanos se prestam
na humanidade que pulsam
o poema apenas é a alma
dos verbos que disputa
ao amor
dê-se a vazão
das cachoeiras que inventam
o coração
e dê-se como mar
nas ondas em que se cometa
como se fora um barco
navegando impune sua gesta.
o amor é sempre ávido
em tudo a que se presta.
a utopia
mais dias, menos dias,
é só o bordado da história
que o povo construia
é que a luta, por complexa,
dá-se por estranha,
às vezes incompleta
quando o destino dos homens
larga-se numa paz grávida da guerra
a ânsia do futuro
sempre se apresta
a bordar pelo mundo
muitos et ceteras.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.