Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o poema, na verdade,
é só um jeito da saudade
coisa de montar palavras
nas veias da liberdade
trancafiadas no poeta
nas prisões da vontade
o poema é um infinito estreito
tudo que se crê infindo
o poeta tranca no seu medo
o baobá
assume a tática
de postar-se bastão
de todas as áfricas
ao dar-se ao tempo
como espada
carrega no gume
suas empreitadas
as nuances de seu povo
as energias inatas
as que afagam a consciência
as que desenham a alma
o baobá discursa
sem nenhuma palavra
o poema
como uma garça
tenta a razão
de suas asas
voa palavras
no vão da alma
golondrinas sutis
de sua fala
o poeta
em voo rasante
dá-se à ilusão
impunemente
ainda a palavra
assim indefinida
trafegava o poeta
como armadilha
lapsos do poema
nessa guerrilha
nas montanhas do verbo
nas planícies da vida
o poeta
ainda à deriva
tenta abraçar o tempo
das letras que decida
o poema
em carne viva
pulsa a palavra
artéria da vida
músculo semântico
dá-se à retórica
de abraçar o verbo
em sua lógica
o poeta
simples vivente
dá-se à retórica
do que sente
o poema é um desate
dos nós do poeta
na corda das palavras
é assim um garimpo
nas minas da alma
a bamburra do sonho
os comícios da verdade
o verbo trança o mundo
o poeta apenas arde
as fogueiras de si
nas brasas em que cabe
a vida
não é do palco
a coxia do mundo
é o passo
cada um
tramite o tempo
de compor os atos
no pensamento
o palco será o curso
grande alvoroço
cena do futuro
quando for de todos
o poema
é lúdica faca
corta o verso
finge a palavra
engana o poeta
retalha a alma
nos pedaços de si
em que se cala
publicado na carne
pulsar de sua lavra
o poema é só editor
dos comícios da alma
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.