Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
na mira do poema
o poeta tange o verso
martelada semântica
no vão do cérebro
as palavras
substantiva argamassa
adjetivam o tempo
em sua plástica
o poema ergue o verbo
em prumos disfarçados
à sombra do poeta
e todos seus enfados
o tempo, nestas horas,
nas pedras em que se guarda
dá-se assim aos caminhos
mais como arma
esse jogar-se das mãos
em conforto da alma
na verdade
a pedra é um arquivo
em que o tempo guardado em si
é só um disfarce
em que testemunha
as léguas humanas da razão,
as larguras do espaço,
como fosse compleição
dos infinitos em que se sabe
minha herança
sem propriedade
é a dança humana
que me caiba
rodeio do mundo
de todos camaradas
o valor
dos usos em que há de
é a construção de todos
mais valia da verdade
o mundo caminha
mesmo aos trancos
no rumo da liberdade
¿Cuánto cuesta el tiempo?
Vivirlo es solo gastar
las olas del pensamiento
en la marea de la vida
en las playas del sentimiento
os bemóis da vida
talvez não sejam
os tons sentidos
em que estejam
é que o tempo
quando canta
deixa nas esquinas
suas tranças
as que deixa em si
as que joga na dança
a vida é o bemol sentido
naquilo que se canta
o poema é um desate
dos nós do poeta
na corda das palavras
é assim um garimpo
nas minas da alma
a bamburra do sonho
os comícios da verdade
o verbo trança o mundo
o poeta apenas arde
as fogueiras de si
nas brasas em que cabe
o poema
como uma garça
tenta a razão
de suas asas
voa palavras
no vão da alma
golondrinas sutis
de sua fala
o poeta
em voo rasante
dá-se à ilusão
impunemente
morrer
é nascer genérico,
abraçado ao tempo,
infinito no universo
morrer
é viver o nexo
arte extrema da matéria
construtora de começos
morrer
nunca é o fim
é só um trajeto
em que me esqueço
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.