Lista de Poemas

Das estradas do ser

 

dê-se em mim como privada

a alheia senda do outro

essa necessidade proprietária

da matéria em alvoroço

construção libertária

de quem navega seu esforço

como um barco desses mares

em que a vida dá-se aos poucos

e por tanta resumida

nas infinitas demarches

de-se à dialética

de todos seus olhares

como a vida a transitar

como coletiva face

de todos que a integram

na material paisagem

esse pertencer perdulário

de quem se dá à verdade

de que todos sou eu

diagramado na tarde

em que a estrada da vida

percorre a liberdade

e assim dado à multitude

como grão coletivo

escreva nas atitudes

a cerimônia do rito

de quem escreve em si

a rubrica do infinito

23

Da humana forja

 

resumo militante

das Áfricas vividas

o mundo escreve a matéria

na humana lida

assim derramada

nas cenas do tempo

inventa razões

pelo pensamento

contê-la abraçada

nos vincos da vida

é respira-la invenção

das almas que consiga

6

Compassos da vida

 

rasuras da vida

postas no tempo

são apenas espaços

do sentimento

leva-las à vontade

em quanta crítica

é arquivar descompassos

nos armários da vida

construir-se em atos

nos alinhavos de tudo

encomenda o compasso

que engravida o futuro

7

Poema a Adroaldo Marcelo, jabuti e pacifista

 

o jabuti

em mansa fala

soletra nos passos

toda sua calma

dá-se à tarefa

de suas medidas

em pausar as estradas

encolhendo o infinito

guardando-se no próprio corpo

no ato de deixar-se contrito

Adroaldo entende o alvoroço

como grave desperdício

17

Reminiscência XXV

 

o quanto da mulher

era tão infinito

que jogava eternidades

nos segundos do riso

prorrogava as manhãs

como eterna liberdade

de quem manuseia o tempo

como dona das tardes

hoje inadimplente

dos infinitos que pude

dou-me escravo das horas

que a saudade me pune

27

Tribos de mim em tanto

 

coletivo

dou-me às tribos

como indígena militante

do infinito

a razão de sê-lo

entorna a liberdade

como fração dos atos

da humana vontade

a condição inata

discurso da história

dá-me como matéria

nos ombros da memória

7

Reminiscência XXIII

 

na escola

a maria mole

era no desejo

ansioso bólide

o menino

em largo susto

incompreendia em si

o nexo do custo

na estatística da vida

como infante alarde

os trajes do sistema

estrangulavam a liberdade

6

Múltipla saga

 

quando multidão

dê-se a tanto

construindo o rito

do viver humano

a matéria

dá-se a quanto

por saber-se grávida

em cada canto

cada um, em tudo

é a possibilidade coletiva

do futuro

22

Avelino em vacum indício

 

José Avelino

sobre o cavalo

tinha a impressão

de ser compasso

instrumento das curvas

em busca do gado

vaqueiro

dava-se à caatinga

como avenida larga

de tramitar a vida

seu desejo onírico

era um rebanho farto

tangido em passeata

nos currais da alma

12

Bailarina em tempo vasto

 

a bailarina

soletra no palco

todos os infinitos

que traz nos braços

dizer a vida

no meio dos passos

acorda suas manhãs

no vão das tardes

o tempo da bailarina

é uma intensa eternidade

9

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.