Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a saudade
é futuro amordaçado
sua vigência é tempo
das grades da alma
o poema é só um grito
na cela das palavras
o poeta é detento
dos verbos que exala
arma semântica
intenso decreto
das anistias da alma
a saudade é concreta
com nesgas em toda parte
nas andanças do povo
no ventre das praças
a vida caminha torta
em paralelas exatas
como se fora um curso
das dores que relata
pulsando todos desejos
como bandeira larga
os dias em que habita
como grave passeata
desenha essa ilusão
de que se veste a prática
de entornar o povo
no ombro grave da pátria
como forma de gritar
todas as suas lágrimas
os passos assim lançados
desaguam no comício
ancorados pela praça
o povo colhe o indício
de que entre seus braços
a história é um infinito
o poder de transita-lo
é gerência de seu riso
nessa larga paisagem
Nicodemus deu-se à deriva
como um grito humano
posto nas avenidas
fugindo do ventre da mãe
abraçado com a vida
assim como palavras
das ordens em que milita
nascido em comício
eco da fala humana
Nicodemus deu-se ao tempo
como intensa chama
de quem já no início
assumia seu drama
de tornar-se frontspício
teatro de sua chama
correu assim a infância
como uma estrada pulsante
de todas as regras ditas
nas indagações humanas
da infantil construção
de sua militância
eis que a visão do sonho
era só uma instância
que escorria da vida
com certa perseverança
sonhou nessa vertente
os desejos de menino
forjou batalhas de risos
chorou as dores sentidas
assim quando a emoção
transbordando seu rito
confunde o mar dos olhos
com as brechas do riso
assim caminhou solene
na continência dessa dívida
de como soldado civil
em militar investida
construir-se do novo
na escola da vida
o sonho
sobrava nas manhãs
boiando nos olhos
um tempo fictício
de quem teimava
as coisas do infinito
a vida
posta em desalinho
era mais um sonho
nos olhos do menino
teimosia da matéria
em deixar-se em seu caminho
na Estação Aeroport
Moscou pulsava
todos os metrôs
das ferrovias da alma
a face do futuro
era estrada tanta
que o jovem o caminhava
como lembrança
a neve gelando o tempo
no colo manso da tarde
era só um abraço
da soviética saudade
o quanto da mulher
era tão infinito
que jogava eternidades
nos segundos do riso
prorrogava as manhãs
como eterna liberdade
de quem manuseia o tempo
como dona das tardes
hoje inadimplente
dos infinitos que pude
dou-me escravo das horas
que a saudade me pune
o porvir
há de pôr-se atento
em deixar construir-se
como oficina do tempo
ferramenta humana
dê-se a matéria ao rito
de consumir na luta
os gestos do infinito
a construção do futuro
deixa rastros em tudo
coletivo
dou-me às tribos
como indígena militante
do infinito
a razão de sê-lo
entorna a liberdade
como fração dos atos
da humana vontade
a condição inata
discurso da história
dá-me como matéria
nos ombros da memória
o baobá
como arquivo
guarda os trejeitos
do infinito
leva nos ombros
léguas de memória
armadura vegetal
embutida na história
inunda energias
de todas as áfricas
na pulsante alegria
nos continentes da alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.