Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a fome
se(mente)
quando planta(da)
impune(mente)
rói a vida
intrusa endemia
noite arquitetada
da sistêmica via
os rastros do mundo
pegadas da vida
passeiam a humana matéria
na luta que decida
a vida
nunca é rasa
quando soletra
o vão da alma
a consciência
é um rastro
que a matéria deixa
no sonho, nos braços
mistura-los no tempo
é só um espaço
a que se dá o pensamento
que a vida em nós esteja tanta
derramada assim pela avenida
como um jato de povo nessa dança
que a luta constrói quando se diga
construída no vão da liberdade
como um pássaro assim esvoaçante
dê-se ao tempo assim como uma nave
que tente navegar as léguas do horizonte
e o rumo da multidão seja a estrada
da construção urgente arquitetada
como tangente exata desse curso
que teima em levar o homem à alma
como transeunte de toda sua calma
no abraço coletivo das praças do futuro
o calendário
régua do tempo
é só um disfarce
do pensamento
prisão das horas
pelo sentimento
até um dia distraído
humanamente medido
que o tempo será apenas
brincadeira dos sentidos
todos os momentos
serão apenas vividos
conjuntura coletiva
dos infinitos soltos pela vida
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
a vida
nunca era tanta
que pudesse conter
a imensa dança
o menino jogava
na porta da vontade
os sonhos que metia
nas ruas da cidade
a vaga objetiva da vida
molhava de sonho a verdade
no que humano seja
a vazão da matéria
decrete-se a razão
como largo tentáculo
do polvo infinito
em que o homem lavra
desse cavalgar
na garupa da vida
entoe-se como sujeito
de suas investidas
as que construam de si
as que o povo decida.
a chuva
roendo o tempo
lambe a madrugada
mar das alturas
em líquida caminhada
desaguando rios
pelas calçadas
nadando a fome
o homem tem-se barco
ancorado na tempestade
a água abraça o mundo
afogando a liberdade
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.