Lista de Poemas

Geográfica vista

 

no mapa de tanto

assim como tarde

dou-me aos cedos

em que caibo

tudo da memória

é um grande laço

no mapa de mim

como oceano

transborda a saudade

navegando

todos os mapas da vida

geografam minhas ondas

7

Das cercanias do tempo

 

tardo em mim

quando amanheço

o sonho no sono

ainda meço

as larguras da vida

em que me teço

tardo em mim

quando anoiteço

as franjas do sonho

já medem súbitas

seus novelos

nas esquinas do tempo

em que me esqueço

53

Do poema em causa

 

a palavra

em procissão

traz o poeta

à profana razão

na coleira da forma

o verbo tramita

todas as liberdades

que as letras admitam

o poema

em habeas corpus

intenta livrar a vida

de seus falsos ócios

tudo que lhe diz imenso

discursa chamas da memória

7

Chamas navegantes

 

inflamada

a vida crepita

todas as fogueiras

consentidas

as que queimam sozinhas

as que vivem coletivas

as chamas

desenhando o pensamento

escrevem no peito

aquilo que se sente

as chamas da vida

futuram o presente

57

Do amor em infinita pose

 

o amor reconhece-se

dado ao infinito

de saber-se maior

quando construído

as léguas de si

são metros desatados

na procissão das falas

na construção dos abraços

dá-lo como mútuo

é só o ofício

de exercê-lo grávido

de cada infinito

7

Das horas sem tempo

 

o tempo

preso no relógio

rende a paciência

em cada volta

estranha vazão

de suas horas

tudo que lhe mede

transcurso estranho

são minutos grávidos

de sofrimentos e ganhos

até que o homem corra

nos ombros do mundo

apenas como um tempo

de todos em tudo

12

Reminiscência LXI

 

quando a noite coube

no colo da madrugada

o sol espreguiçou-se

o dia deu-se à fala

como se fosse discurso

que o tempo declara

os jovens ainda reunidos

estalando dedos no aplauso

argumentavam a vida

na balsa das palavras

como se a vida fosse

uma clandestina liberdade

51

Cordis jornada

 

o coração

é barco vadio

trazê-lo a remo

diz o rito

de sentir-se matéria

parte do infinito

joga-lo na vida

pô-lo em jogo

custa construir-se

átomo do povo

7

REMINISCÊNCIA LX

 

a balsa construída

era argumento

de nadar os açudes

do pensamento

navegar as águas

e os sentidos

jogava na vida

os trejeitos do infinito

o menino

solfejando o sonho

cantava nas águas

seu encanto

8

Energia em rasgo displicente

 

a energia

engravida o mundo

desde a gesta do nada

às vésperas de tudo

matéria fantasiada

em cursos reticentes

desfiles do futuro

às vistas do presente

a energia é discurso

palavra escondida

construção flutuante

das entrelinhas da vida

7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.