Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
varar o mundo
virar o mundo
a luta é a vida
vaga de tudo
saltemos as ondas
dos mares intrusos
construção intensa
das pranchas do povo
a utopia é só o grito
de quem abraça o infinito
na carência dos fatos
na esteira dos sentidos
a utopia é o rito
de quem habita o futuro
nos sentidos
com a intimidade humana
de quem constrói a vida
a noite
afagava a tarde
trafegando a lua
pelo espaço
o tempo
posto em arquivo
lembrava no sono
seu sorriso
pulsando a vida
o menino adormecido
embrulhava no sonho
o infinito
solista privado
no recital da vida
dou-me ao arranjo
em partitura resumida
esse abraçar-se matéria
no concerto coletivo
tudo que me tanto seja
nas notas que declama
são apenas os acordes
da orquestra humana
objeto
posto no mundo
dou-me à condição
de rastro de tudo
as marcas do que me vive
deixa pegadas nessa luta
andarilho
caminho o próximo
rumo das estradas
em que me conforto
a matéria dá-se a tanto
como invenção do outro
em Copacabana
pela calçada
o menino vigiava
as madrugadas
a que o tempo tangia
a que o sonho armava
os adultos
em caminhada
não percebiam que o tempo
também sonhava
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
a bailarina
boiava no palco
nave onírica
humano dardo
o infinito
encabulado
dava-se contrito
em cada salto
o homem
media nos olhos
os vários infinitos
que mirava
do outro ter-se-á a lógica
de inventar-se em mim
como se fosse própria
toda a ilação humana
de quem se constrói
por dentro da história
e há de ter-se assim
humanamente conjugado
como se gente fosse então
uma espécie de gado
que rumina verbos e futuros
em todos os cercados
e fosse a própria identidade
do que lhe era o todo
por ser só de si o contrassenso
de parecer tão pouco
quando não existe o espelho
para refletir o outro
é que a vida se constrói
quase sempre aos poucos
e há um futuro reservado
nos desvãos dos outros
que teimam em ser passado
do que em nós é futuro e porto
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.