Lista de Poemas

Dimensões

 

eis o veredito:

tudo mesmo pouco

é trejeito do infinito

basta cabe-lo tanto

no meio dos sentidos

a emoção

é matéria quanta

transitando informe

suas andanças

as que dizem dos átomos

as que dizem dos homens

5

Reminiscência XVII

 

o sonho do menino

também é sanha

de manejar a vida

na infância

a felicidade menina

era um jogo

no tabuleiro íntimo

do corpo

o futuro

em cada plano

era só um tempo

contemporâneo

17

Reminiscência XVIII

 

na sala

intensamente reunidos

os adultos operavam

os rumos do partido

o menino, sem saber,

ouvindo as falas

jogava a revolução

no chão da alma

era como se um destino

voasse ao som das palavras

8

Veias urbanas

 

a rua

veia urbana

tramita o povo

como instância

matéria itinerante

da vida humana

a praça

coração em disputa

é só o pulsar

do povo em luta

largo redemoinho

da busca do futuro

7

Onírica logística

 

no trâmite da vida

dê-se a logística

de remoer os sonhos,

suas premissas

as que venham da vontade

as que já militam

doa o tempo da ânsia

no estar compreendido

entre a intimidade do fato

e as nuances do infinito

9

Dançarina vigência

 

o tempo

navega tudo

instância pulsante

do futuro

o espaço

abraça-se no mundo

universo contratual

das infinitudes

o homem

dançarino da vida

bebe o espaço-tempo

nos passos que decida

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Reminiscência XV

 

a madrugada

era um tempo avaro

roubava do menino

o sonho em que estava

a vida espreguiçava

o menino espalhando

uns pedaços de sonho

debaixo da cama

a madrugada

sorria um sol encabulado

o menino abraçava o dia

com o sonho estrangulado

5

Poemas em íntima dosimetria

 

meus poemas

nem sabem

o quanto de mim

sempre lhes cabem

escrevê-los

é quase surto

dos alinhavos da vida

em que me fujo

e nas madrugadas

retórico subterfúgio

alinhamentos de sonhos

em valores de uso

salpicando de verbos

pedaços do futuro

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Do amor pulsante

 

amor de poeta

nunca acaba

nos galopes da vida

escanchado na alma

corre os labirintos

que a saudade instala

como fora um rodeio

que o tempo não para

todas as raias da vida

dão-se às cavalgadas

as que o infinito guardou

as que a alma ainda lavra

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Reminiscência XVI

 

no pensamento

a infância deitava

todas as vias

no armário da alma

o poema decorado

dito mansamente

jogava o menino

em sua consciência

todas as letras pulsavam

a inocente alegria

de quem achava que recita-lo

era a velhice que podia

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.