Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Na pandemia
viajo em mim impunemente
como um trem carregado
de passados e presentes
cada estação
é um grito absurdo
dos passados e presentes
que alinhavam o futuro
ao tempo resta a razão
de inventar seu discurso
é que nos ombros da flor
por trás do seu colorido
navegam os sentimentos
na jangada dos sentidos
é como um feitiço do olho
que teima em ser abrigo
das tempestades da cor
explodindo seus sorrisos
como se à vida não bastasse
sua condição de ser riso
quando a natureza gargalha
a aventura de ser vista.
a alma
é só um disfarce
que o cérebro joga
no algoritmo da face
tudo que transborda
pelo vão da vontade
é um jeito peregrino
de navegar a liberdade
todas as razões da alma
habitam os verbos da carne.
ao amor
dê-se a vazão
das cachoeiras que inventam
o coração
e dê-se como mar
nas ondas em que se cometa
como se fora um barco
navegando impune sua gesta.
o amor é sempre ávido
em tudo a que se presta.
Das léguas de mim
sei os passos
e a estranha sensação
de que me faço
das léguas todas de todos
em que me abraço.
meus metros
adredemente
são caminhos de todos
os que se consentem .
o povo ausculta
nos ombros da praça
o ruído da luta
comício de tudo
o verbo disputa
as razões urgentes
de todas as culpas
e nos olhos do povo
envolto na palavra
o futuro toma o jeito
de quem lhe abraça
A latina américa
ainda assim inconstruída
pesa todas as pátrias
na pátria intensa da vida
o futuro sonha pela tarde
suas ruas mais urgentes
o gosto radical da liberdade
que alinhava o peito dessa gente
e nos gestos da história
semeados em suas curvas
o povo abraça a vitória
nos ombros da sua luta.
O palhaço
chora no riso
seu abraço
e ri seu pranto
no aplauso
tudo que lhe move
é seu contrato
e uma leve possibilidade
do acaso
Aos Camaradas Manoel Lisboa de Moura e Selma Bandeira
o partido inventa o tempo
como uma usina de luta
e camaradas serão todos
no futuro exato dessas ruas
o partido ecoa nos muros
como uma frase explosiva
e tange o coração do povo
nos ombros largos da avenida
o grito urgente do discurso,
no seu jeito singular diz-se tão vário
que ressoa no peito como certeza
um Partido Comunista Revolucionário
enfim, dê-se-lhe a vazão
de parecer-se na luta
uma fornalha grávida da revolução.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.