Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a crise
posta em tudo
é só um grito
mudo do futuro
o tempo
veio transitório
dá-se ao humano
pela história
as léguas de si
aguçam a demora
tratativas impulsivas
da memória
o quanto da mulher
era tão infinito
que jogava eternidades
nos segundos do riso
prorrogava as manhãs
como eterna liberdade
de quem manuseia o tempo
como dona das tardes
hoje inadimplente
dos infinitos que pude
dou-me escravo das horas
que a saudade me pune
guerrilheiro de si
dê-se à oitiva
de todos os sentidos
postos na vida
cometa o tempo
como íntima arma
de arquivar o povo
no vão da alma
invente a manhã
quando tarde
madrugue as razões
da liberdade
do outro ter-se-á a lógica
de inventar-se em mim
como se fosse própria
toda a ilação humana
de quem se constrói
por dentro da história
e há de ter-se assim
humanamente conjugado
como se gente fosse então
uma espécie de gado
que rumina verbos e futuros
em todos os cercados
e fosse a própria identidade
do que lhe era o todo
por ser só de si o contrassenso
de parecer tão pouco
quando não existe o espelho
para refletir o outro
é que a vida se constrói
quase sempre aos poucos
e há um futuro reservado
nos desvãos dos outros
que teimam em ser passado
do que em nós é futuro e porto
o desejo
veio urgente
posta a emoção
nas minas do que sente
trava a demora
na humana senda
esculpindo a vontade
em sua agenda
o desejo é corcel
desabalado
galopando a memória
das raias do passado
nas costas do mundo
cada um será todos
no tempo construído
no humano alvoroço
a contradição
em dialética mostra
dar-se-a como ação
da matéria em suas portas
tudo que será do homem
coletiva propriedade
será apenas a escritura
da humana liberdade
o tempo do pensar
vagando à deriva
deixa-se à mercê
das brechas da vida
sua matemática
quântico flagrante
adormece a razão
nos números que esconde
o tempo do pensar
quando flutuante
inventa todos os portos
a seus navegantes
a dança
dispensa o salão
nas ruas dos passos
dos pés no chão
a história
já valsa a vida
como dança humana
recorrente e infinita
o homem
no frevo do mundo
já dança o tempo
abraçado em seus pulos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.