Lista de Poemas

Dos cursos

a materia
da-se ao abuso
de aparentar-se errônea
nos seus cursos
tudo que trafega
em seu discurso
são as arestas exatas
da compleição do futuro
não assim à toa
quiz-se consciência
como invólucro humano
em que se tenha
12

Da feição do desejo

assim como armados
no curso da memória
os desejos transitam
no vão da história
como lampejos virtuais
dos fatos que invocam
abraça-los ao mundo
nos redemoinhos da vida
é estabelecer-se matéria
em sua jornada infinita
79

Reminiscência XLV

Copacabana
tangia a madrugada
arrastando o sol
pela calçada
o menino
inventando a vida
abraçava a aurora
pelos sentidos
como se beliscasse
o braço do infinito

13

Das brechas da alma I

a vida voa
andorinha inata
todos os céus
em que se plasma
trazê-la larga
posta nos braços
é cavar os sonhos
no andar das asas
militar constante essa luta
é mergulhar inteiro pela alma

11

Pátria humana

toda pátria
é só discurso
divisão de todos
pelo mundo
a pátria humana
cogente estrada
permanece virgem
futuro embrulhado
da-la ao mundo
é a caminhada
5

Reminiscências II

escondida na neve
Moscou pulsava tudo
como uma nave pousada
nos braços do mundo
assuntando a vida
nos desvãos do frio
eu inventava futuros
num solitário rito
o violão nos braços
sonhava acordes do infinito
ambos quase petrificados
nas cordas e nos sentidos
8

Da feição do desejo

assim como armados
no curso da memória
os desejos transitam
no vão da história
como lampejos virtuais
dos fatos que invocam
abraça-los ao mundo
nos redemoinhos da vida
é estabelecer-se matéria
em sua jornada infinita
6

Do onírico verbo

o sonho navegado
posto assim em fala
transita o futuro
voando na palavra
discurso da vida
dá-se ao mundo
panfleto transitório
dos fatos de tudo
boia no discurso
como verbo militante
da razão humana
posta em levante
5

Dos bilros da vida

os bilros cantando
postos em renda
embaralham os sonhos
das rendeiras
as linhas conduzem
cada movimento
como batutas sinfônicas
do pensamento
o desenho da vida
só comenta
as poses humanas
dos inventos
8

Do tambor em fala

o tambor
discursando o tempo
navega os ancestrais
pelo pensamento
versos da matéria
infinita constância
no dar-se como homem
em todas suas tranças
o tambor é só a voz
incitando gestos
na construção de todos
nos gritos do universo
9

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.