Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
minha mãe
tem caminhos
por onde ando displicente
como se fosse uma romaria
de passados e presentes
jogados no coração
assim tão constantemente
como a razão do amor
que cai dos olhos da gente
a utopia
é um sonho
que se leva na mão
embrulhado na luta
tudo que seja povo
lhe disputa
os metros todos de futuro
a que se ajusta
ao amor
dê-se a vazão
das cachoeiras que inventam
o coração
e dê-se como mar
nas ondas em que se cometa
como se fora um barco
navegando impune sua gesta.
o amor é sempre ávido
em tudo a que se presta.
é que nos ombros da flor
por trás do seu colorido
navegam os sentimentos
na jangada dos sentidos
é como um feitiço do olho
que teima em ser abrigo
das tempestades da cor
explodindo seus sorrisos
como se à vida não bastasse
sua condição de ser riso
quando a natureza gargalha
a aventura de ser vista.
a história
caminhando pelas praças
constrói os tempos das árvores
e o destino das massas
todas as dores do povo
embrulhadas em sua face
no alvoroço da luta
inventam a liberdade
é que o futuro é ofício
de quem cedo já tarda.
O sonho
é só o unguento
com que trato as viagens
do pensamento
é que por tê-las
alinhavadas no juízo
deixo-me sonhar atento
às distâncias do infinito
ao fim, caibo em mim,
viajante e quase contrito,
nas lonjuras do que, perto,
tange os metros do meu riso.
nada do que vivo
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
Meu vínculo
é o que sinto
pensar é só preciso
naquilo que o coração
é meu indício
A razão é quase gesto
de que prescindo
quando o coração aponta
os verbos do que digo.
Meu vínculo
é o que grito
na rua geral da vida
em que me infinito.
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeata .
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.