Lista de Poemas

Reminiscência XI

 

nem de tanto

a vida dizia

que fosse um tempo

assim à revelia

o menino

juntava as horas

na alegria inata

na memória

a coragem

era a infante certeza

de embrulhar no riso

qualquer tristeza

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Reminiscência XIV

 

nos trilhos

com a vida nos ombros

o menino era um trem

palmilhando o mundo

a escola

na distância da estrada

era só um destino

cheio de palavras

o sonho

bordado no juízo

era só o maquinista

daquele infinito

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Reminiscência XII

 

o Titicaca

mar subentendido

subiu a montanha

brincando com o infinito

andar em suas costas

era aventura exata

ares de marinheiro

com jeito de astronauta

nessa viagem

no discurso das águas

o Titicaca era Bolívar

assuntando os camaradas

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Materialismo inato

 

quando nasci

ainda inacabado

dei-me à matéria

como artefato

grávida razão

dessa latência

de construir aos poucos

a consciência

hoje, acabado,

dou-me à certeza

de compor a matéria

como natureza

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Reminiscência IX

 

na Praça Vermelha

o tempo pintava

todos os rubros

no vão da alma

Lenin,

dormindo a história

jogava Moscou e teses

na chão da memória

o comunista

sobraçando a vontade

sonhava o povo

criando a liberdade

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Becos do futuro

 

a terra

arranja o futuro

nos saltos que dá

nas costas do mundo

lapso incauto

do humano curso

que a matéria tenta

nos ombros de tudo

a vida caminha em si

os becos do futuro

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bailarinas fases

 

a bailarina

em sua trama

ainda pássaro

dá-se humana

a bailarina

inunda o palco

com todas as ondas

de seus saltos

a bailarina

como astronauta

pisa as estrelas

quando salta

7

Futuro em modos

 

o futuro

tempo em curso

dá-se à vontade

como recurso

escondida tração

de atos e discursos

ainda vindouro

avença da esperança

é quase passado

na lembrança

o futuro é só trejeito

da matéria em sua dança

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Das regras do sonho

 

o sonho

desejo ornamentado

borda no sono

íntimos alinhavos

pedaços da vida

ainda apartados

unem no homem

seus bordados

a onírica oficina

em seu trânsito

arruma no peito

a vontade de tanto

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Reminiscência X

 

a pipa

era um sonho amarrado

navegando a vida

como astronave

o menino

pilotando o tempo

jogava destinos

pelo pensamento

o céu

displicente

beijava a pipa

com a boca do vento

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.