Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Antônio Serafim
tangia a vida
como uma passeata
silenciosa e invertida
a marcha que habitava
escondia em si a avenida
a cabeça
derreada no ombro
era só a oitiva
dos silêncios do mundo
arquivados na vida
O sonho
é um varal imenso
onde estendo os fatos
no pensamento
é como um futuro postado
nos ombros do tempo.
o céu
é sempre do povo
como a praça da revolução
e nem há tempo novo
que se invente em vão
a praça é sempre do povo
como o céu de suas mãos
o povo
é sempre da praça
nos céus nublados do não
é como se gente fosse argamassa
de construir amplidão
costurando o peito da massa
nos bordados da razão.
gente pulsando
na história e na avenida
é sempre um futuro
atravessado na vida
é que nos ombros da flor
por trás do seu colorido
navegam os sentimentos
na jangada dos sentidos
é como um feitiço do olho
que teima em ser abrigo
das tempestades da cor
explodindo seus sorrisos
como se à vida não bastasse
sua condição de ser riso
quando a natureza gargalha
a aventura de ser vista.
a alma
é só um disfarce
que o cérebro joga
no algoritmo da face
tudo que transborda
pelo vão da vontade
é um jeito peregrino
de navegar a liberdade
todas as razões da alma
habitam os verbos da carne.
É como bordar o amor
com as agulhas da calma
com a linha do coração
e os bastidores da alma
nada do que vivo
sempre morre
guardo em baús
uns futuros enormes
que chegam a fingir saudades
quando, cedo, tardo
é que lhes aturam insones
os tempos em que lhes lavro.
o povo ausculta
nos ombros da praça
o ruído da luta
comício de tudo
o verbo disputa
as razões urgentes
de todas as culpas
e nos olhos do povo
envolto na palavra
o futuro toma o jeito
de quem lhe abraça
a passeata navega as ruas
com a exata compostura
de uma nau que singra as praças
dos combates, dos verbos e da luta
cada transeunte em passo
é um descompasso consentido
das dores todas que atiça o povo
e joga os homens na avenida.
a passeata navega também as luas
que o futuro dos passos realiza.
A latina américa
ainda assim inconstruída
pesa todas as pátrias
na pátria intensa da vida
o futuro sonha pela tarde
suas ruas mais urgentes
o gosto radical da liberdade
que alinhava o peito dessa gente
e nos gestos da história
semeados em suas curvas
o povo abraça a vitória
nos ombros da sua luta.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.