Lista de Poemas

REMINISCÊNCIA XLIII

 

a chuva

molhava a tarde

o menino, nave de si

navegava a vontade

como um jovem marinheiro

em levante da liberdade

a rua

como um rio urbano

levava o marinheiro

molhado de sonhos

7

REMINISCÊNCIA LXII

 

o camponês

na madrugada

arranhava o tempo

pela alma

no viés da vida

mansamente alinhava

as rugas do mundo

em sua enxada

de longe

laçando a paisagem

o menino amanhecia

montado na vontade

7

PARAHYBA

 

PARAHYBA

ainda furtada

espera da história

suas largas falas

as que burlaram a vida

em tragicômica saga

as que vigem no povo

nos ancestres da alma

Parahyba é bandeira

de todas as praças

13

Utópica chama

 

a utopia

nunca é tarde

é so parâmetro

da vontade

embora privada

em lúdica medida

constrói-se vária

sempre coletiva

quando construção,

em cada jusante,

a utopia é o futuro

brincando de horizonte

7

Verbo peregrino

 

o poema

dança verbal sincopada

é só uma fala do rito

dos entreveros da alma

prosa disfarçada

dá-se à compleição

de reduzir a metros

as léguas do seu chão

o poema é um resumo

que o poeta traz consigo

como se fosse um verbo

com ares de peregrino

63

Da canseira poemática

 

na mira do poema

o poeta tange o verso

martelada semântica

no vão do cérebro

as palavras

substantiva argamassa

adjetivam o tempo

em sua plástica

o poema ergue o verbo

em prumos disfarçados

à sombra do poeta

e todos seus enfados

13

Bemóis da vida

 

os bemóis da vida

talvez não sejam

os tons sentidos

em que estejam

é que o tempo

quando canta

deixa nas esquinas

suas tranças

as que deixa em si

as que joga na dança

a vida é o bemol sentido

naquilo que se canta

7

Das prisões do verso

 

o poema, na verdade,

é só um jeito da saudade

coisa de montar palavras

nas veias da liberdade

trancafiadas no poeta

nas prisões da vontade

o poema é um infinito estreito

tudo que se crê infindo

o poeta tranca no seu medo

6

Humana editora

 

o poema

é lúdica faca

corta o verso

finge a palavra

engana o poeta

retalha a alma

nos pedaços de si

em que se cala

publicado na carne

pulsar de sua lavra

o poema é só editor

dos comícios da alma

65

da pedra em estratégica tática

 

o tempo, nestas horas,

nas pedras em que se guarda

dá-se assim aos caminhos

mais como arma

esse jogar-se das mãos

em conforto da alma

na verdade

a pedra é um arquivo

em que o tempo guardado em si

é só um disfarce

em que testemunha

as léguas humanas da razão,

as larguras do espaço,

como fosse compleição

dos infinitos em que se sabe

7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.