PERMITA-SE
De hoje a 30 dias muda tudo.
Novos sonhos, novas esperanças, novas conquistas e também outras perdas de algo que achavamos que era exclusivamente NOSSO.
O mundo é um relógio perfeito e no pêndulo do existir, é com a nossa confianca que podemos seguir sem guardar mágoas (pois elas nos fazem adoecer) sem cobrar nos outros nossas próprias falhas.
Que renasçamos mirando um futuro promissor, uma vida cheia de afetos mais possíveis e de largos abraços que estreitem e juntem corpos em busca de um alivio.
Somos capazes, somos fortes e soubemos ao longo do existir, que o complemento para uma longa jornada, já começa no primeiro passo dado.
Siga adiante, retornar, só se for pra reaprender, ou pedir desculpas a quem possa(Mesmo sem intensão) ter ferido no teu prosseguir.
Seja igual o avião: SIGA SEMPRE AVANTE MIRANDO O HORIZONTE, POIS NO AR, AERONAVE NAO DÁ MARCHA A RÉ.
Chore, ria, grite, dance, pule, seja teimoso(a) enfrente a vida de frente, pois se você ficar de lado, ela passa e nunca irá te enxergar.
O momento pra ser feliz, pra dar presente, dizer que ama,fazer alguém sorrir, é exatamente Agora, nesse teu hoje presente.
Plante amor e colherás as bênçãos derramadas para toda sua vida.
Feliz hoje, amanhã e depois de muitos amanhãs que virão para ti.
Permita-se escolher e fazer o bem. Ame-se, para poder amar a todos do mesmo jeito que você se ama.
Mande essa mensagem, para um amigo, ou para alguém que você acredita que deve recebe-la.
Lembre-se: Ninguém mais que Cristo, amou e perdoou a muitos sem cobrar recompensas por isso. Tá na hora de aprendermos com Ele, que ainda podemos buscar a felicidade e distribui-la gratuitamente, mesmo que seja através do mais simples gesto.
Seja feliz, amando e valorizando cada partícula de segundo respirável nessa terra.
Carlos Silva.
01.12.2020
A PELE PRETA
A PELE PRETA
Negro tens a pele preta,
Os teus ossos são branquinhos
e teu sangue é vermelho.
Só não enxerga,
quem não tem um lado humano,
onde a alma não reflete, sua imagem num espelho.
Negro tua liberdade,
não vem lá de um engenho
dos ditos canaviais
Vem da mãe Africa
pátria chão amada terra,
linhagem que não emperra, teus saberes naturais.
A cor da tua pele preta,
por espiritos destrutivos
aqui te castigou demais
Em louvação
Evocou os deuses de longe trazidos
Com as bençãos dos ancestrais
A MINHA (A SUA E A NOSSA) CONSCIÊNCIA É NEGRA.
TARDE COM POESIA
(75) 99838 - 5777
Não!
Eu não sou filho de navio negreiro, pois nem por ele e nem por seus senhores perversos fui convidado com cortesia para atravessar os mares. Fui tratado assim: Sem se importarem com as minhas crenças, nas terras onde eu era rei, onde haviam príncipes, princesas, súditos, onde entoávamos nossos cantos, fazíamos nossas oferendas e brincávamos felizes ensinando aos menores as nossas tradições, que como eles, aprendíamos desde cedo para termos um respeito e um contato maior com o criador do universo, da natureza, das estrelas, e de tudo que nossas crenças contemplavam em reverência ao Ser supremo.
NÃO! Não me deram a chance de lhes apresentar o que éramos lá no nosso continente, onde vivíamos para servir aqueles que de algum tipo de proteção careciam. Tiraram-nos das nossas terras sem nos apresentar e tampouco sem medir essas tais irmandades que tanto ouvi falar desde criança, e nenhum tipo de religiosidades, daquelas que dizem que unem os seres habitantes na terra através do amor ao próximo.
Eu fui arrancado do seio da minha tão adorada terra, e trazido como se bicho (eu e tantos outros corpos de almas já quase perdidas) fossemos.
Vi corpos dos meus irmãos ao mar lançados, como se nada fossem, por estarem fracos e doentes devidos aos maus tratos recebidos na travessia das águas que a cada instante, arremessavam-nos para outros horizontes, deixando em nós o rufar de uma saudade como se fosse um sagrado tambor a pulsar nos nossos corações.
