Lista de Poemas

das medições de cada

assim quanto a vida
posta na vontade
escorra no tempo
tanta liberdade
como se fora um grito
solto pelas tardes
nas minúcias do infinito
em que se cabe
cada homem seja tanto
quanto a razão que desate
4

Onírico tricô do mundo

atemporal
da-se o discurso
de alinhavar o presente
nos ombros do futuro
nas curvas da vontade
filigranas dos gestos
consumir esperanças
nos goles do tempo
navegar as manhãs
nos mares dos fatos
dormir todos os sonhos
impunemente acordado
7

Tráfego verbal

o poema
rasga o tempo
trânsito vigente
do pensamento
flagra a manhã
como estandarte
que a lua joga na vida
apontando a tarde
e deixa-se verbo
em seu alarde
de gritar o sentimento
ou as ruas da cidade
8

Geográfica reminiscência

o mapa do tempo
geografia da vida
curvas e limites
da vontade medida
rastro das horas
tecidas no homem
nos tricôs cometidos
no que consome
a lembrança é só península
do mapa lúdico do homem
6

Pindorama avulso

caminho do tempo
a terra regurgita
todos os punhos
que lhe safam a vida
dilacerada, avulsa,
nos campos do mundo
traveste-se de grito
nas faces de tudo
o homem resvala de si
a cadência do futuro
em dizer-se quociente
dos arreganhos do lucro
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Armação da vida

das veias do braço
dá-se a logística
de arrumar o tempo
no colo da vida
engenheira sagaz
de civis intentos
a vontade arma
o vão do pensamento
a vida é construção exata
das filigranas do tempo
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Herança vigente

atravessado em mim
o ancestral tramita
todos os arquivos
herdados da vida
como se fora corrente
de elos infinitos
joga no tempo
as rugas da herança
construindo na matéria
sua eterna dança
5

Alheia jornada do eu

nessa usina
de viver o outro
arma-se a construção
do humano esforço
esse terçar a vida
como um coletivo esforço
de pulsar a matéria
em seu auto alvoroço
nada como as léguas do tempo
navegando os metros do novo
6

Gaza em curso

Gaza invadida
esgarça a vida
abraçando a morte
nas avenidas
dá-se à tarde
como um tempo cedo
em construir andaimes
de transpor o medo
um dia, escrita na luta,
a história far-se-á futuro
soletrando a verdade
na cara larga do mundo
5

Armação da vida

das veias do braço
dá-se a logística
de arrumar o tempo
no colo da vida
engenheira sagaz
de civis intentos
a vontade arma
o vão do pensamento
a vida é construção exata
das filigranas do tempo
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.