Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o futuro
salpicava a rua
com o tempo posto
nos passos da luta
os camaradas
em cada trama
vigiavam a vida
com suas armas
o riso da história
ainda clandestino
era só uma fresta
dos rumos do destino
da matéria
em seus ritos
a vida dá-se
aos sentidos
o homem
comprimido
tenta viver-se
consumido
até que o futuro
construído
possa vive-lo
em todos os sentidos
e a vida vague intensa
salpicando o colo do infinito
do quanto fosse humano
o gesto coletivo e uno
de abraçar-se ao tempo
nas andanças do futuro
criar nos braços, todos,
do quanto fosse tanto,
os degraus da vida
nas escadas do povo
do quanto fosse coletivo
o homem em sua lida
esse abraçar-se da matéria
no trânsito largo da vida
camponesa de si
roçado humano
a matéria cava
como enxada
sua substância
dada a gente
ensimesmada
consome como alheia
sua própria alma
as sinapses do mundo
soltas no tempo
ensaiam suas falas
camarada Aurélio
o poema te admite
grite as palavras
derrame-as na vida
nas estrofes do tempo
mansamente construídas
é que ao dize-las tanto
a consciência permita
arruma-las no verso
em sua exata medida
o tamanho do poema
sempre cabe
nos poetas que decida
o infinito, perpétuo,
é só a matéria
em manifesto
dada ao cúmulo
de seus gestos
o grande bang
é só um embate
dos afazeres do tempo
em que nunca se baste
o pulsar da consciência
é só mais um detalhe
de quem fotografa a si
nas páginas do espaço
sempre, ao invés,
é tempo contrito
se a saudade cresce
dá-se a infinito
e cabe como lembrança
nas brechas do riso
até na alegria
molha a vida
jogando lágrimas
nos sorriso que consinta
mergulho em mim
todos os submarinos
os que já navego
os que nem sinto
viajando as multidões
desejo intrínseco
deixar-se como outro
em cada labirinto
o mar de cada um
submerso no mundo
é só a humana onda
de construir-se em tudo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.