nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Medidas
a vida solta no tempo
é um grande conchavo
entre as léguas de si
e todos os seus palmos
joga-la nos sentidos
é quase um aviso
que a matéria dá a si
nos ombros do infinito
é um grande conchavo
entre as léguas de si
e todos os seus palmos
joga-la nos sentidos
é quase um aviso
que a matéria dá a si
nos ombros do infinito
35
Da razão em obras
as idéias gritam
no roçado de sinapses
em que militam
como graves combatentes
da humana vida
dá-las à matéria
nos escaninhos do tempo
é construir andaimes
pelo pensamento
o edifício da alma
é um escambo recorrente
no roçado de sinapses
em que militam
como graves combatentes
da humana vida
dá-las à matéria
nos escaninhos do tempo
é construir andaimes
pelo pensamento
o edifício da alma
é um escambo recorrente
24
Dos metros do ser
máscara do tempo
o sentido permite
deixar-se pelo cedo
no tarde que admite
largas passeatas
nos debruns da vida
passeando a vontade
pelas avenidas
o tempo mede os espaços
daquilo que se acredita
trânsfuga das razões
retirante das medidas
o sentido permite
deixar-se pelo cedo
no tarde que admite
largas passeatas
nos debruns da vida
passeando a vontade
pelas avenidas
o tempo mede os espaços
daquilo que se acredita
trânsfuga das razões
retirante das medidas
7
Construção avara
amontoados
nos degraus da matéria
humanos e tijolos
tramitam a favela
nos ombros da terra
a história traça os becos
onde os homens transitam
todos seus desejos
o barulho da fome
nos vincos da barriga
entoa as razões
que o sistema alinha
nos degraus da matéria
humanos e tijolos
tramitam a favela
nos ombros da terra
a história traça os becos
onde os homens transitam
todos seus desejos
o barulho da fome
nos vincos da barriga
entoa as razões
que o sistema alinha
14
Dos limites dados
o limite da vida
há de ser consumido
não apenas na morte
como fato indivíduo
genérica
como afã da matéria
o infinito transita
em todas suas teias
esforço coletivo
de um viver infindo
o limite dá-se a meias
como ilusão de ritmo
há de ser consumido
não apenas na morte
como fato indivíduo
genérica
como afã da matéria
o infinito transita
em todas suas teias
esforço coletivo
de um viver infindo
o limite dá-se a meias
como ilusão de ritmo
5
Dos viveres do verbo
o poema transgride
tudo que a palavra admite
como se dize-la em verso
nunca admitisse
não dizê-la como tanta
que estivesse em riste
soletrando toda a vida
em todos seus limites
o poema é só um desperdício
das parcimônias do infinito
tudo que a palavra admite
como se dize-la em verso
nunca admitisse
não dizê-la como tanta
que estivesse em riste
soletrando toda a vida
em todos seus limites
o poema é só um desperdício
das parcimônias do infinito
10
Materiais andanças
viajante do mundo
dê-se ao exercício
de viver-se tantos
mesmo indivíduo
ter-se único
nesse coletivo
curso da matéria
em seus indícios
construir-se amontoado
na humana jornada
mania intransigente
da matéria auto declarada
dê-se ao exercício
de viver-se tantos
mesmo indivíduo
ter-se único
nesse coletivo
curso da matéria
em seus indícios
construir-se amontoado
na humana jornada
mania intransigente
da matéria auto declarada
8
Das vias do passado
a memória
busca o tempo
no escafandro loquaz
do pensamento
dobra os sentidos
nas razões que inventa
discurso introvertido
passados que intenta
o presente é só navegar
os rios do que se sente
as caravelas do peito
tangem o futuro impunemente
busca o tempo
no escafandro loquaz
do pensamento
dobra os sentidos
nas razões que inventa
discurso introvertido
passados que intenta
o presente é só navegar
os rios do que se sente
as caravelas do peito
tangem o futuro impunemente
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.