Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
repito
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo fictício
em que distribuo à vida
todos meus indícios
o acaso
talvez consiga
tornar-se íntimo
da vida
os braços de todos
pelas avenidas
construindo uma paz
intensamente coletiva
o futuro é um acaso
devidamente construído
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeata .
Na morte
me definitivo
tudo que resta
é coletivo
meu singular
é apenas o que vivo.
Eis o artifício da vida
o geral é tão vário
que me infinita.
o desejo
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o medo
o desejo
é a encruzilhada
de todas as veias
de todas as falas
o desejo
é transeunte
de ruas escondidas
tudo que lhe tanje
é a vida
o desejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo
é quase um salto
na escuridão
dos seus enredos
eu só sou
se puder não ser-me
é que só cabe em mim
a possibilidade de fazer-me
nada do que é absoluto
permite-me viver-me
na relatividade intrínseca
dos meus medos.
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
minha mãe
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente
meu verso
apenas tenta
derramar nas palavras
minha crença
não que o verbo
nas trincheiras da vida
tenha os mesmos metros
do que se acredita
antes delibera
nas esquinas do novo
aquilo que a palavra
mede em todos
meu poema
apenas convoca
todos os meus afetos
todas as minhas portas
e se o prolato
e se as invoco
é por ser o futuro
aquilo que eu posso.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.