Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
e no que fora o tempo
um gesto consentido
que a matéria dá em si
como forma de interstício
de medir a eternidade
em pedaços do infinito
e no que fora o espaço
um tempo presumido
de arrumar a matéria
pelo vão dos sentidos
aqueles dados aos átomos
os postos no indivíduo
nessa faina engenhosa
que a consciência decida
a saudade
é um trato lúdico
barco da vida
quando em uso
dá-se presente
ainda futuro
tudo de privado
tem-se público
a saudade
dói sorrindo
em cada curso
a Palestina
ainda pulsa
o coração de Hind
do sonho e da luta
menina
do rio ao mar
a vida futura
a grande sina
Gaza desenhada
na memória instintiva
de quem se constrói
nos fiapos da vida
lavro a memória
assim cogente
como quem tramita
tudo que se invente
o que venha de mim
a herança dos tempos
as ilações humanas
beliscam o pensamento
nos passos da vida
na estrada do que sente
o teatro é fingimento
quase todo nunca
é sempre
é como se o mundo
inventasse a gente
e pusesse pela vida
novas vertentes
as que o sonho dita
as que o corpo sente
como se fora brincadeira
da verdade que se inventa
o poema
além de fala
é trejeito cogente
do vão da alma
ao poeta
impunemente
resta a palavra
como sobrevivência
o verbo
é só o lastro
do que sente
o bemol
entrava no ouvido
como um recado largo
do infinito
os olhos
como vagas naves
desenhavam o amor
pela paisagem
tudo que fora tanto
deixa-se exato
na fluidez humana
de quem se invade
toda garganta
quando militante
não permite âncoras
em seus levantes
os verbos
no mar da vontade
são transeuntes
das vias de fato
mantê-los ancorados
no porto do medo
trai todas as léguas
do seu enredo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.