Lista de Poemas

Do ser em curso

 

o infinito

meu labirinto

é estar convicto

do que sinto

espaço que traço

no tempo que admito

deixá-lo inteiro curso

dos atos da vontade

é fazê-lo coletivo

em cada liberdade

o infinito é só o palco

daquilo que nos caiba

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Inventos íntimos

 

invento o tempo

as lonjuras do ser

habitam o pensamento

mania da matéria

de ver-se por dentro

nos tratos intimistas

do sentimento

a matéria é um infinito

com ares de pequeno

28

Da saudade em líquida pose

 

a saudade

é inteiro armistício

essa vontade íntima

de guardar o infinito

trazê-lo abraçado

no largo dos sentidos

a saudade

rio caudaloso

nasce na lembrança

e deságua nos olhos

como fora um mar imenso

que o tempo trouxe

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Olinda fervente

 

Olinda

com o povo nos braços

ferve o frevo da vida

no redemoinho dos passos

os bemóis que entoam

no regaço da avenida

é como se fosse um sonho

tangendo o rumo da vida

a procissão fervente

no peito da madrugada

é como se fosse um rio

lavando o eito da alma

5

Do tanto sertão

 

o cacto

furava o tempo

atiçando o sertão

no pensamento

o sol

cúmplice confesso

assava a manhã

como protesto

o homem

viajante dos sentidos

boiava no sertão

seus infinitos

os pedaços da matéria

que abraça consigo

6

Do poema no poeta

 

o poema é atalho

rastro do poeta

nas costas do mundo

mania de palavrear-se

nos verbos de tudo

assim como eco

dos solavancos da vida

o poema reza a matéria

como ciranda lírica

dançando o sentimento

das valsas que consiga

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Raias do trajeto humano

 

ajo em mim

como intruso

empuxo à vida

ao largo do mundo

dar-me humano

gesto da matéria

projeto onírico

minha jornada

jeito de laçar o tempo

no espaço que me cabe

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Madrugada in pectoris

 

a jangada

brincava de horizonte

penteando o mar

agarrada nas ondas

o sol

debruçado no tempo

desenhava a madrugada

tangida pelo vento

o poema

também insone

jogava no poeta

as velas de seu horizonte

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Reminiscência VIII

 

a cachoeira

chorava a terra

desenhando lágrimas

pelas pedras

o menino

chorando o riso

debruçava em si

o infinito

o rio

em pura displicência

abraçava o menino

no colo da corrente

8

Ode a Mercedes Sosa

 

La Negra

tinha na garganta

todos os tons

da latina trança

laço da revolta

nos passos da dança

compassos do baile

do povo em sua andança

La Negra, navegante,

ainda pulsa,

no peito da América,

os acordes da luta

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.