Lista de Poemas

vívido trânsito

 

grávido exercício

a vida teima

em dizer-se ofício

rasgo da matéria

nas brechas do infinito

lúdico mister

de quem transita

os pedaços do tempo

em que milita

o espaço de si

é só notícia

que o universo joga

em sua lida

26

Do sonho arquitetado

 

meu sonho

saudade prematura

joga a história

no colo do futuro

violar o tempo

na onírica fala

transborda o mundo

no vão da alma

o sonho arquitetado

mais que um desejo

é arma

30

Reminiscência LIX

 

o vento

afagando o infinito

jogava nos olhos

a paisagem da vida

o universo

deitado em si

pulsava a manhã

quase tranquilo

o jovem

já dono do tempo

arrumava as horas

soltas na mente

tudo era um futuro

displicente

19

Matéria em humana pose

 

e quando fosse possível

essa permanência

a matéria deu a ver-se

pela consciência

construída no homem

como insistência

a aparência de domo

de olhar-se apartado

ao homem deu-se a noção

de conter-se unidade

até saber que era um todo

sutilmente disfarçado



 

19

Do amor recorrente

 

o amor

ainda resta

como infinito

ainda flor

mar consentido

da matéria genérica

pulsa

como a tarde

no tempo objetivo

da saudade

o amor ainda é grito

em que a vida cabe

35

Do lírio em paz sentida

 

o lírio da paz

num riso fugidio

belisca nos olhos

a franja dos sentidos

como se fora recado

da vontade do infinito

25

Reminiscência LVIII

 

de relance

a noite deu-se madrugada

despachando o tempo

no colo da estrada

os passos

ainda noturnos

deram-se ao dia

na imanência do mundo

o homem

alinhavando o tempo

fez-se da saudade

no pensamento

7

Reminiscência LVII

 

a pedra dormia

sentinela do tempo

bandeira derreada

nas costas do vento

a manhã

ainda encabulada

punha seus olhos

no colo da estrada

arrumando os sonhos

na paisagem da memória

o menino assuntava

os rumos da escola

28

Traços virtuais in limine

 

o poeta on line

apenas arquiva

os bytes em que cabe

os que imagina

os que nem sabe

a tela

é apenas armário

de fingir as nuvens

do imaginário

o poema é só a fala

rito virtual

das brincadeiras da alma

23

Da constância da fala

 

quando a fala

solta na alma

deixe-se dardo

como palavra

quando a arma

embutida na fala

jogue-se nos braços

gesto da alma

quando a vida

posta na palavra

sustente a razão

de ser a fala

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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.