Lista de Poemas

Da largura do amor em larga pauta

 

                        A Lane Pordeus

Só ao amor

cabe o absoluto

guardadas as proporções

e as léguas do seu curso

é que não lhe trai

o uso moderado

de tudo que a razão

Interdita aos incautos

 

só ao amor

cabe o infinito

e a capacidade lúdica

de nunca medi-lo

 

o amor é só medida

de quem possa senti-lo.

6

Da procissão e dos descaminhos

 

a procissão

convoca

todos os passos

e todas as portas

como um roldão exato

de respostas

 

à frente

deus informa

todas as direções

e todas as lógicas

e, satélite de si,

nem se importa

com os metros de vida

que entorna

 

a procissão

é matemática

tudo que lhe marca

é o gesto intenso

de quem se gasta

nos trejeitos solenes

da passeata .

6

Aparências II

sósia de mim

me desconheço

nos outros tantos eus

em que apareço

 

é que viver

é quase um jeito

de trazer multidões

dentro do peito

11

Das medições dos olhares

 

Os horizontes

nunca terminam

a gente é que esquece a régua

e as medidas

de trazê-los sempre ao passo

da vida.

 

Na verdade

contra os destinos

o horizonte é só mais um passo

a que  nos consentimos

 

medir os horizontes é só tarefa

de réguas comprometidas

com os freios que se criam

nas andaduras da vida

 

só ao povo

cabem os horizontes medidos

pela certeza de que todos

cabem nos seus sentidos.

7

Nos escaninhos do devir

 

a história

caminhando pelas praças

constrói os tempos das árvores

e o destino das massas

 

todas as dores do povo

embrulhadas em sua face

no alvoroço da luta

inventam a liberdade

 

é que o futuro é ofício

de quem cedo já tarda.

7

Das interferências e das ações

 

da pedra

informe-se

o gesto bruto

de ser bólide

 

ou, à contraluz,

assim esculpida

deixe-se estar aviso

nas costas da vida. 

6

Das correntes e medidas do amor

 

ao amor

dê-se a vazão

das cachoeiras que inventam

o coração

 

e dê-se como mar

nas ondas em que se cometa

como se fora um barco

navegando impune sua gesta.

 

o amor é sempre ávido

em tudo a que se presta.

6

Do futuro e suas vagas

 

o povo ausculta

nos ombros da praça

o ruído da luta

 

comício de tudo

o verbo disputa

as razões urgentes

de todas as culpas

 

e nos olhos do povo

envolto na palavra

o futuro toma o jeito

de quem lhe abraça

6

exercício popular do tempo

 

quando cessarem os verbos

abra o peito na avenida

e abrace o jeito do povo

entornando pela vida

navegue o sonho de todos

na simples dosimetria

de quem inventa o novo

nas costas da alegria

 

é que o futuro se encosta

nos alvoroços dessa lida

e fareja a igualdade

no descampado da vida

8

Oratória empedernida

 

É que no curso da fala

o tempo se espreguiça

e tange os rumos do verbo

pelos descampados da vida 

8

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.