Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o desejo
não é um jeito
de querer
o que não devo
o desejo
é apenas caminho
de espantar o medo
o desejo
é a encruzilhada
de todas as veias
de todas as falas
o desejo
é transeunte
de ruas escondidas
tudo que lhe tanje
é a vida
o desejo
não transige
com a parcimônia
do que se vive
o desejo
é quase um salto
na escuridão
dos seus enredos
o poema
rente ao verbo
admite as curvas
de suas retas
planta a palavra
em trejeitos
nesgas do poeta
no perímetro do peito
o poema é livre
em cada cela
prisioneiro do mundo
nas grades do poeta
o peneirado da negra
tinha um quê de ilusão
ela dançava sim
a gente pensava não
era como se a vida
não fosse a contradição
que leva a gente pro norte
com o sul no coração.
o tempo
entorna a emoção
postura inata
da razão
é como cachoeira
da humana vazão
o homem
torneira recorrente
dá-se ao gesto temporal
dos sonhos que sente
Eis a sinergia:
a alegria é sempre maior
que a tristeza presumida
o tempo e o riso cabem mais
nas entrelinhas da vida
É que sua lavratura,
demandada pelos anos,
abrange todas as medidas
do invólucro humano
eis que consumir o tempo
é uma alegria orquestrada
ao homem cabe compô-la
das notas em que não se cala.
Na morte
me definitivo
tudo que resta
é coletivo
meu singular
é apenas o que vivo.
Eis o artifício da vida
o geral é tão vário
que me infinita.
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa senti-lo.
Antônio Serafim
tangia a vida
como uma passeata
silenciosa e invertida
a marcha que habitava
escondia em si a avenida
a cabeça
derreada no ombro
era só a oitiva
dos silêncios do mundo
arquivados na vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.