Foram estes uteis aos peixes, pois desconheceram o sofrimento pelo quais passamos ao chegar em terra firme, numa terra estranha, de gente estranha, que media a sua desumanidade pela cor da nossa pele.
Expostos, feito mercadorias. Apalpavam-nos, abriam nossas bocas, examinavam os nossos corpos como se vissem em nós suas mulas humanas para um trabalho desumano. Vendidos em lotes, separados por compradores, víamos o que tínhamos como parentes e membros de nossa família, sendo levados já acorrentados sofrendo os maus tratos pelo corpo, já que o sofrer da alma, era bem maior que os castigos físicos que estariam por vir.
Não! Os verdes prados da minha terra não seriam mais avistados, pois deixamos para trás com a certeza de nunca mais receber nos olhos, o brilho do nosso sol da mãe África.
Até nunca... até nunca mais meu chão sagrado. Creio que este era o maior lamento do nosso povo, preso em correntes pelas mãos e pés. Adeus liberdade, pois a partir daquele momento, seríamos usados para servidão dos mais cruéis tratamentos dispensados a um ser humano.
Um dia, apresentaram-nos a Lei do ventre livre, também chamada de Lei Rio Branco, (Lei número 2040) datada de 12 de maio de 1871, promulgada em 28 de setembro daquele ano. Os filhos dos escravos nasceriam livres da servidão. (LIVRES?) Que já se arrastava por anos e anos.
De certa forma uma conquista que teria sim, um avanço para o começo do fim da escravidão.
Assim, uma nova Lei seria apresentada, de número 3.353 datada de 13 de maio de 1888, que assinada por uma Princesa por nome Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon Orleans de Bragança que extinguia de vez a escravidão no Brasil, país ao qual meu povo servia com lágrimas suores e sangue exaustivos nas labutas.
Pedaços de nós, ficaram nos pelourinhos após receber os açoites cruéis das chibatas que cortavam nossas carnes.
LIBERDADE... O NEGRO ESTÁ LIVRE... EU SOU LIVRE...LIVRE...LIVRE...LIVRE?
LIVRE? Como livre? Não tínhamos casas, nem terras, nem para onde ir, pois nada conhecíamos (ALÉM CERCAS) um pedaço de papel dizia que éramos livres, mas as nossas identidades estavam perdidas nos canaviais. Nossos sonhos, nossos desejos, nossas famílias, nossos irmãos, nossos parentes. Onde estavam todos?
Como recomeçar? Continuávamos sendo pretos, e só sabíamos obedecer.
Chegamos (Sabendo lidar com toda indiferença) ao avanço dos anos que vieram. Nossas senzalas, agora eram as favelas nos centros urbanos, enfiados lá numa periferia onde almas não residiam, e assim, fomos criando nossos quilombos, ajuntando aos poucos os nossos parentes e irmãos de peles de alma, de sangue de África, de Brasil de Banto, de orixás, de candomblés, de feijoadas, de crenças de gestos e costumes dos nossos ancestrais.
Superamos alguns sofrimentos, mas um outro nos acompanharia por onde quer que fossemos: ERAMOS NEGROS – ALFORRIADOS, MAS NEGROS, PESSOAS DE PELES PRETAS, que contrário aos brancos, residiam melhores, comiam melhor, dormiam melhor, viviam melhor e quando remunerados, éramos os de menores valores.
Estudamos, aprendemos outras profissões, erguemos junto a tantos discriminados, as maiores cidades do país.
Em cada canto de parede erguida, tem a marca do suor dos negros, dos menos abastados, dos aventureiros, de outros imigrantes, e de brasileiros sem muita escolaridade vindos do Nordeste, do Norte e de várias partes do mundo.
Recebemos Quotas, chegamos a faculdade, formamo-nos, ocupamos espaços onde BRANCOS X NEGROS travaram juntos as batalhas para vencermos nossas diferenças.
Está tudo ás mil maravilhas? NÃO! Mas algo mudou e tomara quem mude para melhor. Até o final do nosso existir, iremos sempre acreditar que somando, superaremos nossas diferenças e dificuldades pelas quais a vida e a má informação fizeram-nos passar.
Fim
Da narrativa, desejando que também seja o FIM de todo preconceito que nos desumaniza.
