Lista de Poemas

Africana dança

o povo no candomblé
passeia a África
na dança lúdica
de todas as praças
os tambores pulsam
a energia da terra
como uma paz imensa
com ares de guerra
os homens transitam
os orixás e ânsias
no largo inventar
em que se alcançam
32

Das raias da vida

nas raias da vida
o universo declara
nas costas do tempo
as maratonas da alma
contingências
insistência dos braços
avanço coletivo
da matéria nos fatos
corrida da vontade
posta no desejo
abraçada multidão
tangendo o medo
14

Vaga circense

no circo
os olhos embalam
todos os trapézios
soltos na alma
no picadeiro
palhaços em trânsito
inventam na boca
um riso inadimplente
no circo subjetivo
em lúdica oficina
a platéia manipula
os malabares da vida
7

Verbais transcursos

minha órbita
dá-se a lógica
de circundar o sol
em verso e prosa
astronauta de mim
dou-me ao espaço
nas naves verbais
em que me largo
vadear amiúde o infinito
é tudo do verbo que me basta
8

Das sobras do tempo


o poema é sotaque
que o poeta inventa
nos verbos em que cabe

sobra das palavras
como um desperdício
nas aladas tentativas
de dizer o infinito
o poema é só um voo
que o poeta faz consigo
19

Inifinita dúvida

O infinito
é um grave ritmo
da dúvida
desata-lo em atos
assim sentido
é a luta
a matéria
é a certeza corrente
de seu uso
ao homem resta
vive-lo farto
assim avulso
10

Insônias verbais

o poema
dá-se à fala
arruaça verbal
solta na praça
tudo do verbo
em sua trama
tenta bordar
o sonho ou a sanha
amanhecido
vagando a insônia
o poeta dorme contrito
os verbos que sonha
9

Memórias

na Rua Humaitá
o riso criançava
os pulos da vida
as brechas da alma
o tempo
era só recurso
de montar a alegria
nos ombros do futuro
a vontade
quase infanticida
despejava a velhice
pelas retinas
11

Das margens humanas

o medo é só isca
da coragem
no vão da vida
trâmite do ego
contrapartida
no consumir-se coletivo
nas privadas lidas
a coragem é só o ato
de furtar-se com todos
aos anzóis do fato
11

Coco de roda

a batida do pé
é quase romance
escrito na alma
das Áfricas que tange
como fosse um perto
que pisasse longe
o coco roda na terra
semeando a história
ancestrais batucando
nos tambores da memória
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.