Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o violão
mudo e esquecido
guarda dos olhos
memórias e motivos
quando salta
degraus da memória
deixa-se compêndio
de infinitas horas
medo de pulsa-lo
deixar sua marca
soltar pelos olhos
as cordas da alma
a pedra
como um arquivo
guarda o panfleto
do humano grito
a pedra
atiça a memória
discursando a vida
nos leirões da história
a pedra
sabe a relógio
nessa mania intensa
de guardar as horas
no engenho moendo
amoitado na alegria
o menino sonhava
nos ombros do dia
o mel boiando
no tacho escuro
era um decreto doce
nas mágoas do mundo
a vida era tão exata
que o menino esquecia
das humanas faltas
a fome da vida
era só uma estrada
transeunte da vida
navegando a alma
o jovem varava o Recife
pisando a madrugada
o eco do partido
nos dias consumidos
jogava o futuro
pelos sentidos
a tempo
acordando a cidade
jogava a madrugada
numa certa liberdade
a saudade dói
um futuro renitente
teimosia em ser passado
mesmo presente
é como fosse um desejo
que enganasse o tempo
do que ri
a saudade consente
um sonho perdulário
mesmo ausente
a água
na ciranda do rio
dança a natureza
como um trilho
corrente, dá-se ao tempo
misturando as horas
no abraço dos ventos
o homem, rio de si,
escorre a vida
como fora corrente
em margens consentidas
todas suas cheias
dependem de investidas
do quanto amor
talvez se saiba
os infinitos da saudade
postos na alma
a vida contrita
é só exercício
da metade de si
que ainda habita
da-la ao mundo
é só um rito
fazê-la transeunte
da luta coletiva
a praça
é só uma dança
onde o povo espalha
a esperança
a palavra
é o indício
onde a paz guerreia
seu comício
a matéria
apenas instaura
os futuros que pode
em sua saga
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.