Lista de Poemas

Gaza em trajeto

em Gaza
cada bomba rasga
o rio da vida
lavra na arma
a exata medida
do viés do lucro
contra a alma
a palestina sanha
nos braços de tudo
entorna um tempo doído
nos goles do futuro
12

Vozes da alma

a alma
é só um lapso
dos rumores de mim
dentro do fato
navega o tempo
em seu compasso
no fazer-se urgente
em sobressalto
as ondas do rio que navega
beijam margens que declaram
como fora iminente
sua necessidade de fala
7

Berceuse Palestina

Palestina
a vida ondula
entre a respiração
e o rumo da luta
menina
a vida pulsa
todos os voos
presos a muque
no céu
o mundo escuta
o criminoso cantar
de andorinhas brutas
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Bailarina nave

a bailarina
brinca de infinito
dançando suas léguas
nos passos que gravita
lua incandescente
sol encabulado
brilha todos os sons
nos dizeres dos passos
jangada flutuante
das ondas que admite
atravessa todos os mares
com as velas em riste
23

Guevara em permanência

Guevara
atravessado no mundo
atiça o futuro
nos passados de tudo
o tempo
no calendário da vontade
é um disfarce atemporal
no colo da liberdade
o desejo do futuro
é um fuzil apontado
para o abraço do mundo
10

Ocaso do acaso

o acaso
é só um fato
fora dos rumos
da vontade
dá-se fortuito
nas estranhas do tempo
urgência inusitada
do momento
o acaso é só disfarce
solto no pensamento
como novidade intensa
das constâncias do mesmo
8

Mansa vazão da vida

a preguiça libertina
em sua grave medida
deita no homem
o tempo da vida
resta nas horas
como o futuro
em tirar do mundo
todos os muros
os que maquinam o homem
como drágeas do lucro
24

dos metros da vida

cheio de mim
assim contrito
dei-me ao trânsito
de alinhar o infinito
te-lo nos tantos
em que se apouca
consumindo as métricas
em que se encontra
despeja-lo aos poucos pelos mares
na multidão de suas ondas
6

Estaçōes em conluio vigente

haverá primaveras
que verão invernos
tempos que a vida
construirá urgente
todas as estaçōes
que o povo tente
o sol
escanchado no espaço
sorrirá as horas
em todos seus compassos
o futuro fundará apenas
o quintal de todos os abraços
6

Da rabeca em fala repente

a rabeca discursa
uma saudade voante
das arábias que traz
nas cordas que canta
como se fora um nordeste
assuntando o horizonte
rasga o mundo pelo passo
escritos no chão do povo
como se fora um compasso
da vida criando o novo
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.