Lista de Poemas

Das curvas do desejo

síncope urgente
o desejo intenta
frear suas horas
no vão do tempo
procura exata
em sentir a vida
página constante
em humano livro
o escape do desejo
é fingir um tempo
como alegoria eterna
no vão do pensamento
7

Metragens volitivas

o caminho
é só um jeito do passo
vontade de deixar-se
no colo do espaço
a vontade
perna militante
posta no pensamento
inventa-se constante
os metros são detalhes
dos tempos avantes
6

Dos rios da alma

mar itinerante
o rio navega
o circunlóquio das águas
no ventre da terra
lambendo o mundo
em constante saga
incentiva as correntes
dos rios da alma
os que correm sozinhos
os que abraçam a massa
6

Materialidades

a alma
fala quåntica
tece a realidade
condomínio de inståncias
larga-se no tempo,
materialidade súbita,
dos gestos virtuais
da humana luta
a matéria dá-se ao campo
das estradas de seu trânsito
7

Das vagas pensantes

a vida balbucia
falas do passado
lógica futura
síncope do tempo
em seus recados
o homem
em si debruçado
tenta arrumar as horas
assim pensante
no relógio dos seus lapsos
5

Saudade em vazão corrente

a saudade
navega o fato
transeunte intenso
do passado
dói rindo
em sua trama
de fustigar o tempo
como lembrança
a saudade é quase comício
nas praças do cérebro
de quem ainda ama
8

Coletiva saga

dar-se à luta
é quase trejeito
de construir o outro
no próprio peito
flagrar o tempo
esperança objetiva
de modelar o futuro
no escaninho da vida
armário humano
de todas investidas
7

Indígena tração

a taba em dança
amplifica
o grito indígena
da vida
o som
regurgita
a matéria primal
em sua trilha
a garganta fala
como idéia
o relato objetivo
da matéria
11

Dos confins do chão

meu país
é o universo
fronteira de mim
limite do avesso
de todas as terras
em que me esqueço
tudo que me instaura
é só um verso
intimamente desenhado
nas fronteiras do peito
8

Desfile em militar rompante

meu quartel
é a consciência
ordem unida
do que penso
pelotōes da vida
passo traçado
arquivos do futuro
cheios do passado
o presente é só desfile
das lembranças dos teus laços
5

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.