Lista de Poemas

Dialética saudade

navegante de mim
dou-me à saudade
como astronauta confuso
de todos os meus mares
tudo do futuro
é sempre passado
no tempo consumido
em que me laço
tardo quando cedo
morro quando vivo
essa mania intensa
de ajeitar o infinito
6

Da vida em dados

a vida
nem é tanta
que possa viger
apenas na garganta
dizê-la
em seu curso
é noticiar fatos
do seu uso
como fora privado rompante
do coletivo discurso
humano porque todo
no verbo de ser único
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Matinal hipótese

quando não fosse
assim controverso
deixar-se mudo
quando o verbo
invada neurônios
em sinápticos versos
talvez a manhã
em larga estrofe
borde as palavras
no poema que convoque
9

Das memórias do vindouro

a memória
cheia de futuro
tramita o passado
em novo curso
dá-se ao novo
certa petulância
remoendo os fatos
em sua militância
a memória é quase arma
dos futuros em que se planta
6

Das rotas do futuro II


a matéria
conchavo do infinito
brinca de burlar
as rotas da vida
deixa-se em parto
gestante recorrente
assim fora usina
de todos seus viventes
o mundo debulha o futuro
na aparente reticência

9

Dançarina energia

terreiro de mim
o coração é gira
de tudo e de todos
ao redor da vida
cantando os tambores
em reza infinita
a matéria urgente
arrepios da energia
joga o mundo na roda
numa dança consentida
6

Quilombo em rasa cena

no quilombo
ancestral em tudo
transita a história
nos vincos do mundo
a forja humana
nas Áfricas que lida
inventa as manhãs
no vão da vida
a matéria apenas navega
nos vãos do tempo
a extrema liberdade
dos seus inventos
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Laivos do futuro

meu bloco
é da surdina
nos passos mudos
dos fatos da avenida
frevo do povo
grito da vida
sonho das ruas
veias e vias
carnaval do tanto
como será em tudo
no desfile coletivo
das fantasias do futuro
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Dos trânsitos da vida

o patamar
é ter-se atento
transitar a vontade
pelos ventos
os que tangem a vida
nas brechas do tempo
é assim como argumentar
os vincos do pensamento
nas retas da liberdade
que os desejos inventam
10

Da musical leniência

a música
trama os sentidos
remói os sonhos
embaralha o infinito
como continente
nos bemóis que guarda
joga nos ouvidos
filigranas da vontade
arde todas as chamas
tange todos os ventos
planta maravilhas
nos leirōes do pensamento
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.