Lista de Poemas

Tortura em processual vista

clara
a mente
cala e sente
dor e sangue
impunemente
a história
lavra o crime
sementes humanas
futuro in limine
habeas corpus da matéria
em todos seus limites
grito do tempo
a que se permite
11

Da humana sina

campo de si
comícios da vida
no trâmite das horas
o homem exercita
um jeito de matéria
em sistêmica lida
tudo que lhe tem humano
é a urgência coletiva
de entender-se povo
nas guerrilhas da vida
6

Manhã nascente

a fratura do tempo
que o sol instala
alisando a face do céu
parindo a aurora
enche de tanto a vida
que afoga os olhos
o horizonte apenas sorri
as réguas das horas
esperando o curso humano
da matéria pela história
8

Visuais tendências

os olhos são ruas
passeios da vida
luz da sombra
vias e veias
de quem sonha
joga-los em si
é manobra
de ajeitar a vontade
pelas horas
teimando paisagens
no meio da história
5

Brechas virtuais

os buracos da alma
talvez não digam
os metros de saudade
que caibam na vida
construção etérea
virtual medida
tudo da matéria
permanece vivo
inclusive os infinitos
que leva consigo
13

Dos focos e caminhos

a penumbra
nas luzes que consente
esconde as sombras
nas varandas da gente
trazê-las nos braços
focos recorrentes
é transitar a matéria
em veio consequente
rua que traz o mundo
nos caminhos que invente
20

Vivente rapsódia

a vida
espasmo da matéria
debate-se fervente
nos saltos que engendra
consciência de si
delata-se humana
como jeito de sentir
os futuros que trama
o poeta
em vivo exercício
é só um triz
da imensa chama
27

Onírica vidência

o sonho
imã tangente
abraça a matéria
como evidência
tudo que lhe entorna
no vão do tempo
é a grave liberdade
de dar-se consciente
nenhum infinito descabe
naquilo que se sente
7

Memória I

no meio da noite
da vida, dos tragos
meu pai declamava enorme
poemas, livros e falas
a memória
faiscava
todos os raios
das palavras
o menino
engolia os versos
que ainda hoje
vigem em sua fala
17

Escambo vital

vida e sonho
escambo volitivo
permeia a fratura
da consciência consigo
espelho virtual
lúdico infinito
o sonho enfeita
os ares dos sentidos
navegante do tempo
infindos limites
os desejos manipulam
os relógios da vida
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.