Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
do outro ter-se-á a lógica
de inventar-se em mim
como se fosse própria
toda a ilação humana
de quem se constrói
por dentro da história
e há de ter-se assim
humanamente conjugado
como se gente fosse então
uma espécie de gado
que rumina verbos e futuros
em todos os cercados
e fosse a própria identidade
do que lhe era o todo
por ser só de si o contrassenso
de parecer tão pouco
quando não existe o espelho
para refletir o outro
é que a vida se constrói
quase sempre aos poucos
e há um futuro reservado
nos desvãos dos outros
que teimam em ser passado
do que em nós é futuro e porto
solista privado
no recital da vida
dou-me ao arranjo
em partitura resumida
esse abraçar-se matéria
no concerto coletivo
tudo que me tanto seja
nas notas que declama
são apenas os acordes
da orquestra humana
a cabeça do poeta
como moenda
usina os verbos
criando cenas
as palavras
drones semânticos
assuntam a vida
em largo trânsito
o poema
já amanhecido
esquece o poeta
em seus sentidos
dê-se em mim como privada
a alheia senda do outro
essa necessidade proprietária
da matéria em alvoroço
construção libertária
de quem navega seu esforço
como um barco desses mares
em que a vida dá-se aos poucos
e por tanta resumida
nas infinitas demarches
de-se à dialética
de todos seus olhares
como a vida a transitar
como coletiva face
de todos que a integram
na material paisagem
esse pertencer perdulário
de quem se dá à verdade
de que todos sou eu
diagramado na tarde
em que a estrada da vida
percorre a liberdade
e assim dado à multitude
como grão coletivo
escreva nas atitudes
a cerimônia do rito
de quem escreve em si
a rubrica do infinito
o poema é trajeto
viela do mundo
ao cérebro
esse deixar-se humano
no vão do verbo
dado às ruas
parto manifesto
apenas expulsa
as placentas que gesta
a palavra em desobediência
ainda gestante
belisca a alma do poeta
os caminhos postos
estejam sob os passos
de quantas razões
construam os atos
a vontade
na trilha de tanto
esteja perseguida
nas curvas e planos
a construção de tudo
forja da matéria
são degraus intensos
da humana história
mães
adredemente
Inventam a vida
ao redor da gente
seus ilimites
não desandam
tudo que a razão
apenas tanja
é que suas horas
vigem tão alheias
que nem se registram
em suas veias
antes povoam um tempo
de amores irrestritos
em que declara seus
todos os infinitos.
a história
encardida
joga a memória
à deriva
assuntando a tática
de torná-la vida
o mundo, sobrando de si,
humana avença,
corrói as horas
do sistema
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.