Lista de Poemas

Verbos em lida

máquina da fala
a garganta lavra
a luta da vida
no colo da palavra
lúdica e gramática
não dá-se a regras
tirante as do peito
viajantes do verbo
a norma culta
é só um jeito
de enfeitar a luta
6

Mecânico verso

o poeta
mecânico do verbo
oficina a palavra
no eixo do verso
vivência do tempo
sonhos que lavra
arruma ferramentas
na sala da alma
o poeta apenas oficina
o veículo da fala
7

Provecta juventude

as rugas da alma
são só escaramuças
um tempo que dá na vida
como mera desculpa
desfastio da esperança
no vão da luta
as rugas da vida
caminham intactas
contramão da vontade
nas ruas da alma
as rugas da alma
passeiam vencidas
no vão de todos
nas ruas da vida
6

Cognitiva senda I

a razão
não é descuido
que a matéria dá a si
para sentir o futuro
antes
é instrumento
em dar-se conhecida
como humano invento
habitar essa condição
nos alvoroços da vida
é ter-se como passo
dessa estrada coletiva
67

Ato público

comício de mim
qual plataforma
jogo nos sentidos
palavras de ordem
as que me rebelam
as que me conformam
da-las aos atos
no humano rito
é só o costume
de viver no infinito
6

Dos rumos

nos degraus da vida
passos da saudade
viver sem mim
é como tardo
nos risos que choro
nos versos que largo
as manhãs de hoje
amanhecem avaras
ruminando o futuro
em todas suas vagas
7

Jornada II

nada será tanto
nessa comitiva
passeata do povo
no chão do dia
a história caminha
sua trilha
nos trilhos exatos
dos trens da vida
tratativas do tempo
que a matéria realiza

58

Saudade I

o adeus escorreu
na manga da camisa
como fora um vento
arrastando a vida
a manhã
brandindo o tempo
assustou a razão
no pensamento
o amor transcorre infinito
perdido em sua recorrência

11

Frevo em passo fervente

o passo do siri boceta
é um frevo diferente
os pés escrevem na terra
e deixam um pouco da gente
é assim como uma guerra
que tivesse a paz na frente
ferve a vontade de voar
nas asas da nossa vida
dançando sempre abraçados
com as curvas do infinito
9

O caminhar da vida

a vida pulsante
trânsito da luta
lateja o sistema
no rojão das ruas
travas do tempo
varanda da fome
a vontade regurgita
nos braços do homem
as ondas do futuro
ressoam lentas
no dorso das horas
que a matéria inventa
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.