Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a alma
é só um disfarce
que o cérebro joga
no algoritmo da face
tudo que transborda
pelo vão da vontade
é um jeito peregrino
de navegar a liberdade
todas as razões da alma
habitam os verbos da carne.
na garupa do sonho
sitiado pela vida
o homem adormece
todas as feridas
nada do que lhe é bastante
o é em tal medida
que não se farte dos infinitos
que alinhava em sua lida
sonhar é só ordenar
os futuros que se tem em vista
O infinito
é só um salto
que o tempo teima em dar
pelo espaço
tudo que lhe tange
é passeata
e a exata compleição
do que prolata
com esse jeito de tanto
e a certeza de nada.
quando cessarem os verbos
abra o peito na avenida
e abrace o jeito do povo
entornando pela vida
navegue o sonho de todos
na simples dosimetria
de quem inventa o novo
nas costas da alegria
é que o futuro se encosta
nos alvoroços dessa lida
e fareja a igualdade
no descampado da vida
a passeata navega as ruas
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
Na pandemia
viajo em mim impunemente
como um trem carregado
de passados e presentes
cada estação
é um grito absurdo
dos passados e presentes
que alinhavam o futuro
ao tempo resta a razão
de inventar seu discurso
Tanjo meu tempo
com a certeza exata
das léguas de mim
que entorno pela alma
o percurso é só um tempo
cheio de palavras
construídas nos verbos
como arma
um discurso assim pacífico
nas guerras da luta e da calma.
Entornas-me
com teu riso
e deixo-me em ti
para estar comigo
é que o amor
é um breve infinito
tudo que lhe mede
são as léguas do que sinto.
A alma é só invólucro
daquilo em que se cabe
guardada a proporção
das pretensas liberdades
que a gente traz pelo peito
e às vezes nem sabe
e vige enquanto perdura
o gosto infante da alegria
no riso que a gente tange
pelos ombros da avenida
construindo com irmãos
as lutas todas da vida
a alma é só um detalhe
da singularidade coletiva.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.