Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a história
caminhando pelas praças
constrói os tempos das árvores
e o destino das massas
todas as dores do povo
embrulhadas em sua face
no alvoroço da luta
inventam a liberdade
é que o futuro é ofício
de quem cedo já tarda.
O sonho
é um varal imenso
onde estendo os fatos
no pensamento
é como um futuro postado
nos ombros do tempo.
É que o bordado da noite
quando inventa nosso riso
cria luas no infinito
nesse claro exercício
de criar com nossos olhos
a aventura de ter vivido.
a utopia
é um sonho
que se leva na mão
embrulhado na luta
tudo que seja povo
lhe disputa
os metros todos de futuro
a que se ajusta
A esperança
é só uma dança
que o futuro inventa
pela lembrança
é como se fora um panfleto
redigido no peito de quem avança
sua imanência
é só aviso
de quem sabe montar
seu infinito.
é que quando o tempo avança
o passado só encurta
e parece que foi ontem
o que o futuro custa
é que o tempo só se gasta
na lembrança de quem o usa.
viver é guardar o tempo
na exata proporção da luta.
Dos mares que velejo
perdido assim em teu abraço
tolerarei as ondas que não meça
dividirei os tempos que não possa
porque de nada-los a cada passo
deixe-me restar infinito em tua graça
profundamente livre de mim mesmo
do que eu consiga em teu encalço
a passeata navega as ruas
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
o céu
é sempre do povo
como a praça da revolução
e nem há tempo novo
que se invente em vão
a praça é sempre do povo
como o céu de suas mãos
o povo
é sempre da praça
nos céus nublados do não
é como se gente fosse argamassa
de construir amplidão
costurando o peito da massa
nos bordados da razão.
gente pulsando
na história e na avenida
é sempre um futuro
atravessado na vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.