Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a lágrima do povo
molha a história
como rio do mundo
mar da memória
inunda o tempo
como lavratura
das certidões da vida
nos traços da luta
o riso do povo
é a contradição
das antíteses humanas
da revolução
meus olhos
sobram na noite
como naves urgentes
em busca do sonho
como um archote
no vão do sono
lampeja a vontade
na onírica fonte
abraçado à manhã
o sonho ainda vaga
como fora horizonte
dos mares da alma
as claves do tempo
emparelham as notas
que a vida soletra
no vão da história
o solo dos desejos
entoando semifusas
acorda os surdos
nos desvãos da luta
a sinfonia permanece
entre os movimentos da vida
o pensamento como luthier
o corpo como oficina
do sol militante
a manhã deu-se ao tempo
chorando as nuvens que tinha
no colo de seus ventos
como fosse uma tristeza
construída de repente
o menino olhando a chuva
deu-se a molhar os sentidos
namorando a paisagem
abraçado ao infinito
no engenho moendo
amoitado na alegria
o menino sonhava
nos ombros do dia
o mel boiando
no tacho escuro
era um decreto doce
nas mágoas do mundo
a vida era tão exata
que o menino esquecia
das humanas faltas
a fome da vida
era só uma estrada
num recanto da vida
meio embrulhada
habita como bólide
a pedra da vontade
atira-la ao mundo
no vão dos fatos
deixá-la militante
na coletiva nave
o pulso humano tramita
inexoravelmente
a gravidez da liberdade
a vida
não é só um descuido
que a matéria dá a si
plantando o futuro
o jogar-se plena
nessa insistência
projeta sua estadia
na consciência
construir-se tanta
nos ombros do mundo
é decreto raciocinado
dos infinitos de tudo
a saudade dói
um futuro renitente
teimosia em ser passado
mesmo presente
é como fosse um desejo
que enganasse o tempo
do que ri
a saudade consente
um sonho perdulário
mesmo ausente
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.