Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
lavre-se o armistício
a matéria dada em si
configurando a vida
é contrato coletivo
diz da fruição de todos
derramados no mundo
como pedaço do infinito
a terra, embora pouca,
dá-se à imensidão
de seus indícios
consciência navegante
dos espaços que transita
os bemóis da vida
talvez não sejam
os tons sentidos
em que estejam
é que o tempo
quando canta
deixa nas esquinas
suas tranças
as que deixa em si
as que joga na dança
a vida é o bemol sentido
naquilo que se canta
morrer
é nascer genérico,
abraçado ao tempo,
infinito no universo
morrer
é viver o nexo
arte extrema da matéria
construtora de começos
morrer
nunca é o fim
é só um trajeto
em que me esqueço
o poema, na verdade,
é só um jeito da saudade
coisa de montar palavras
nas veias da liberdade
trancafiadas no poeta
nas prisões da vontade
o poema é um infinito estreito
tudo que se crê infindo
o poeta tranca no seu medo
o baobá
assume a tática
de postar-se bastão
de todas as áfricas
ao dar-se ao tempo
como espada
carrega no gume
suas empreitadas
as nuances de seu povo
as energias inatas
as que afagam a consciência
as que desenham a alma
o baobá discursa
sem nenhuma palavra
o tempo, nestas horas,
nas pedras em que se guarda
dá-se assim aos caminhos
mais como arma
esse jogar-se das mãos
em conforto da alma
na verdade
a pedra é um arquivo
em que o tempo guardado em si
é só um disfarce
em que testemunha
as léguas humanas da razão,
as larguras do espaço,
como fosse compleição
dos infinitos em que se sabe
decrete-se o armistício
de si para consigo
nessa infinda razão
de lidar com a vida
a matéria
em sua gerência
infere-se humana
quando intensa
na pretensa ambiguidade
a matéria apenas argumenta
o motor das contradições
de sua humana vigência
minha fronteira
é o infinito
apesar dos metros
que habito
a matéria de mim
como um comício
grava meus fatos
naquilo que consigo
a matéria dá-se a tanto
nos neurônios que agito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.