Lista de Poemas

Reminiscência XXIV

 

na pressa dos pés

em tarefa posta

o jovem caminhava

com o país nas costas

o peso do orgulho

era tanto

que a vida voava

como pássaro em dança

na volta

flutuava o mundo

e um riso camarada

bordava o futuro

6

Da ansiosa demarche

 

a crise

posta em tudo

é só um grito

mudo do futuro

o tempo

veio transitório

dá-se ao humano

pela história

as léguas de si

aguçam a demora

tratativas impulsivas

da memória

25

Arquivo floral

 

o baobá

como arquivo

guarda os trejeitos

do infinito

leva nos ombros

léguas de memória

armadura vegetal

embutida na história

inunda energias

de todas as áfricas

na pulsante alegria

nos continentes da alma

7

Agrária fala

 

a enxada

lambe a terra

camponesa saga

em que se enreda

nada lhe dói

rasgar o mundo

abrindo feridas

do futuro

a enxada tem a certeza

na agrária vertente

que apenas borda a natureza

naquilo que intente

5

Geométrica vaga

 

minhas paralelas

de tão tangentes

misturam no peito

tudo que sentem:

a dor do mundo,

suas ausências.

a condição militante

flagrante sentimento

constrói as geometrias

das fronteiras do tempo

todo espaço da alma

é um grito recorrente

31

Poema em trama

 

o poema

é terapia e tratativa

no triste do tempo

no riso da vida

tem a postura

a consistência

de quem soletra

a consciência

o poema é só corrimão

das escadas que consente

10

Vital messe

 

o tempo

nunca é tarde

se a vida é grávida

do que cabe

o espaço

de dizê-la tanta

é construção das horas

em que se planta

como garra do amor

como coletiva dança

36

Teses

 

a lágrima do povo

molha a história

como rio do mundo

mar da memória

inunda o tempo

como lavratura

das certidões da vida

nos traços da luta

o riso do povo

é a contradição

das antíteses humanas

da revolução

4

buscas sonhantes

 

meus olhos

sobram na noite

como naves urgentes

em busca do sonho

como um archote

no vão do sono

lampeja a vontade

na onírica fonte

abraçado à manhã

o sonho ainda vaga

como fora horizonte

dos mares da alma

5

futuro escriturado

 

nas costas do mundo

cada um será todos

no tempo construído

no humano alvoroço

a contradição

em dialética mostra

dar-se-a como ação

da matéria em suas portas

tudo que será do homem

coletiva propriedade

será apenas a escritura

da humana liberdade

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.