Lista de Poemas

Palestina razão da vida

a manhã regurgita
ainda amordaçada
nas costas da vida
o tempo em Gaza
minutos sangrentos
horas apressadas
degraus da vergonha
em podre escada
o mundo molda o futuro
nos passos que declara
o povo surgirá em tudo
nos braços de sua fala
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veias e vias

as veias
são as vias
de lançar as teias
pela vida
navegar o sangue
oceano da luta
jogar-se pandêmico
na imensidão das ruas
pulsar o tempo do mundo
exatidão da vida
passeata recorrente
no peito das avenidas
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Do futuro repassado

o futuro
espreita o tempo
tecendo presentes
no pensamento
larga-se passado
como farsa
na construção intensa
da humana lavra
o futuro é passageiro nato
do veículo dos braços
nas viagens que consegue
ao redor de seus atos
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Contradita

o avesso de tudo
trama na certa
toda contradição
de sua métrica
deixar-se outro
quando mesmo
inventar-se novo
quando velho
a contradição é um fato
complexo transeunte
da matéria em si mesma
construindo-se infante
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Da coletiva vazão do eu

tudo de nós é tanto
no humano alvoroço
em que restamos multidão
nas formas do outro
é que o torno exato
de forjar indivíduo
é trajeto formal
de ato coletivo
o caminho de ser único
é abraçar o infinito
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Construída vazão do amor

o amor
tange o tempo
como uma folha avulsa
na jangada do vento
o exercício flagrante
de mante-lo grávido
é consumi-lo futuro
no presente do passado
o amor assume a multidão
dos nossos descampados
procissão construída
de todos os abraços
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Verbos malabares

palavras
são malabares
verbos transeuntes
de nossos avatares
os que montam a vida
os que grafam as claves
pauta construída
das notas da liberdade
discurso da matéria
em humana disparada
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Material construção do tempo

senil e militante
a matéria avança
a juventude construída
em suas tranças
senhora do futuro
dá-se à pertinácia
do auto combate
da humana prática
a matéria soletra todas as contas
de sua intensa matemática
alinhavando seu corpo
como se fora aula
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Das humanas alturas

o céu
é só um disfarce
das alturas do homem
em seu intento
coisa de dar o desejo
às costas do tempo
posto como destino
de subjetiva jornada
é como se a consciência
fosse humana estrada
invenção de neurônios
nas capoeiras da fala
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Cena em bandeira posta

domando a vontade
no colo do vento
a bandeira tange a pátria
pelas ruas do tempo
como se fora ordem
das nações que intenta
os homens consumidos
em larga ausência
pausam os sentidos
em súbita continência
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.