Lista de Poemas
REMINISCÊNCIA XLIII
a chuva
molhava a tarde
o menino, nave de si
navegava a vontade
como um jovem marinheiro
em levante da liberdade
a rua
como um rio urbano
levava o marinheiro
molhado de sonhos
REMINISCÊNCIA LXII
o camponês
na madrugada
arranhava o tempo
pela alma
no viés da vida
mansamente alinhava
as rugas do mundo
em sua enxada
de longe
laçando a paisagem
o menino amanhecia
montado na vontade
PARAHYBA
PARAHYBA
ainda furtada
espera da história
suas largas falas
as que burlaram a vida
em tragicômica saga
as que vigem no povo
nos ancestres da alma
Parahyba é bandeira
de todas as praças
Utópica chama
a utopia
nunca é tarde
é so parâmetro
da vontade
embora privada
em lúdica medida
constrói-se vária
sempre coletiva
quando construção,
em cada jusante,
a utopia é o futuro
brincando de horizonte
Verbo peregrino
o poema
dança verbal sincopada
é só uma fala do rito
dos entreveros da alma
prosa disfarçada
dá-se à compleição
de reduzir a metros
as léguas do seu chão
o poema é um resumo
que o poeta traz consigo
como se fosse um verbo
com ares de peregrino
Da canseira poemática
na mira do poema
o poeta tange o verso
martelada semântica
no vão do cérebro
as palavras
substantiva argamassa
adjetivam o tempo
em sua plástica
o poema ergue o verbo
em prumos disfarçados
à sombra do poeta
e todos seus enfados
Bemóis da vida
os bemóis da vida
talvez não sejam
os tons sentidos
em que estejam
é que o tempo
quando canta
deixa nas esquinas
suas tranças
as que deixa em si
as que joga na dança
a vida é o bemol sentido
naquilo que se canta
Das prisões do verso
o poema, na verdade,
é só um jeito da saudade
coisa de montar palavras
nas veias da liberdade
trancafiadas no poeta
nas prisões da vontade
o poema é um infinito estreito
tudo que se crê infindo
o poeta tranca no seu medo
Humana editora
o poema
é lúdica faca
corta o verso
finge a palavra
engana o poeta
retalha a alma
nos pedaços de si
em que se cala
publicado na carne
pulsar de sua lavra
o poema é só editor
dos comícios da alma
da pedra em estratégica tática
o tempo, nestas horas,
nas pedras em que se guarda
dá-se assim aos caminhos
mais como arma
esse jogar-se das mãos
em conforto da alma
na verdade
a pedra é um arquivo
em que o tempo guardado em si
é só um disfarce
em que testemunha
as léguas humanas da razão,
as larguras do espaço,
como fosse compleição
dos infinitos em que se sabe
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.