Lista de Poemas

Plural estada

estou em mim
quando me perco
o outro é o fim
do meu começo
minha garra
é o exato indício
da urdidura de todos
quando coletivos
puxar-me do tanto
dado ao único
é só um trejeito
da matéria no mundo
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Pseudo soneto da verdade

assim que esteja composta
no escaninho do tempo
a verdade esteja posta
nas brechas do pensamento
solta assim em si mesma
à procura de escafandro
a matéria sinta-se presa
ao que a tem de humano
e forje os imensos recados
trançados todos os dias
no labirinto dos passos
na balbúrdia das medidas
que a matéria se encomenda
na trajetória infante da vida
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Os (g)ritos de gente

o tempo não para
em sua insistência
de criar pelo homem
o vão do poema
os verbos transitam
no pensamento
atiçando no poeta
tudo que sente
e essa mania
que a vida inventa
de despejar pelos olhos
a consciência
9

Dos rumos em trânsito

no raso de mim

exato precipício

resvalo do tempo

exíguo infinito

tudo que me tange

é deixar-me coletivo

alinhavado no mundo

nas lutas que consigo

as que trago no peito

as que nas ruas milito

5

Das materiais instâncias

 

insisto

curvas de mim

existo

retas que me curvam

transito

móvel humano

irrestrito

amores e matéria

em que me admito

a vida confabula o mundo

em todos seus indícios

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Da fruição do sonho

varanda dos olhos
quanto paisagem
sonhos posam desejos
incontinência da vontade
tudo que desenham
quando em atos
do escaninho da mente
caem nos braços
trazê-los à solta
nas ruas do mundo
é fazê-los habitantes
dos becos de todos
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Reminiscência VII

 

o rio

em sua andança

tangia a paisagem

e a infância

o menino

já dado à velhice

acorrentava o tempo

na correnteza

sonhando o futuro

envelhecendo as certezas

o rio, inocente,

molhava o sonho

como presente

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Futuro em memória

lembrar do futuro
grave exercício
consciência posta
no rastro do infinito
balança a lembrança
da vontade presumida
viés do concreto
etérea comitiva
dos desvãos da matéria
nos alinhavos da vida
o futuro é só um abraço
dos horizontes que precisa
7

Andança fática

 

a história

discurso de tudo

armazena o tempo

nas veias do mundo

a matéria avulsa

derramada nos fatos

desenha futuros

em seus contratos

ao homem resta trafegar

as ruas de seu rastros

5

Do poema em vida

 

o poema gravita

entre o verbo

e a vida

tudo que o tem palavra

respira

o coração do poeta

em contradita

joga-se estrofe

em gramática lida

tudo que lhe conjuga

é o verbo em que acredita

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.