Lista de Poemas
Voluntária lida
os desejos
em seus enganos
rasgam a vida
aos solavancos
subjetivos
dão-se a vontade
material disfarce
da liberdade
o homem
trânsito da vida
dirige a vontade
pelas avenidas
Soneto de perquirição introjetada
que a vida em nós esteja tanta
derramada assim pela avenida
como um jato de povo nessa dança
que a luta constrói quando se diga
construída no vão da liberdade
como um pássaro assim esvoaçante
dê-se ao tempo assim como uma nave
que tente navegar as léguas do horizonte
e o rumo da multidão seja a estrada
da construção urgente arquitetada
como tangente exata desse curso
que teima em levar o homem à alma
como transeunte de toda sua calma
no abraço coletivo das praças do futuro
Faminta saga
a fome
se(mente)
quando planta(da)
impune(mente)
rói a vida
intrusa endemia
noite arquitetada
da sistêmica via
os rastros do mundo
pegadas da vida
passeiam a humana matéria
na luta que decida
Reminiscência XXXIII
sentado
no muro da escola
o jovem gazeava
o tempo e a história
pescando sonhos
no ritmo da rua
tramava passeatas
as do povo e as suas
semeava versos no peito
como leirão humano
da agricultura de si
no roçado dos anos
urbana paisagem
a chuva
roendo o tempo
lambe a madrugada
mar das alturas
em líquida caminhada
desaguando rios
pelas calçadas
nadando a fome
o homem tem-se barco
ancorado na tempestade
a água abraça o mundo
afogando a liberdade
Reminiscência XXVII
o sol tangia luz
pela paisagem
como um grande pincel
avivando a madrugada
o menino
apressando as horas
espantava o sono
da memória
o mundo e o tempo
eram os sítios
onde vivia infante
seus infinitos
Reminiscência XXVIII
a Ladeira do Maribondo
era um Everest íntimo
jogado no nordeste
e nos olhos do menino
subi-la era exercício
de dize-la incauta
em duvidar da sanha
do sonho astronauta
a ladeira, reticente,
na lama que guardava
deixava-se barreira
dos esportes da alma
Reminiscência XXIX
na Estação Aeroport
Moscou pulsava
todos os metrôs
das ferrovias da alma
a face do futuro
era estrada tanta
que o jovem o caminhava
como lembrança
a neve gelando o tempo
no colo manso da tarde
era só um abraço
da soviética saudade
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.