Lista de Poemas

Vida manifesta

 

deixar-se em si

é larga tarefa

da humana senda

no curso da matéria

querê-la privada

como protesto

é desentende-la

como simples manifesto

dessa multidão infinita

em que a vida se testa

8

Eclipse

 

assim como fosse noite

a manhã deitou-se

o tempo ressonou

os minutos que pode

assim como se a matéria

no infinito que coube

pudesse guardar-se no colo

das continências do olho

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Reminiscência XXXVI

 

a baladeira

era arma avara

toda beligerância

eram as pedras atiradas

nunca fez-se fuzil

como o menino sonhava

quando dava em si

as guerrilhas da alma

7

Reminiscência XXXIX

 

o tanque

rasgando a cidade

e os olhos do povo

estrangulava a liberdade

o menino

em sua farda

divisava civil

as militares farsas

o trânsito da vida

era barricada

jogada no tempo

na veia das calçadas

16

Reminiscência XXXVII

 

a nuvem no tempo

era um grande circo

que o espaço inventava

para estar consigo

deitado nos olhos

o menino desenhava

com o pincel do sonho

os céus que habitava

a vida esquecia o mundo

voando todas suas naves

73

Transcurso

 

penso, milito,

tudo de mim

subversivo

é assim recurso

do que vivo

guerras do tempo

larguras do infinito

cada palmo da vida

sempre é guerrilha

as do passado

as que o futuro diga

27

do compasso das horas

 

o calendário

régua do tempo

é só um disfarce

do pensamento

prisão das horas

pelo sentimento

até um dia distraído

humanamente medido

que o tempo será apenas

brincadeira dos sentidos

todos os momentos

serão apenas vividos

conjuntura coletiva

dos infinitos soltos pela vida

7

Vésperas do verbo

 

o poema

é só um laço

verbos que tramitam

em seu encalço

o poeta

é encruzilhada

dos tempos de si

véspera da palavra

as falas que construa

são estrofes da alma

resgate semântico

daquilo que cala

67

Longitudes

 

o raso dos olhos

quando a saudade

deixa suas lonjuras

nos olhares

pinta o colo do tempo

no espaço da lágrima
 

a liquidez humana

nos saldos da vida

abre um crédito nos olhos

um riso suicida

molhado do passado

no futuro que lida

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Trajeto volitivo

 

a esperança

é só instância

que o futuro joga

na lembrança

o aval dos braços

é a única lança

que fere o alvo

de sua circunstância

o fato composto

quando em trânsito

comporta o homem

em sua grave dança

7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.