AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
313 779 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3602

Das pandêmicas solitudes

 

na solidão saio de mim

como transeunte

de todas as estradas

que não pude

e deixo-me a sós

em incautos coletivos

como bólide da vontade

de estar comigo

 

eis a contradição:

a pandemia é coletiva

nem deixa a solidão

ser mais restrita.

13

Ode ao PCR nos caminhos da história  

 

                      Aos Camaradas Manoel Lisboa de Moura e Selma Bandeira

 

o partido inventa o tempo

como uma usina de luta

e camaradas serão todos

no futuro exato dessas ruas

 

o partido ecoa nos muros

como uma frase explosiva

e tange o coração do povo

nos ombros largos da avenida

 

o grito urgente do discurso,

no seu jeito singular diz-se tão vário

que ressoa no peito como certeza

um Partido Comunista Revolucionário

 

enfim, dê-se-lhe a vazão

de parecer-se na luta

uma fornalha grávida da revolução.

25

Da latina vocação da liberdade

 

A latina américa

ainda assim inconstruída

pesa todas as pátrias

na pátria intensa da vida

 

o futuro sonha pela tarde

suas ruas mais urgentes

o gosto radical da liberdade

que alinhava o peito dessa gente

 

e nos gestos da história

semeados em suas curvas

o povo abraça a vitória

nos ombros da sua luta.

13

Dos discursos marinhos do nosso estado

 

 

Da praia tenha-se o discurso

de um mar de manso nado

que inventa esquinas na gente

nas larguras todas dos atos

 

é que o mar, às vezes, posa

de açude encabulado 

e cria as ondas futuras

na curva urgente do passado

 

criar as jangadas da vida

é navegar todos os fatos.

12

Nos escaninhos do devir

 

a história

caminhando pelas praças

constrói os tempos das árvores

e o destino das massas

 

todas as dores do povo

embrulhadas em sua face

no alvoroço da luta

inventam a liberdade

 

é que o futuro é ofício

de quem cedo já tarda.

11

Da passeata no vão da crise

 

A luta bruta sua a praça

com suores e verbos,

andarilhos e astronautas

montados no sonho urgente

de abraçar a pátria

 

a luta consome

as léguas de povo

que adredemente prolata

costurando os verbos da vida

no peito infante da massa

 

e o grito da multidão

ecoando pelas marquises

é a construção escalonada

das arquiteturas da crise.

12

Da comunitária conjunção das horas

 

Que o manto da paz nos cubra

pelas curvas do pensamento

e que os verbos se amontoem

no alvoroço dos tempos.

 

Como uma nave desgarrada

ressurja a coletiva vontade

de construir como pasto

a a cara da liberdade

 

e que sejamos comuns

nos campos e nas cidades.

13

Das úmidas lembranças

 

Quando a saudade

dê-se como lágrima

encha todos os rios

que se tem na alma

 

e navegue serena

as estradas da vida

inventando as emoções

nos tempos em que, avulsa,

reste pela memória, exata, 

como se fora uma fábrica

das eternidades que pulsa. 

14

Vazão humana

 

no homem

de-se o ofício

de construir-se outro

como um vício

construção humana

da matéria no infinito

baste-se tanto

como indício

de que o ser é alheio

a privados comícios

as escaramuças do ego

são rédeas consumidas

23

Das contrafações do engenho humano

 

Subo ao conceito

e desço aos fatos

quando não por tê-los

assim desirmanados

desfocados do mundo

e das filigranas do lapso

 

chego aos fatos

teoricamente praticado

como se o engenho fosse lavoura

de submeter-se a arado

e a vida uma teoria

de todas as minhas práticas.


 

21

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado