Lista de Poemas

A meta em verso

 

a meta é o verso

a humana condução,

nas costas do tempo,

da matéria em manifesto

ao da-lo intenção

das larguras da vida

a matéria tem de si

todas as medidas

o homem é só o protesto

dos verbos que consiga

6

Reminiscência XXXV

 

o vinho

em sua essência

criava rios

na consciência

as margens do mundo

lambiam o tempo

nas eternidades

postas no pensamento

o jovem navegava os rios

em todas suas nascentes

6

Reminiscência XL

 

o museu

nos olhos passeava

como uma lenda

em sua lavra

a história

em disparada

enchia os ouvidos

dos camaradas

o Hermitage

grávido do passado

era um quadro do futuro

nos olhos ancorado

6

Reminiscência XXXVIII

 

a fumaça

navegava o tempo

como nuvem clara

no céu do pensamento

o jovem

largava-se na memória

soprando a vida

tragando a história

o charuto

apontando a vida

lembrava Cuba

em todos os cohibas

8

Ladeira compulsória

 

a vida não é escada

o único degrau

é a alma

planície humana

em que se guarda

dá-lá às ladeiras

da sobrevivência

competição no tempo

é só um disfarce do sistema

construção compulsória

dos degraus da paciência

15

Voos coletivos

 

gendarme do tempo

dou-me à deriva

em todas as passeatas

que transitem a vida

assim como breve pássaro

de ninhadas infinitas

14

Da coletiva construção

 

no que humano seja

a vazão da matéria

decrete-se a razão

como largo tentáculo

do polvo infinito

em que o homem lavra

desse cavalgar

na garupa da vida

entoe-se como sujeito

de suas investidas

as que construam de si

as que o povo decida.

24

Vindouras raias

 

as raias do futuro

correm no tempo

as horas que se deixam

pelo pensamento

assim que dispostas

jogadas no espaço

fervem as instâncias

de todas as sinapses

o traçar dos rumos

da vindoura guerrilha

é deitar pelos braços

a essência da vida

26

Verbos

 

o poema

é um grito

tentativa inata

de cócegas no infinito

a matéria humana

grava o verbo

no músculo virtual

de seu interno

lança a palavra

como lúdico manifesto

do abraço material

do seu protesto

13

Do princípio e suas ramificações

 

nas andanças do povo

no ventre das praças

a vida caminha torta

em paralelas exatas

como se fora um curso

das dores que relata

pulsando todos desejos

como bandeira larga


 

os dias em que habita

como grave passeata

desenha essa ilusão

de que se veste a prática

de entornar o povo

no ombro grave da pátria

como forma de gritar

todas as suas lágrimas


 

os passos assim lançados

desaguam no comício

ancorados pela praça

o povo colhe o indício

de que entre seus braços

a história é um infinito

o poder de transita-lo

é gerência de seu riso


 

nessa larga paisagem

Nicodemus deu-se à deriva

como um grito humano

posto nas avenidas

fugindo do ventre da mãe

abraçado com a vida

assim como palavras

das ordens em que milita


 

nascido em comício

eco da fala humana

Nicodemus deu-se ao tempo

como intensa chama

de quem já no início

assumia seu drama

de tornar-se frontspício

teatro de sua chama


 

correu assim a infância

como uma estrada pulsante

de todas as regras ditas

nas indagações humanas

da infantil construção

de sua militância

eis que a visão do sonho

era só uma instância

que escorria da vida

com certa perseverança


 

sonhou nessa vertente

os desejos de menino

forjou batalhas de risos

chorou as dores sentidas

assim quando a emoção

transbordando seu rito

confunde o mar dos olhos

com as brechas do riso


 

assim caminhou solene

na continência dessa dívida

de como soldado civil

em militar investida

construir-se do novo

na escola da vida

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.