Carlos Silva (75) 99838 -5777
Faz tempo que não te vejo
O tempo e o destino, traçaram rumos e metas diferentes para cada um de nós.
Perdoe-me amigo, se não lembro mais o seu rosto, se esqueci de verdade o retrato do teu estampado inocente sorriso, por não saber hoje medir o tamanho do abraço que a gente deu na partida, ou da lágrima que timidamente tentávamos esconder, pois sabíamos que a distância nos separaria dos campinhos de bola, das bolas de meia, das bolinhas de gude, das cocadas, dos ki-sucos na feira, dos dias de chuvas a correr pela rua, ou fazendo barquinhos para que fossem levados pelas enxurradas. Dói no peito esse lembrar, e hoje, por não ter um ombro amigo, choro sozinho as minhas lembranças. Quem dera...
Quem dera eu poder voltar no tempo onde a civilização não tivesse me engolido e voltar a correr pelas ruas em dias chuvosos, só para ter o prazer de ser criança outra vez
Mesmo sem poder medir, sinto saudades das nossas mãos se encontrando, das nossas conversas e brincadeiras no recreio, ou da saída do “Prédio Escolar” onde dividíamos os primeiros saberes para o nosso caminhar.
Tínhamos 10 anos, hoje estou com 68 e nunca mais tive a grata alegria doada pela vida em reencontra-lo.
Mas nos vemos, ao ver os meus netos correr atrás de uma bola (Não mais de meia) calcando os pés (não na lama) mas na grama macia do jardim da minha casa onde hoje repouso meus pensares prazerosos, em momentos de memórias e saudades sentidas.
Em minha mente, em algum lugar do meu cérebro, restou-me o recordar do teu nome: Pedrinho de Lia. (Cabeça de traíra) era essa alcunha que você tinha e que por sinal não gostava.
Ainda guardo as bolinhas de gude que ganhei de você. Eu as guardei como forma de sempre lembrar de uma infância que o tempo arrastou para o bem distante, junto a tantas chuvas que molharam essas nossas separadas e tão longínquas terras chamadas lembranças e saudades.
Por onde anda Pedrinho, e os demais que juntávamos, em baixo da jaqueira, para decidir qual a próxima aventura que faríamos naquele dia. As opções eram: Açude, Tanque Grande ou simplesmente caminhar até o Pé da Serra.
Éramos muitos, mas tem um que marca mais o nosso trilhar, o mais amável, o mais engraçado, o mais chegado, o mais amigo. Sempre tem um que o destino separa para nós, como se para marcar a nossa vida, e evitar que nos esqueçamos que um dia tivemos uma infância que carregaremos pro resto das nossas vidas.
De certo que eu trocaria o que tornei-me, ao longo da minha caminhada, para voltar a ser por alguns instantes a doce oportunidade de voltar a fazer os meus barquinhos de papel e solta-los pelas enxurradas das ruas, junto ao meu inesquecível amigo Pedrinho de lia, que sei que jamais o verei, mas que peço a Deus, que se ele ainda estiver nessa terra, que Deus possa abençoa-lo como fez comigo, tornando-lhe um Homem de sucesso na vida, igualzinho Ele fez comigo. Abraço-me nesse momento com lágrimas caindo feito as enxurradas que conduziam nossos barquinhos, na esperança que Pedrinho, onde quer que ele esteja receba esse abraçar.
Com amor, e com muitas saudades, despeço-me, para que as lágrimas não me sufoquem de tristeza, lembrança e dor levado pela saudade.
O planeta agua
“POR FALTA D’AGUA PERDI MEU GADO, MORREU DE SEDE, MEU ALAZÃO”
A música intitulada ASA BRANCA, composta em 03 de março de 1947, por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, que já nos indicava o sofrer pela falta d’agua na aridez do solo nordestino.
A seca a fome a dor de não ter o que mastigar é tão séria, que o ser humano pode imaginar, mas jamais a suportaria, em se falando de um ato universal.
Obras como O 15 (de Raquel de Queiróz, publicado em 1930) Vidas secas (De Graciliano Ramos, lançado em 1938), e tantas outras que abordam esse tema sempre relatando a falta de água e/ou de comida que já foram expostas ao mundo por tantos mestres em todo tipo de divulgação, causando o impacto duro nos corações das pessoas.
