Lista de Poemas
Da largura do amor em larga pauta
A Lane Pordeus
Só ao amor
cabe o absoluto
guardadas as proporções
e as léguas do seu curso
é que não lhe trai
o uso moderado
de tudo que a razão
Interdita aos incautos
só ao amor
cabe o infinito
e a capacidade lúdica
de nunca medi-lo
o amor é só medida
de quem possa senti-lo.
Da procissão e dos descaminhos
a procissão
convoca
todos os passos
e todas as portas
como um roldão exato
de respostas
à frente
deus informa
todas as direções
e todas as lógicas
e, satélite de si,
nem se importa
com os metros de vida
que entorna
a procissão
é matemática
tudo que lhe marca
é o gesto intenso
de quem se gasta
nos trejeitos solenes
da passeata .
Aparências II
sósia de mim
me desconheço
nos outros tantos eus
em que apareço
é que viver
é quase um jeito
de trazer multidões
dentro do peito
Das medições dos olhares
Os horizontes
nunca terminam
a gente é que esquece a régua
e as medidas
de trazê-los sempre ao passo
da vida.
Na verdade
contra os destinos
o horizonte é só mais um passo
a que nos consentimos
medir os horizontes é só tarefa
de réguas comprometidas
com os freios que se criam
nas andaduras da vida
só ao povo
cabem os horizontes medidos
pela certeza de que todos
cabem nos seus sentidos.
Nos escaninhos do devir
a história
caminhando pelas praças
constrói os tempos das árvores
e o destino das massas
todas as dores do povo
embrulhadas em sua face
no alvoroço da luta
inventam a liberdade
é que o futuro é ofício
de quem cedo já tarda.
Das interferências e das ações
da pedra
informe-se
o gesto bruto
de ser bólide
ou, à contraluz,
assim esculpida
deixe-se estar aviso
nas costas da vida.
Das correntes e medidas do amor
ao amor
dê-se a vazão
das cachoeiras que inventam
o coração
e dê-se como mar
nas ondas em que se cometa
como se fora um barco
navegando impune sua gesta.
o amor é sempre ávido
em tudo a que se presta.
Do futuro e suas vagas
o povo ausculta
nos ombros da praça
o ruído da luta
comício de tudo
o verbo disputa
as razões urgentes
de todas as culpas
e nos olhos do povo
envolto na palavra
o futuro toma o jeito
de quem lhe abraça
exercício popular do tempo
quando cessarem os verbos
abra o peito na avenida
e abrace o jeito do povo
entornando pela vida
navegue o sonho de todos
na simples dosimetria
de quem inventa o novo
nas costas da alegria
é que o futuro se encosta
nos alvoroços dessa lida
e fareja a igualdade
no descampado da vida
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.