Lista de Poemas

Da humana valsa

 

a dança

dispensa o salão

nas ruas dos passos

dos pés no chão

a história

já valsa a vida

como dança humana

recorrente e infinita

o homem

no frevo do mundo

já dança o tempo

abraçado em seus pulos

25

Excertos ...

 

do outro ter-se-á a lógica

de inventar-se em mim

como se fosse própria

toda a ilação humana

de quem se constrói

por dentro da história
 

e há de ter-se assim

humanamente conjugado

como se gente fosse então

uma espécie de gado

que rumina verbos e futuros

em todos os cercados
 

e fosse a própria identidade

do que lhe era o todo

por ser só de si o contrassenso

de parecer tão pouco

quando não existe o espelho

para refletir o outro
 

é que a vida se constrói

quase sempre aos poucos

e há um futuro reservado

nos desvãos dos outros

que teimam em ser passado

do que em nós é futuro e porto

24

Da guerrilha em fases


guerrilheiro de si

dê-se à oitiva

de todos os sentidos

postos na vida

cometa o tempo

como íntima arma

de arquivar o povo

no vão da alma

invente a manhã

quando tarde

madrugue as razões

da liberdade

34

Desejo em raia urgente

 

o desejo

veio urgente

posta a emoção

nas minas do que sente

trava a demora

na humana senda

esculpindo a vontade

em sua agenda

o desejo é corcel

desabalado

galopando a memória

das raias do passado

6

Sonhos versejantes

 

em cada verso

haverá, por certo,

nesgas do tempo

em manifesto

e a vontade intensa

de dar-me ao nexo

de doar às palavras

todos os sonhos

a que me empresto

os que decorram da vida

os que boiem no universo

até que essa saga onírica

diga-me matéria genérica

4

Íntimas estradas

 

as tramas que tenho

nas vielas em que ando

sejam apenas passos

militantes ou vagabundos

caminhando a matéria

em todos os seus rumos

aqueles que digam de mim

aqueles que lutem o mundo

4

Da vindoura trama

 

a liberdade

nunca será tanta

senão num tempo

que não seja necessária

a esperança

o presente de si

seja futuro tanto

como um passado vivido

em vindoura trama

a vida será só um terçar

da humana dança

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Volitiva sanção

 

num recanto da vida

meio embrulhada

habita como bólide

a pedra da vontade

atira-la ao mundo

no vão dos fatos

deixá-la militante

na coletiva nave

o pulso humano tramita

inexoravelmente

a gravidez da liberdade

20

Violada lembrança

 

o violão

mudo e esquecido

guarda dos olhos

memórias e motivos

quando salta

degraus da memória

deixa-se compêndio

de infinitas horas

medo de pulsa-lo

deixar sua marca

soltar pelos olhos

as cordas da alma

18

Das humanas correntes

 

a água

na ciranda do rio

dança a natureza

como um trilho

corrente, dá-se ao tempo

misturando as horas

no abraço dos ventos

o homem, rio de si,

escorre a vida

como fora corrente

em margens consentidas

todas suas cheias

dependem de investidas

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.