Mas, sabemos que as palavras duras, elas tem que ser ditas e mostradas pois fazem parte de uma vida que envolve seres humanos e ditam essas tendências em fatos verídicos, para que em nossos corações haja uma percepção e preocupação maior com os seres HUMANOS IGUAIS A NÓS, e a estes declinemos nossos olhares.
Uma crônica impactante lançada pela revista biográfica LOS TIEMPOS, publicada em 2002, que traz intitulada A CARTA ESCRITA EM 2070, creio que seja um apanhado de todas as narrativas já apresentadas desde os séculos passados.
O homem, a vida, sua ambição e comportamentos variáveis que já contemplei ao longo dessa minha vida, faz-me abrir um parêntese para fazer uma breve colocação em se tratando dessa crônica que achei muito interessante, e para ilustra-la melhor, eu acrescento relatando:
“Uma garrafinha de 250 ML de água, hoje você compra no supermercado a R$ 0,80 centavos e os vendedores ambulantes repassam por R$ 2,00. Um galão contendo 20 litros desse precioso líquido, vendem por R$ 8,00 (Esse era o preço que eu pagava quando consumia estas águas), que por duvidar da procedência parei de consumir. Tenho medo, que as mesmas medidas utilizadas hoje, nos assombrem com o seu custo num futuro próximo. Como ficariam esses preços?
Vejamos: Uma garrafinha contendo 100 ml de água, custariam de R$ 900,00 a R$ 1.200,00. Mas o brasileiro, como gosta de levar vantagem até quando está matando alguém (Pois em muitos casos pedem a senha do cartão de credito, antes de cumprir seu ato assassino) cobraria de R$ de 2.000,00 a R$ 3.000,00.
E no mais alto nível da exploração humana praticado por este ser ganancioso, Um galão com 20 litros, chegariam a míseros, 30 ou 40 mil reais.
Tudo isso (mesmo sendo de forma ilustrativa) é uma realidade comportamental pois está intrínseco no sangue e na alma humana”.
Os valores hoje, valem mais que as vidas, o exemplo está notório no comercio, nos supermercados, Padarias, açougues, feiras, prestações de serviços de toda e quaisquer espécie, vimos o (APROVEITAMENTO) das pessoas que aumentaram os preços de mercadorias
Roubos de águas em tanques, em rios, ou nas transposições do São Francisco, seriam combatidas a bala, com jagunços doidos pra apertar o dedo contra a cabeça de um cidadão SEDENTO.
Dessalinização das águas dos mares, já poderiam (EM GRANDE ESCALA) está sendo feito no mundo inteiro, para evitar o pior.
A CARTA ESCRITA NO ANO DE 2070, cuja crônica faz um alerta de extrema reflexão.
Ainda dá tempo salvar o planeta depois de tanto destruição que causamos a nós mesmos?
Dizem que Deus nos perdoa, mas a natureza, jamais perdoa o que com ela fazemos.
Reflitamos nessa crônica dentro de outra crônica.
Carlos Silva
Um cheiro, um delírio
Por vezes, eu até te vejo de longe, te imagino mais perto mas você aprendeu evaporar com muita facilidade.
Um dia ouvir voce dizer: Belo passarinho, se tu não estivesses "preso" eu te levaria pro meu ninho. Assim disse e evaporou de perto de mim, talvez por medo de me querer como eu sempre te quis.
Mostra-me teu ninho, que farei das minhas as tuas asas, e te aconchegarei em mim sentindo o cheiro dos teus negros cabelos e beberei teu hálito quente no calor do teu amorenado corpo que tem gosto e cheiro de canela.
Farei de tudo, para em ti, aprisionar-me de vez sem nunca mais pensar em liberdade, sem que estejas comigo por onde juntos formos.
E ao dormir de vez, será teu rosto, o último que terei o prazer de contemplar ja sentindo saudades mesmo antes de partir.
Livre leve feito livro
Juntei as letras
Unir os versos
Me tornei livre.
Abri as páginas
Lambi os dedos
Folheei as bordas.
Passei os olhos
Entendi tudo
E ri sozinho.
Dancei com letras,
Bebi os versos
Me tornei livro.
Fui personagem
Diadorim
Fui berro d'agua
Eu fui Ismalia
Subi aos céus
Desci ao mar
Fui sinfonia
Sou Guarany
Peri Ceci
Eu sou a cor
Sou canela
E Coralina
Já fui Visconde
Vesti de milho
Brinquei Lobato.
