Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
deixar-se em si
é larga tarefa
da humana senda
no curso da matéria
querê-la privada
como protesto
é desentende-la
como simples manifesto
dessa multidão infinita
em que a vida se testa
assim como fosse noite
a manhã deitou-se
o tempo ressonou
os minutos que pode
assim como se a matéria
no infinito que coube
pudesse guardar-se no colo
das continências do olho
o açude
solto no mundo
dormia o tempo
abraçando tudo
o menino
inventando o dia
abraçava o sonho
em lúdica montaria
a balsa
porta-aviões onírico
era um pedaço da vida
navegando o infinito
no que humano seja
a vazão da matéria
decrete-se a razão
como largo tentáculo
do polvo infinito
em que o homem lavra
desse cavalgar
na garupa da vida
entoe-se como sujeito
de suas investidas
as que construam de si
as que o povo decida.
a vontade
indígena arma
joga pela vida
os torés da alma
vaga humana
em suas tabas
constrói primitiva
suas páginas
as que letram o tempo
as que guardam as lágrimas
poemas urgentes
dos arquivos da alma
a vida
nunca é rasa
quando soletra
o vão da alma
a consciência
é um rastro
que a matéria deixa
no sonho, nos braços
mistura-los no tempo
é só um espaço
a que se dá o pensamento
a chuva
roendo o tempo
lambe a madrugada
mar das alturas
em líquida caminhada
desaguando rios
pelas calçadas
nadando a fome
o homem tem-se barco
ancorado na tempestade
a água abraça o mundo
afogando a liberdade
tudo em todos
como um grito
discursa humano
um rastro coletivo
passeata de eus
em nós escondida
trazê-lo pegadas
de real exercício
derrama-las pela estrada
de todos os sentidos
os passos da matéria em tanto
são apenas discursos do infinito
nas andanças do povo
no ventre das praças
a vida caminha torta
em paralelas exatas
como se fora um curso
das dores que relata
pulsando todos desejos
como bandeira larga
os dias em que habita
como grave passeata
desenha essa ilusão
de que se veste a prática
de entornar o povo
no ombro grave da pátria
como forma de gritar
todas as suas lágrimas
os passos assim lançados
desaguam no comício
ancorados pela praça
o povo colhe o indício
de que entre seus braços
a história é um infinito
o poder de transita-lo
é gerência de seu riso
nessa larga paisagem
Nicodemus deu-se à deriva
como um grito humano
posto nas avenidas
fugindo do ventre da mãe
abraçado com a vida
assim como palavras
das ordens em que milita
nascido em comício
eco da fala humana
Nicodemus deu-se ao tempo
como intensa chama
de quem já no início
assumia seu drama
de tornar-se frontspício
teatro de sua chama
correu assim a infância
como uma estrada pulsante
de todas as regras ditas
nas indagações humanas
da infantil construção
de sua militância
eis que a visão do sonho
era só uma instância
que escorria da vida
com certa perseverança
sonhou nessa vertente
os desejos de menino
forjou batalhas de risos
chorou as dores sentidas
assim quando a emoção
transbordando seu rito
confunde o mar dos olhos
com as brechas do riso
assim caminhou solene
na continência dessa dívida
de como soldado civil
em militar investida
construir-se do novo
na escola da vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.