Lista de Poemas
Do infinito e seus alinhamentos
O infinito
nem começa
nem termina
o olho só perscruta
suas esquinas.
O cérebro, viajante,
é que determina
todas as ruas do mundo
e o trânsito das vias
e as repousa no dizer dos verbos
que adredemente alinha.
Dos umbrais da flor em frases
é que nos ombros da flor
por trás do seu colorido
navegam os sentimentos
na jangada dos sentidos
é como um feitiço do olho
que teima em ser abrigo
das tempestades da cor
explodindo seus sorrisos
como se à vida não bastasse
sua condição de ser riso
quando a natureza gargalha
a aventura de ser vista.
Das vigências do poema e dos braços
O verso
assim resumido
é só um desconforto
dos sentidos
é que os fatos
para dizê-los
há que dos sentidos
construir atropelos
e inventá-los pelos braços
ante a vigência dos medos
o verso é material
apenas no seu enredo
construi-lo é só um desejar
de todos os desejos.
Dos assassinatos noturnos e dos fardos
Assassinado
por fuzis fardados
o homem explicita
a farda dos fardos
nada do sistema
eletrocutado
desencapa os fios
da elétrica cidade
todo o futuro
é um alarde
da construção que a revolta
em cada peito cabe
na morte daqueles
que trazem apenas como culpa
a noite no corpo e na face.
Dos discursos marinhos do nosso estado
Da praia tenha-se o discurso
de um mar de manso nado
que inventa esquinas na gente
nas larguras todas dos atos
é que o mar, às vezes, posa
de açude encabulado
e cria as ondas futuras
na curva urgente do passado
criar as jangadas da vida
é navegar todos os fatos.
Da comunitária conjunção das horas
Que o manto da paz nos cubra
pelas curvas do pensamento
e que os verbos se amontoem
no alvoroço dos tempos.
Como uma nave desgarrada
ressurja a coletiva vontade
de construir como pasto
a a cara da liberdade
e que sejamos comuns
nos campos e nas cidades.
Do futuro nas avenças do tempo
Quanto mais se monta o tempo
mais jovem o futuro fica
é que a vida não se conforma
em ser apenas notícia
nos ombros de sua fala
a palavra se afirma
é nas ruas de sua luta
que o futuro está em riste
mostrando a largura do povo
que se constrói e se acredita.
Verso a meu pai e sua constância
Habitante agora de mim
meu pai dá-se a jardineiro
que semeia saudades
nas ruas inteiras do meu peito
e é de ver-lhe assim
transgredindo normas
e alinhavando poemas
nos decretos da alma
é que morrer nem sempre
é o que a vida informa
há muitas léguas de todos
depois da última história
Da alma em retoques
A alma é só invólucro
daquilo em que se cabe
guardada a proporção
das pretensas liberdades
que a gente traz pelo peito
e às vezes nem sabe
e vige enquanto perdura
o gosto infante da alegria
no riso que a gente tange
pelos ombros da avenida
construindo com irmãos
as lutas todas da vida
a alma é só um detalhe
da singularidade coletiva.
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.