Lista de Poemas

Do infinito e seus alinhamentos

 

O infinito

nem começa

nem termina

o olho só perscruta

suas esquinas.

 

O cérebro, viajante, 

é que determina

todas as ruas do mundo

e o trânsito das vias

e as repousa no dizer dos verbos

que adredemente alinha. 

8

Dos umbrais da flor em frases

 

é que nos ombros da flor

por trás do seu colorido

navegam os sentimentos

na jangada dos sentidos

é como um feitiço do olho

que teima em ser abrigo

das tempestades da cor

explodindo seus sorrisos

como se à vida não bastasse

sua condição de ser riso

quando a natureza gargalha

a aventura de ser vista.

7

Das vigências do poema e dos braços

 

O verso

assim resumido 

é só um desconforto

dos sentidos

 

é que os fatos

para dizê-los

há que dos sentidos 

construir atropelos

e inventá-los pelos braços

ante a vigência dos medos

 

o verso é material

apenas no seu enredo

construi-lo é só um desejar

de todos os desejos.

22

Dos assassinatos noturnos e dos fardos

 

Assassinado

por fuzis fardados

o homem explicita

a farda dos fardos

nada do sistema

eletrocutado

desencapa os fios

da elétrica cidade

todo o futuro

é um alarde

da construção que a revolta

em cada peito cabe

na morte daqueles

que trazem apenas como culpa

a noite no corpo e na face.

12

Dos discursos marinhos do nosso estado

 

 

Da praia tenha-se o discurso

de um mar de manso nado

que inventa esquinas na gente

nas larguras todas dos atos

 

é que o mar, às vezes, posa

de açude encabulado 

e cria as ondas futuras

na curva urgente do passado

 

criar as jangadas da vida

é navegar todos os fatos.

6

Da comunitária conjunção das horas

 

Que o manto da paz nos cubra

pelas curvas do pensamento

e que os verbos se amontoem

no alvoroço dos tempos.

 

Como uma nave desgarrada

ressurja a coletiva vontade

de construir como pasto

a a cara da liberdade

 

e que sejamos comuns

nos campos e nas cidades.

7

Do futuro nas avenças do tempo

 

Quanto mais se monta o tempo

mais jovem o futuro fica

é que a vida não se conforma

em ser apenas notícia

 

nos ombros de sua fala

a palavra se afirma

é nas ruas de sua luta

que o futuro está em riste

mostrando a largura do povo

que se constrói e se acredita.

8

Verso a meu pai e sua constância

 

Habitante agora de mim

meu pai dá-se a jardineiro

que semeia saudades

nas ruas inteiras do meu peito

 

e é de ver-lhe assim

transgredindo normas

e alinhavando poemas

nos decretos da alma

 

é que morrer nem sempre

é o que a vida informa

há  muitas léguas de todos

depois da última história  

7

Da alma em retoques

 

A alma é só invólucro

daquilo em que se cabe

guardada a proporção

das pretensas liberdades

que a gente traz pelo peito

e às vezes nem sabe

 

e vige enquanto perdura

o gosto infante da alegria

no riso que a gente tange

pelos ombros da avenida

construindo com irmãos

as lutas todas da vida

 

a alma é só um detalhe

da singularidade coletiva.

10

Memento de sólida feição

 

Quando o dia chegou

nos ombros da madrugada

eu parti do teu amor

perdido pelas estradas

é que teu cheiro ressoava

pelas léguas da memória

como se a vida fosse um mar

que corresse em desafio 

e que se perdesse em mim

abraçado com teu riso

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.