Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
É que a vida
posta na avenida
antes de ser minha
é sempre coletiva
as larguras do eu
medem exatamente
onde se souber nos outros
tão completamente
que trazê-los no coração
seja um jeito da gente.
É assim como uma procissão
de tudo que se sente.
A Nana Vasconcelos
O tambor
talvez não diga
tudo que inventou
nos desvãos da vida
mas na sua sina
de tocar o mundo
resta-lhe a certeza
de se ter em tudo
o tambor
impunemente
é um coração itinerante
nos passos da gente
a utopia
mais dias, menos dias,
é só o bordado da história
que o povo construia
é que a luta, por complexa,
dá-se por estranha,
às vezes incompleta
quando o destino dos homens
larga-se numa paz grávida da guerra
a ânsia do futuro
sempre se apresta
a bordar pelo mundo
muitos et ceteras.
Na pandemia
o tempo esquece
de ajeitar um espaço
em que vivesse
e larga-se no peito
como uma preguiça
subindo todas as letras
da notícia
o mundo carece de tempo
para dar-se à vista
como tecer
o jogral da vida
se as palavras doem
pelas avenidas
na coxia do mundo
o povo habita
o curso do futuro
ainda à deriva
o tempo virá
como grave dívida
cobrar as manhãs
ainda escondidas
por mais viver
não vingue o dia
em espalhar a noite
pelas entrelinhas
é que o discurso
é só uma forma
de enquadrar o fato
em cada norma
viver é cavalgar o tempo
com as rédeas da lógica
e a certeza guerrilheira
das revoltas
há indícios,
a vida,
antes de privada,
vige coletiva
cicatriz memorial
do que se viva
a matéria
interna comentos
como um vendaval
no pensamento
tudo que é viver
unifica o tempo
E quando o pião rodava
no ombro largo do chão
a alma da gente sorria
com a ponteira na mão
como se fosse a bandeira
da nossa rebelião
é que assim consentida
a disputa é quase um enredo
de inventar concorrência
como se fosse brinquedo
é que criança guerreia
com a paz dentro do peito.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.