Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na solidão saio de mim
como transeunte
de todas as estradas
que não pude
e deixo-me a sós
em incautos coletivos
como bólide da vontade
de estar comigo
eis a contradição:
a pandemia é coletiva
nem deixa a solidão
ser mais restrita.
Aos Camaradas Manoel Lisboa de Moura e Selma Bandeira
o partido inventa o tempo
como uma usina de luta
e camaradas serão todos
no futuro exato dessas ruas
o partido ecoa nos muros
como uma frase explosiva
e tange o coração do povo
nos ombros largos da avenida
o grito urgente do discurso,
no seu jeito singular diz-se tão vário
que ressoa no peito como certeza
um Partido Comunista Revolucionário
enfim, dê-se-lhe a vazão
de parecer-se na luta
uma fornalha grávida da revolução.
A latina américa
ainda assim inconstruída
pesa todas as pátrias
na pátria intensa da vida
o futuro sonha pela tarde
suas ruas mais urgentes
o gosto radical da liberdade
que alinhava o peito dessa gente
e nos gestos da história
semeados em suas curvas
o povo abraça a vitória
nos ombros da sua luta.
Da praia tenha-se o discurso
de um mar de manso nado
que inventa esquinas na gente
nas larguras todas dos atos
é que o mar, às vezes, posa
de açude encabulado
e cria as ondas futuras
na curva urgente do passado
criar as jangadas da vida
é navegar todos os fatos.
a história
caminhando pelas praças
constrói os tempos das árvores
e o destino das massas
todas as dores do povo
embrulhadas em sua face
no alvoroço da luta
inventam a liberdade
é que o futuro é ofício
de quem cedo já tarda.
A luta bruta sua a praça
com suores e verbos,
andarilhos e astronautas
montados no sonho urgente
de abraçar a pátria
a luta consome
as léguas de povo
que adredemente prolata
costurando os verbos da vida
no peito infante da massa
e o grito da multidão
ecoando pelas marquises
é a construção escalonada
das arquiteturas da crise.
Que o manto da paz nos cubra
pelas curvas do pensamento
e que os verbos se amontoem
no alvoroço dos tempos.
Como uma nave desgarrada
ressurja a coletiva vontade
de construir como pasto
a a cara da liberdade
e que sejamos comuns
nos campos e nas cidades.
Quando a saudade
dê-se como lágrima
encha todos os rios
que se tem na alma
e navegue serena
as estradas da vida
inventando as emoções
nos tempos em que, avulsa,
reste pela memória, exata,
como se fora uma fábrica
das eternidades que pulsa.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.