Lista de Poemas

Natal vivência

ao nascer
das curvas do infinito
há o gesto da matéria
de estar comigo
vaga itinerante
da coletiva praia
dou-me ao aconchego
de todas as jangadas
viver em mim
navegar a matéria
é jeito brincante
de inventar caravelas
5

Das construções do destino

o destino é atalho
construído avulso
na rua da vontade
instância do futuro
o destino é laço
dado na vida
em todas as cordas
que se consiga
vive-lo mandamento
é dá-lo artifício
das curvas da razão
em seu ofício
13

Vivência em largo eu

largado humano
no meio do infinito
dou-me à emoção
de estar comigo
naco material
da cósmica lida
firmo a insistência
em decretar-me subversivo
brinco sempre de mim
nos tempos que convivo
5

do sonho em pássaro passo

o sonho
vida e avesso
avoca-se limite
algibeira do desejo
bólide humano
em onírica teia
acelera a vida
em todas as veias
pássaro vital
da-se ao enredo
de inventar o real
em todos seus gorjeios
9

Infante voo

da janela da nave
a terra balançava
cócegas dos olhos
na barriga da alma
o menino
ainda assim viajante
aterrizava seu medo
nas brechas do sonho
tudo que era viagem
movimento dos ares
vigia como brinquedo
nas asas de seus olhares
7

Vindoura saga

o futuro é lavra
artimanha do tempo
nos seus passos
como se fora um presente
embrulhado no passado
terça-lo avulso
como lúdica jornada
é trânsito intenso
das ruas da alma
é assim como um desejo
escondido na vontade
6

Da laia do impossível

o impossível
incauto laço
avulsa a matéria
no tempo-espaço
dá-lo transeunte
vau da consciência
monta os descompassos
na ritual avença
imbróglios da vida
são atos reticentes
matéria jogada
no peito dos viventes
9

Batalhas internas

combate da vida
largo confronto
nunca venço a mim
nos desencontros
nas guerras internas
não concorro
jogo o tempo no peito
e a vontade no sonho
10

Aurora em fastio

na varanda
arquivo a paisagem
invenção dos olhos
em que viajo
o sol, acordando,
ensaio do dia,
tange a aurora
em suas vias
o mundo ainda dói no tempo
as cicatrizes da vida
6

Memórias I

sem rédeas
montado em pelo
o menino cavalgava
todo seu medo
vaqueiro infante
consumia a lida
de jogar o corpo
de encontro à vida
corria o campo
solto no tempo
comandante de si
abraçado ao vento
a vida era só um jeito
de aboiar a vida no peito

12

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.