Lista de Poemas

Voluntária lida

 

os desejos

em seus enganos

rasgam a vida

aos solavancos

subjetivos

dão-se a vontade

material disfarce

da liberdade

o homem

trânsito da vida

dirige a vontade

pelas avenidas

67

Soneto de perquirição introjetada

 

que a vida em nós esteja tanta

derramada assim pela avenida

como um jato de povo nessa dança

que a luta constrói quando se diga
 

construída no vão da liberdade

como um pássaro assim esvoaçante

dê-se ao tempo assim como uma nave

que tente navegar as léguas do horizonte
 

e o rumo da multidão seja a estrada

da construção urgente arquitetada

como tangente exata desse curso
 

que teima em levar o homem à alma

como transeunte de toda sua calma

no abraço coletivo das praças do futuro

87

Faminta saga

 

a fome

se(mente)

quando planta(da)

impune(mente)

rói a vida

intrusa endemia

noite arquitetada

da sistêmica via

os rastros do mundo

pegadas da vida

passeiam a humana matéria

na luta que decida

13

Reminiscência XXXIII

 

sentado

no muro da escola

o jovem gazeava

o tempo e a história

pescando sonhos

no ritmo da rua

tramava passeatas

as do povo e as suas

semeava versos no peito

como leirão humano

da agricultura de si

no roçado dos anos

14

urbana paisagem

 

a chuva

roendo o tempo

lambe a madrugada

mar das alturas

em líquida caminhada

desaguando rios

pelas calçadas

nadando a fome

o homem tem-se barco

ancorado na tempestade

a água abraça o mundo

afogando a liberdade

59

Reminiscência XXVII

 

o sol tangia luz

pela paisagem

como um grande pincel

avivando a madrugada

o menino

apressando as horas

espantava o sono

da memória

o mundo e o tempo

eram os sítios

onde vivia infante

seus infinitos

10

Reminiscência XXVIII

 

a Ladeira do Maribondo

era um Everest íntimo

jogado no nordeste

e nos olhos do menino

subi-la era exercício

de dize-la incauta

em duvidar da sanha

do sonho astronauta

a ladeira, reticente,

na lama que guardava

deixava-se barreira

dos esportes da alma

33

Reminiscência XXIX

 

na Estação Aeroport

Moscou pulsava

todos os metrôs

das ferrovias da alma

a face do futuro

era estrada tanta

que o jovem o caminhava

como lembrança

a neve gelando o tempo

no colo manso da tarde

era só um abraço

da soviética saudade

29

Do porvir em nado

 

o porvir

há de pôr-se atento

em deixar construir-se

como oficina do tempo

ferramenta humana

dê-se a matéria ao rito

de consumir na luta

os gestos do infinito

a construção do futuro

deixa rastros em tudo

19

Reminiscência XXVI

 

nos olhos

como corrente

a vida puxava

o horizonte

o menino

assuntando o mar

media o açude

em que mergulhava

as léguas marinhas

nas ondas derramadas

afogavam os açudes

que trazia na alma

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.