Lista de Poemas

Dos desejos e dos atos

não basta à vida
navegar pensamentos
alinhavar alegrias
na tristeza do tempo
marcha dialética
insurgente matéria
a mente apenas borda
os futuros que navega
os braços devem afagar
os fatos em que medra
11

da vigência dos atos

que os ventos
solfejando a vida
tragam pelo tempo
os braços que consiga
os que nasçam da luta
os que medrem justiça
derramados assim pelos fatos
abraçados nessa lida
de remoer a matéria
em todos os seus vincos
26

Infantil velhice

a infância
borda a velhice
nos rastros do tempo
em seus palpites
a lembrança
deixa-se indício
das reminiscências
postas em cabides
navegando os olhos
nos rios que vive
a infância envelhece líquida
no armário da vida
6

Universo em larga ida

o universo
meio contrito
passeia em nós
os ares do infinito
dá-lo como findo
nos palmos da vida
contradiz as léguas
em que habita
um dia haveremos de tê-lo
quase compreendido
nessa mania da matéria
de brincar de infinito
8

Poema em tráfego tenso

o poema
é só nesga contida
grito da palavra
lavra e lida
que o poeta joga
como trâmite da vida
assim contrito
nos arroubos que edita
no transcurso do verbo
o poema é viajante
das vias do universo
8

Da saudade letrada

no meio da saudade
recorrente enredo
nas costas da vida
vivo o que escrevo
a palavra
é apenas o leito
caminho exato
dos passos do meu peito
os destinos do tempo
são andorinhas furtivas
que voam a saudade
nos arredores da vida
7

Ode ao samba

o samba
cerzido na alma
derrama a vida
nos bemóis que fala
transeunte urgente
desce aos pés
como luta urgente
que o tempo faz
tangendo a dor
o riso que projeta
invade como povo
as faces da terra
8

Das construções humanas

rachaduras da alma
tecidas filigranas
alheias vontades
indivíduas tramas
lapso gestual
da corrente chama
flagra a combustão
dos enredos humanos
os cimentos da alma
construção coletiva
nunca vicejam sós
nos muros da vida
9

Do tempo em atos

o futuro
é um passado presente
nas filigranas do tempo
nos arremedos da gente
dá-se como vindouro
pelo simples exercício
da matéria em ter-se pouca
na constância de infinita
nas léguas que inventa
no colo do pensamento
o futuro é só um abraço
entre os atos e o tempo
8

Temporais enlaces

e se o tempo
for apenas descuido
do calendário da matéria
jogado no mundo?
armazenado no espaço
relativa continência
dá-se a absoluto
nas intermitências
flui como uma cascata
na saudade da gente
como se fosse um rio
avesso a correntes
8

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.