Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
o vento
cortava a carne
armando o tempo
pela face
Leningrado
deitada nas ruas
urdia pela vida
as veias da luta
o jovem
montado no sonho
escrevia em si
todos os futuros
aríete da vida
a vontade luta
em todas as vias
em que se discute
lança voraz
da circunstância
dá-se ao fato
como instância
ao homem
posta a vida
deixe-se tê-la
consentida
a fala do tempo
sussurrando a vida
espalha no pensamento
os horários verbos
em que se habita
o homem, nessa oitiva,
ajeitando a paciência
joga seus ponteiros
nas horas que decida
tudo das horas dizem
apenas desmedidas
Vo Nguyen Gyap
tinha como imagem
as léguas que construía
nos palmos de sua farda
o Vietnam urgente
abraçando a vida
navegava o mundo
no barco da guerrilha
o jeito da liberdade
Gyap dizia com o povo
nos verbos da luta
e uma certa intimidade
Gyap era só um humano
construído na vontade
o roldão da vida
assim consumido
dá-se ao mundo
no vão dos sentidos
sua usina
posta na vontade
alinhava o tempo
nas brechas da liberdade
o roldão da vida
é a construção
de quem se cabe
a razão
arrasta a vida
como um furgão
em comitiva
passeata de sinapses
comício construído
dá-la corredeira
na coletiva saga
vive-la conduto
do que se arma
a razão vira o tempo
quando salta
as lágrimas
salgadas do mundo
escorrem da vida
líquidas de tudo
postas no tempo
nas humanas ruas
deixam-se alegria
nos risos que construa
deixa-las militantes
em todas suas vias
é apenas consenti-las
como instância da vida
a palavra
quanto fala
grava a vida
grávida
curso verbal da alma
a palavra
quanto arma
grua da luta
grau da lavra
veias do fato
instaladas
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.