Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
solista privado
no recital da vida
dou-me ao arranjo
em partitura resumida
esse abraçar-se matéria
no concerto coletivo
tudo que me tanto seja
nas notas que declama
são apenas os acordes
da orquestra humana
o tempo
entorna a emoção
postura inata
da razão
é como cachoeira
da humana vazão
o homem
torneira recorrente
dá-se ao gesto temporal
dos sonhos que sente
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeata .
repito
o tempo me repete
vitalício
nada do que vivo
é vestígio
de que há um tempo
que permito
tudo que me tange
é um tempo fictício
em que distribuo à vida
todos meus indícios
Divirjo de mim mesmo
tudo que não posso
é meu mêdo.
O impossível
é só um gesto
de tudo a que me presto.
viver é inventar impossíveis
nos desvãos do universo.
Os horizontes
nunca terminam
a gente é que esquece a régua
e as medidas
de trazê-los sempre ao passo
da vida.
Na verdade
contra os destinos
o horizonte é só mais um passo
a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa
de réguas comprometidas
com os freios que se criam
nas andaduras da vida
só ao povo
cabem os horizontes medidos
pela certeza de que todos
cabem nos seus sentidos.
lúdico
nada me joga
público
andante
de mim
discurso
e súbito
deixo os repentes
em que me culpo
sou um barco,
enfim,
de todos os mares
do meu curso
o sonho
é só um jeito
em que me uso
aos 62
tanjo a vida
na mesma direção
das desmedidas
tudo é tanto
e tão restrito
que me resto na contradição
do que morro e vivo
aos 62
meço-me menino
nas léguas de mim
que adivinho
e o riso
é uma bandeira escancarada
nas portas do que digo
aos 62
rio pela tarde
o que da manhã
me invade
e nunca que me faço triste
com a certeza
de todas as saudades.
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa senti-lo.
A Onaldo Queiroga
o sanfoneiro
nem pressente
que quando puxa o fole
estica a alma da gente
ela sobe no juízo
como um sopro diferente
e se desmancha nos passos
dos vôos todos da gente
é como se fora um recado
de todos os ancestrais
escrevendo nesses passos
as palavras de quem jaz
é como um grito escondido
nos verbos todos do tudo
construindo os infinitos
que a vida joga no mundo.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.