AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3639

Dados de mim em tese posta

 

ao estar comigo

assim outro

me definitivo

abraço da matéria

na humana lida

do infinito

os limites do tempo

em que milito

são os pedaços da vida

que infinito

23

Madrugada in pectoris

 

a jangada

brincava de horizonte

penteando o mar

agarrada nas ondas

o sol

debruçado no tempo

desenhava a madrugada

tangida pelo vento

o poema

também insone

jogava no poeta

as velas de seu horizonte

38

Reminiscência IX

 

na Praça Vermelha

o tempo pintava

todos os rubros

no vão da alma

Lenin,

dormindo a história

jogava Moscou e teses

na chão da memória

o comunista

sobraçando a vontade

sonhava o povo

criando a liberdade

26

Da saudade em líquida pose

 

a saudade

é inteiro armistício

essa vontade íntima

de guardar o infinito

trazê-lo abraçado

no largo dos sentidos

a saudade

rio caudaloso

nasce na lembrança

e deságua nos olhos

como fora um mar imenso

que o tempo trouxe

52

Do curso corrente

 

a propriedade

jaz imprópria

própria contração

de sua lógica

tudo que a tem

é a retórica

fazê-la refém

de privada forma

até que dada a noção

pulsa-la como coletiva

desembocando o futuro

no vão imenso da vida

14

Das vias do infinito

 

na terra

minúscula nave

como divisar

os infinitos em que cabe?

na terra

transcurso da matéria

como não sentir

os futuros que encerra?

no universo

matéria em seu rito

como não vislumbrar

o destempo do infinito?

24

Contratos

o poema
contrata a palavra
em seus indícios
rastros da vida
em pretenso rito
o poeta
contrata a si
como refúgio
dos verbos que remoem
seu discurso
13

Das armações do tempo

 

a madrugada

é um dia incoerente

nesse jeito de aurora

é uma noite cadente

tentando fantasiar

a silhueta do tempo

no trânsito de si

assim impunemente

chega a borrar o sonho

no sono que afugenta

15

Plural estada

estou em mim
quando me perco
o outro é o fim
do meu começo
minha garra
é o exato indício
da urdidura de todos
quando coletivos
puxar-me do tanto
dado ao único
é só um trejeito
da matéria no mundo
18

Do poema em vida

 

o poema gravita

entre o verbo

e a vida

tudo que o tem palavra

respira

o coração do poeta

em contradita

joga-se estrofe

em gramática lida

tudo que lhe conjuga

é o verbo em que acredita

15

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado