Lista de Poemas

ilimites da humana saga

o horizonte
é só um distrato
do alcance dos olhos
e o tamanho dos braços
abraçar o infinito
nos desvãos dos fatos
é vaga humana
posta na vontade
inventar os desejos
é apenas um contrato
7

Trânsito impertinente

o tempo
é apenas forma
matéria em trânsito
no regaço das horas
o espaço
é só a regra
das largas imanências
da matéria
divisa-los âmbito
do mesmo curso
é joga-los voos relativos
nos braços do futuro
22

Das vindouras vias

as praças
num dia tanto
beberão o futuro
como uma rua exata
dos risos do mundo
aos homens
restará o curso
de gastar a vida
na coletiva festa
de todos, em tudo
15

Calendário em dose íntima

meu calendário
é viver o tempo
deixar-me só coletivo
nas praças que tente
as horas que morri
permanecem guardadas
inundando os olhos
nas cócegas da alma
trazendo-as como um rio
no leito que me caiba
20

Bailarina vaga

cósmica ação
permite à bailarina
intrometer nos passos
os voos todos da vida
pássara nave
nuvem travestida
inventa no palco
os céus que consiga
no Teatro Bolshoi
a bailarina flutua
e infinita todas as retinas
com seus ares de lua
12

Das vertentes respostas

balas guardadas
na culatra da vida
delatam o sistema
em tê-las construídas
nas fomes armadas
nos palcos consentidos
o homem apenas destrava
o teatro dos sentidos
matéria construindo o repente
do futuro que se usina
9

Sonhada gesta

como fora sonho
deu-se à consistência
de trafegar a matéria
como consciência
cerzido a neurônios
em sinapses lúdicas
fez-se insistência
de possíveis absurdos
jogou-se no poeta
em retórica lavra
no fingir-se infinito
na parcimônia da fala
8

CUSCUZ EM CORDEL

o cuscuz
dança na língua
o gosto africano
da saga nordestina
um jeito do povo
cerzido no tempo
nas dobras da vida
nas fervuras do vento
o cuscuz é quase bandeira
tremulando a língua da gente
7

Praça em fronteira posta

a praça
fronteira do povo
vaga militante
é página do novo
valsa da matéria
em seus arroubos
de construir filigranas
das faces do futuro
ao homem resta vagar
as ondas do seu curso
6

Volitiva jornada

pública razão
dou-me ao compasso
de estar coletivo
mesmo privado
ruas de mim
são descampados
trânsito do outro
em que me ajo
a matéria que me pulsa
é a vontade de terça-la
18

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.