Lista de Poemas

Vindoura estrada

 

ser vindouro

trazer-se em tudo

traço militante

nesga do futuro

deixar-se transitar

nos tempos do mundo

a vida

caminha o corpo

como fábrica larga

dos atos construídos

no vão da alma

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Do eu lírico em rasante

 

o eu lírico emboscado

é só um grave trajeto

entre os confins da alma

e as filigranas do universo

dize-lo magnânimo

na avareza do verso

é só a contradição

de todo manifesto

laivos sonhantes da matéria

na construção de sua dialética

5

Saudade II

 

a saudade dói

um futuro renitente

teimosia em ser passado

mesmo presente

é como fosse um desejo

que enganasse o tempo
 

do que ri

a saudade consente

um sonho perdulário

mesmo ausente

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Da renitência da vida I

 

a vida

não é só um descuido

que a matéria dá a si

plantando o futuro

o jogar-se plena

nessa insistência

projeta sua estadia

na consciência

construir-se tanta

nos ombros do mundo

é decreto raciocinado

dos infinitos de tudo

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Reminiscência XXII

 

do sol militante

a manhã deu-se ao tempo

chorando as nuvens que tinha

no colo de seus ventos

como fosse uma tristeza

construída de repente

o menino olhando a chuva

deu-se a molhar os sentidos

namorando a paisagem

abraçado ao infinito

5

Do pensar flotante

 

o tempo do pensar

vagando à deriva

deixa-se à mercê

das brechas da vida

sua matemática

quântico flagrante

adormece a razão

nos números que esconde

o tempo do pensar

quando flutuante

inventa todos os portos

a seus navegantes

5

Reminiscência XXI

 

no engenho moendo

amoitado na alegria

o menino sonhava

nos ombros do dia

o mel boiando

no tacho escuro

era um decreto doce

nas mágoas do mundo

a vida era tão exata

que o menino esquecia

das humanas faltas

a fome da vida

era só uma estrada

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Ode à Pedra do Ingá

 

a pedra

como um arquivo

guarda o panfleto

do humano grito

a pedra

atiça a memória

discursando a vida

nos leirões da história

a pedra

sabe a relógio

nessa mania intensa

de guardar as horas

6

Sinfônica lida

 

as claves do tempo

emparelham as notas

que a vida soletra

no vão da história

o solo dos desejos

entoando semifusas

acorda os surdos

nos desvãos da luta

a sinfonia permanece

entre os movimentos da vida

o pensamento como luthier

o corpo como oficina

5

Das magnitudes do amor faltante

 

do quanto amor

talvez se saiba

os infinitos da saudade

postos na alma

a vida contrita

é só exercício

da metade de si

que ainda habita

da-la ao mundo

é só um rito

fazê-la transeunte

da luta coletiva

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.