Lista de Poemas

Das vazões do ser

 

a vida

nunca é rasa

quando soletra

o vão da alma

a consciência

é um rastro

que a matéria deixa

no sonho, nos braços

mistura-los no tempo

é só um espaço

a que se dá o pensamento

7

Saudade em lapsos I

 

a saudade

é futuro amordaçado

sua vigência é tempo

das grades da alma

o poema é só um grito

na cela das palavras

o poeta é detento

dos verbos que exala

arma semântica

intenso decreto

das anistias da alma

a saudade é concreta

com nesgas em toda parte

27

Reminiscência XXXI

 

a vida

nunca era tanta

que pudesse conter

a imensa dança

o menino jogava

na porta da vontade

os sonhos que metia

nas ruas da cidade

a vaga objetiva da vida

molhava de sonho a verdade

67

Reminiscência XXXII

 

inventar a vida

era só um rito

de beliscar o tempo

com o riso

o que se ria do fato

o que sentia o infinito

tudo era tanto

que até o pouco

deixava-se na vida

como alvoroço

fome do futuro

dos passos do povo

6

Reminiscência XXX

 

o açude

solto no mundo

dormia o tempo

abraçando tudo

o menino

inventando o dia

abraçava o sonho

em lúdica montaria

a balsa

porta-aviões onírico

era um pedaço da vida

navegando o infinito

13

Das vias humanas

 

as ruas

são um modo lúdico

dos passos criarem

seus futuros

asfaltadas do homem

nos pés de barro

as horas tangem o povo

em que se passam

passear os cursos da vida

humana gestão do tempo

é transitar pelos passos

as vias do pensamento

88

Toré sincopado

 

a vontade

indígena arma

joga pela vida

os torés da alma

vaga humana

em suas tabas

constrói primitiva

suas páginas

as que letram o tempo

as que guardam as lágrimas

poemas urgentes

dos arquivos da alma

33

Das falas dos caminhos

 

tudo em todos

como um grito

discursa humano

um rastro coletivo

passeata de eus

em nós escondida
 

trazê-lo pegadas

de real exercício

derrama-las pela estrada

de todos os sentidos

os passos da matéria em tanto

são apenas discursos do infinito

72

Reminiscência XXXIV

 

o sonho

sobrava nas manhãs

boiando nos olhos

um tempo fictício

de quem teimava

as coisas do infinito

a vida

posta em desalinho

era mais um sonho

nos olhos do menino

teimosia da matéria

em deixar-se em seu caminho

23

Das viaturas do infinito

 

de tanto estar no tempo

agora dou-me ao espaço

de tramitar pelas horas

os infinitos que guardo

os ávidos da lembrança

aqueles em que ainda caibo
 

o viver dessas distâncias

nos palmos dos sentidos

soletram as léguas do mundo

nos alfabetos da vida

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.