Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o jabuti
em mansa fala
soletra nos passos
toda sua calma
dá-se à tarefa
de suas medidas
em pausar as estradas
encolhendo o infinito
guardando-se no próprio corpo
no ato de deixar-se contrito
Adroaldo entende o alvoroço
como grave desperdício
quando multidão
dê-se a tanto
construindo o rito
do viver humano
a matéria
dá-se a quanto
por saber-se grávida
em cada canto
cada um, em tudo
é a possibilidade coletiva
do futuro
a Ladeira do Maribondo
era um Everest íntimo
jogado no nordeste
e nos olhos do menino
subi-la era exercício
de dize-la incauta
em duvidar da sanha
do sonho astronauta
a ladeira, reticente,
na lama que guardava
deixava-se barreira
dos esportes da alma
minhas paralelas
de tão tangentes
misturam no peito
tudo que sentem:
a dor do mundo,
suas ausências.
a condição militante
flagrante sentimento
constrói as geometrias
das fronteiras do tempo
todo espaço da alma
é um grito recorrente
meus olhos
sobram na noite
como naves urgentes
em busca do sonho
como um archote
no vão do sono
lampeja a vontade
na onírica fonte
abraçado à manhã
o sonho ainda vaga
como fora horizonte
dos mares da alma
a liberdade
nunca será tanta
senão num tempo
que não seja necessária
a esperança
o presente de si
seja futuro tanto
como um passado vivido
em vindoura trama
a vida será só um terçar
da humana dança
a lágrima do povo
molha a história
como rio do mundo
mar da memória
inunda o tempo
como lavratura
das certidões da vida
nos traços da luta
o riso do povo
é a contradição
das antíteses humanas
da revolução
a dança
dispensa o salão
nas ruas dos passos
dos pés no chão
a história
já valsa a vida
como dança humana
recorrente e infinita
o homem
no frevo do mundo
já dança o tempo
abraçado em seus pulos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.