Andanças
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
futuro
desejo adiado
posto presente
dá-se ao parto
de fingir-se isento
do passado
o tempo
consumado
dá-se ao exercício
dos fatos
o futuro é um muro
dos tijolos do passado
a solidão assim
nunca haja
quando sejam multidões
dentro da alma
estreito da vida
dê-se ao rompante
estar indivíduo
mesmo figurante
das ruas do povo
múltiplo habitante
a pluralidade de si
é singular militante
debaixo das pedras
o menino habita
os futuros perdidos
nos restos da vida
nos olhos
como custódia
um dardo definitivo
da história
a infância baldia
posta nos escombros
pulsa Gaza recorrente
nas lágrimas dos homens
um dia ainda nascente
haverá uma Palestina
nas entranhas do tempo
a pedra
abraçada na história
arquiva no tempo
a mística das horas
bruta composição
natureza esculpida
deflagra nos homens
a insistência da vida
quando são paisagens
assim nos olhos
quando armas
assim consentidas
o destino
no poeta
é estar itinerante
quando verbo
trama substantiva
laivo subjacente
de quem vê o tempo
inadimplente
palavras correm a vida
nos aceleradores
que consentem
os freios do infinito
são verbos reticentes
a chuva
molha a saudade
navega o tempo
e nem sabe
derramar-se assim
qual tempestade
das vias sentidas
do passado
trovões da lembrança
relâmpagos renitentes
veios fartos da vida
postos em corrente
a verve
do poema
é só um laço
palavra posta
em seu alarde
de parecer cedo
quando tarde
ou de rir o verbo
em seu brincar-se
ou de gritar o mundo
nas dores da arte
ou de desenhá-lo
nas curvas da palavra
tudo do que tanto
seja assim a vida
cachoeira do mundo
posta nos sentidos
repto humano
aos limites do infinito
antes do que nada
esteja consentida
matéria itinerante
enfeitando-se de vida
abraçada nos homens
intensamente construída
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.