Lista de Poemas

Semântica trama

 

às vezes,

o poema tenta

ser só um brincante

das palavras que enfeita

inventa trocadilhos

joga aparências

arrumando palavras

em semântico desenho

na verdade, apenas tenta

dizer nos homens pela vida

a força do poema

63

Íntima jornada

 

fujo de mim

quando me perco

nos eus coletivos

em que me esqueço

tudo que me tange

é a inteira certeza

de que como matéria

milito a natureza

nadar o rumo da vida

até que os mares me queiram

5

Do baião soletrado

 

dos solfejos da sanfona

pelo vento espalhados

os passos brotam no chāo

no baiāo alinhavados

é assim como um levante

do povo desembestado

riscando a terra em bemóis

jogando a vida nos passos

o nordeste pulsa tanto

nesse dançar coletivo

parece um vendaval

no pescoço do infinito

5

Metragens

 

dou-me ao infinito

como perdulário

tudo que de tanto

permitam-me os espaços

os que o tempo construa

os que digam as sinapses

o infinito é só o lavradio

da matéria em seus compassos

5

Da praça em atos

 

a praça

é só uma dança

onde o povo espalha

a esperança

a palavra

é o indício

onde a paz guerreia

seu comício

a matéria

apenas instaura

os futuros que pode

em sua saga

26

REMINISCÊNCIA XX

 

transeunte da vida

navegando a alma

o jovem varava o Recife

pisando a madrugada

o eco do partido

nos dias consumidos

jogava o futuro

pelos sentidos

a tempo

acordando a cidade

jogava a madrugada

numa certa liberdade

5

Reminiscência XIX

 

a lua

boiava na noite

como pingente

balançando o céu

no vão do tempo

o menino,

estafeta de si,

como sempre,

despachava-se no sonho

ao futuro do presente

28

Das doses do futuro

 

apenas vivo

com a certeza em tudo

de que haverá um tempo

sem números e muros

as larguras do tempo

nessa histórica corrida

são apenas segundos

compostos pela vida

os povos e a natureza

livres e abraçados

viverão todos futuros

como um presente adiado

24

Da feição dos tempos

 

amanhã

quando tarde

deixe-se cedo

pelos passos

as distâncias da vida

são um tempo exato

de consumir o mundo

no vão dos atos

deixá-los coletivos

como um largo abraço

19

Aconchego transcendente

 

meu apego ao infinito

é só um modo

de dar-me coletivo

jogar o mundo

pelos sentidos

o jeito de percebe-lo

nas léguas que decido

é apenas o novelo

do humano exercicio

saga informal da matéria

nos escaninhos da vida

5

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.