Lista de Poemas

Momentos verbais

 

ainda a palavra

assim indefinida

trafegava o poeta

como armadilha

lapsos do poema

nessa guerrilha

nas montanhas do verbo

nas planícies da vida

o poeta

ainda à deriva

tenta abraçar o tempo

das letras que decida

95

Cênica entrada

 

a vida

não é do palco

a coxia do mundo

é o passo

cada um

tramite o tempo

de compor os atos

no pensamento

o palco será o curso

grande alvoroço

cena do futuro

quando for de todos

6

Onírico trâmite

 

o sonho

mentira lúdica

esquece no tempo

sua sanha pública

esse habitar humanos

em sua luta

conflagração de todos

curso da matéria

o sonho é só alvoroço

daquilo que intenta:

deixar-se nos braços

dos fatos que tenta

45

Reminiscência XLI

 

o braço da mãe

era um imenso porto

cais humano de tanto

das barcas do sonho

o menino

caçando o sono

abraçava o cais

como encontro

os mares da vida

vigiavam o sonho

21

Estrada recorrente

 

morrer

é nascer genérico,

abraçado ao tempo,

infinito no universo

morrer

é viver o nexo

arte extrema da matéria

construtora de começos

morrer

nunca é o fim

é só um trajeto

em que me esqueço

14

Embarazos

 

el infinito

hace poco

alineando el viento

jugó lá mañana

en el tiempo

el hombre

abrazando el viento

juega en si mismo

su pensamiento

la materia es embarazada

en todo su momento

72

Do poema no poeta I

 

o poema é um desate

dos nós do poeta

na corda das palavras

é assim um garimpo

nas minas da alma

a bamburra do sonho

os comícios da verdade

o verbo trança o mundo

o poeta apenas arde

as fogueiras de si

nas brasas em que cabe

46

Jornada III

 

lavre-se o armistício

a matéria dada em si

configurando a vida

é contrato coletivo

diz da fruição de todos

derramados no mundo

como pedaço do infinito

a terra, embora pouca,

dá-se à imensidão

de seus indícios

consciência navegante

dos espaços que transita

16

Alinhavos

 

a história

é um intenso curso

onde haverá manhãs do povo

no barco do futuro

a tecitura

desse largo tempo

são as ruas bordadas

no pensamento

traçar o mundo

na costura dos braços

é um fazer humano

alinhavando os fatos

a história é a matéria humana

costurada aos pedaços

7

Das fugas humanas

 

o atabaque

coração coletivo

pulsa o tempo

como registro

essa brincadeira

fugaz e recorrente

de jogar fora do homem

o poder do que se sente

é assim como um rio

traindo sua corrente

7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.