Lista de Poemas

diferentes semelhanças

ninguém é único
sem o outro
os metros da vida
lúdico drama
é construir em si
aparatos de gente como trama
derramados em tanto
no ângulo dos ombros
pesam no tempo
os quilos dos sonhos
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Temporalidades

o sol
não é olho do tempo
antes é recado
da matéria pulsante
de que a luz amorna
o vão dos pensamentos
a noite
não é um piscar da vida
é só um cochilo do infinito
derramado no homem
como um abraço fictício
8

Aparências I

a poesia
é fuzil da fala
fórceps exato
da palavra
flui em farpas
como toques
nas franjas lúdicas
da alma
a poesia apenas finge
sua indumentária
como se fora pássaro
quando arma

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Discurso

membro da matéria
no afã pensante
dou-me à percepção
do tempo-espaço que milito
como um simples transeunte
dos verbos que consigo
é que as palavras carregam
no vão dos seus umbigos
o retrato virtual
de nossos infinitos
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Ainda da saudade

fujo de mim
no que te penso
ainda há infinitos
no vão do tempo
a saudade
conflagrada
tenta inventar a paz
em suas armas
a vida continua a testar
os guindastes da alma
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Indagaçōes

a dúvida
pulsa a certeza
debruçada nas curvas
da natureza
vive ângulos
rastros definidos
nano indagaçōes
do infinito
dá-se aos metros
como aos desejos
nas ranhuras informais
de seus segredos
8

Tecelagens

o mar de mim
são os açudes
dos pequenos infinitos
do que pude
as léguas de tanto
centímetros exatos
são os palmos da matéria
em todos os meus fatos
agrupar esses mínimos
nos máximos do mundo
é viver alinhavando
as costuras de tudo
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Palavras a Omidaialecy

Opara adormecida
enfeita o tempo
abraçada a Xangô
no vão dos ventos
Yansã, já dançarina,
espalha a manhã
no pensamento
a vida
ainda tarda
como entender
a tua falta
8

Horizonte em volitiva cena

o horizonte
é desejo dos olhos
futuro da paisagem
do que posso
traze-lo no olhar
assim contrito
é modo de privatizar
o infinito
dá-lo como escape
das vias da vontade
é embrulhar o mundo
no colo da liberdade
4

Viés da alma

o eixo da alma
discurso quântico
toda fala de si
fustiga os anos
geme o corpo
como instrumento
soletrando a vida
no pensamento
as vias todas de si
veias escondidas
tramitam o tempo
nas urdiduras da vida
6

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.