Lista de Poemas
Das estradas do ser
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
Da humana forja
resumo militante
das Áfricas vividas
o mundo escreve a matéria
na humana lida
assim derramada
nas cenas do tempo
inventa razões
pelo pensamento
contê-la abraçada
nos vincos da vida
é respira-la invenção
das almas que consiga
Compassos da vida
rasuras da vida
postas no tempo
são apenas espaços
do sentimento
leva-las à vontade
em quanta crítica
é arquivar descompassos
nos armários da vida
construir-se em atos
nos alinhavos de tudo
encomenda o compasso
que engravida o futuro
Poema a Adroaldo Marcelo, jabuti e pacifista
o jabuti
em mansa fala
soletra nos passos
toda sua calma
dá-se à tarefa
de suas medidas
em pausar as estradas
encolhendo o infinito
guardando-se no próprio corpo
no ato de deixar-se contrito
Adroaldo entende o alvoroço
como grave desperdício
Reminiscência XXV
o quanto da mulher
era tão infinito
que jogava eternidades
nos segundos do riso
prorrogava as manhãs
como eterna liberdade
de quem manuseia o tempo
como dona das tardes
hoje inadimplente
dos infinitos que pude
dou-me escravo das horas
que a saudade me pune
Tribos de mim em tanto
coletivo
dou-me às tribos
como indígena militante
do infinito
a razão de sê-lo
entorna a liberdade
como fração dos atos
da humana vontade
a condição inata
discurso da história
dá-me como matéria
nos ombros da memória
Reminiscência XXIII
na escola
a maria mole
era no desejo
ansioso bólide
o menino
em largo susto
incompreendia em si
o nexo do custo
na estatística da vida
como infante alarde
os trajes do sistema
estrangulavam a liberdade
Múltipla saga
quando multidão
dê-se a tanto
construindo o rito
do viver humano
a matéria
dá-se a quanto
por saber-se grávida
em cada canto
cada um, em tudo
é a possibilidade coletiva
do futuro
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.