Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
da África dançando
de-se o indício
de que Madiba é vivo
em cada comício
da África dançando
entenda-se o ofício
que o povo tem de lutar
pelo seu riso
da África dançando
decrete-se um infinito
das léguas todas do povo
que Mandela traz consigo
a manhã
entrava no telhado
beliscando os olhos
do menino acordando
o sol
lambendo a paisagem
tentava pelas horas
adiar a tarde
o dia era só um tempo
que o menino arquivava
nos futuros da saudade
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha o discurso
pois por te-la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
A Onaldo Queiroga
o sanfoneiro
nem pressente
que quando puxa o fole
estica a alma da gente
ela sobe no juízo
como um sopro diferente
e se desmancha nos passos
dos vôos todos da gente
é como se fora um recado
de todos os ancestrais
escrevendo nesses passos
as palavras de quem jaz
é como um grito escondido
nos verbos todos do tudo
construindo os infinitos
que a vida joga no mundo.
nem sempre
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos sempre juntos
o infinito
e nem o passado
é tão conciso
há um futuro dele
impreterivelmente desmedido
Os horizontes
nunca terminam
a gente é que esquece a régua
e as medidas
de trazê-los sempre ao passo
da vida.
Na verdade
contra os destinos
o horizonte é só mais um passo
a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa
de réguas comprometidas
com os freios que se criam
nas andaduras da vida
só ao povo
cabem os horizontes medidos
pela certeza de que todos
cabem nos seus sentidos.
meu verso
apenas tenta
derramar nas palavras
minha crença
não que o verbo
nas trincheiras da vida
tenha os mesmos metros
do que se acredita
antes delibera
nas esquinas do novo
aquilo que a palavra
mede em todos
meu poema
apenas convoca
todos os meus afetos
todas as minhas portas
e se o prolato
e se as invoco
é por ser o futuro
aquilo que eu posso.
único
tudo me define
outro
sou,
assim alheio,
tudo
de mim mesmo
e pouco
é que me sobra
a ilusão
de parecer-me
em vão
quando não pulsa
na luta
o coração.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.