Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Assassinado
por fuzis fardados
o homem explicita
a farda dos fardos
nada do sistema
eletrocutado
desencapa os fios
da elétrica cidade
todo o futuro
é um alarde
da construção que a revolta
em cada peito cabe
na morte daqueles
que trazem apenas como culpa
a noite no corpo e na face.
Quando a saudade
dê-se como lágrima
encha todos os rios
que se tem na alma
e navegue serena
as estradas da vida
inventando as emoções
nos tempos em que, avulsa,
reste pela memória, exata,
como se fora uma fábrica
das eternidades que pulsa.
no trajeto
entre mim e a razão
sou apenas transeunte
da contradição
nada do que está posto
deixa de ser em vão
é que são relativos
os absolutos na mão.
assim correndo no passo
no espinhaço da avenida
até parece que o frevo
é um abraço da vida
é como se fosse o povo
abraçado em cada rua
ensaiasse no tempo
o futuro da luta
e cada bemol no espaço
dançando pela cidade
espalhasse em cada canto
um gosto de liberdade
Quando o dia chegou
nos ombros da madrugada
eu parti do teu amor
perdido pelas estradas
é que teu cheiro ressoava
pelas léguas da memória
como se a vida fosse um mar
que corresse em desafio
e que se perdesse em mim
abraçado com teu riso
Que o manto da paz nos cubra
pelas curvas do pensamento
e que os verbos se amontoem
no alvoroço dos tempos.
Como uma nave desgarrada
ressurja a coletiva vontade
de construir como pasto
a a cara da liberdade
e que sejamos comuns
nos campos e nas cidades.
da pedra
informe-se
o gesto bruto
de ser bólide
ou, à contraluz,
assim esculpida
deixe-se estar aviso
nas costas da vida.
Habitante agora de mim
meu pai dá-se a jardineiro
que semeia saudades
nas ruas inteiras do meu peito
e é de ver-lhe assim
transgredindo normas
e alinhavando poemas
nos decretos da alma
é que morrer nem sempre
é o que a vida informa
há muitas léguas de todos
depois da última história
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.