Afastei pedra
Do meu caminho
Conforme Andrade.
E de um quarto
De despejo
Eu fiz um mundo
Livre, leve feito livro.
******************
Carlos Silva
14/10/2019
04:39 de uma nova manhã
O silêncio que oprime
• Como falar para Maria sobre flores, se em seu caminho só lhe mostraram espinhos?
• Como exigir dela um sorriso, se seu rosto só conhecia as teimosas lágrimas?
• Com dizer sobre o amor, se somente o ódio conhecera?
• Como lhe fazer um carinho, se muitas mãos só desferiram tapas em seu rosto?
• Como lhe mostrar o bem, se o mal lhe fora companhia constante?
• Como lhe convencer em elogios, se só conhecera humilhação?
• Como tecer elogios para elevar sua estima, se tudo que ouvia eram palavras que a feriam?
• Como penteá-la, se os seus cabelos, por tantas vezes, foram arrancados?
• De que forma ela se arrumaria, se suas roupas (por obsessivos ciúmes), foram lançadas ao fogo?
• Como pedir que ela grite, se nem forças para pedir ajuda ela teve?
• Como implorar perdão, se agora ela não pode mais perdoar?
• Como lhe falar de vida, se agora Maria está morta?
• "Todo constrangimento causado a uma pessoa, é uma forma cruel de humilhação".
• Toda palavra dirigida com tom racista, ameaçador e agressivo, é uma forma de agressão.
• Se você souber de algum caso de maus tratos contra a mulher, a um idoso, ou a uma criança, por favor, não espere chegar uma época de CAMPANHAS EM PROL DESSAS CAUSAS.
Denuncie imediatamente. Disk 180.
• Não precisa se identificar. Procure a DEAM (Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher)
• Maria, nome da Santa, não teve a Penha para livrar-lhe do sofrer, pois no fundo do seu coração manchado de dor, carregando hematomas por todo seu corpo, ainda nutria o desejo de ver José parar de lhe maltratar.
Carlos Silva – poeta cantador.
(75) 99838 – 5777
E-mail
[email protected]
Literatura de cordel
LITERATURA DE CORDEL
Carlos Silva
CAMPANHA NOVEMBRO AZUL
“Uma questão de atitude
Cuide bem da sua saúde”
Na casa de Juão Putêncio
Alguém foi lhe visitar
Todos vestido de branco
Com máscaras pra evitar
A contaminação do vírus
Que estava a se espalhar
Senhor João boa tarde
Como está a sua lida
Tá se precavendo bem
Nessa terra tão querida?
Eu vim falar de uma campanha
Pra cuidar melhor da vida.
O Senhor tá urinando bem
Ou tem alguma dificuldade
Já fez exame de próstata
La no posto da cidade?
O senhor tem que se cuidar
Por conta da sua idade
Esse negoço de “prosta”
É que o doutor incarca o dedo?
Não gosto nem de falar
Quanto mais de manhã cedo
E lhe confesso que eu
Não gosto desse enredo
O Agente foi explicando
Que isso é uma prevenção
Que com um simples exame
Pra esse tema em questão
Seria feito sem o toque
Disso não tinha precisão
Mas é melhor prevenir
Do que então remediar
É um ditado bem antigo
O Senhor já ouviu falar
Pois essa doença mata
Sem medir tempo e lugar
Juão Putencio encarou
Os visitantes e disse:
Isso é coisa do capeta
Que inventou essa “Inventice”
Butar o dedo no botão
Eu não permito essa tulice
La vem essas modernagens
São elas que me consomem
Maquinas que ver por dentro
Então outras atitudes tomem
Inventem uma para o reto
Pra não tocar no anel do homem
É muita “Humilhatividade”
Esse fato eu não aceito
Cume qui a pessoa estuda
Sendo cabra de respeito
Pra depois enfiar dedo
No traseiro do sujeito?
E se o cabra gostar
Do jeito cás coisas tão
Tudo aqui tá revirado
Mudando de posição
Esse “inzame” é sem vergonha
No meu, não metem dedo não
Eu como abroba todo dia
Inda mastigo a simente
Essa doença não me pega
Nem mermo se ela tente
Eu cá estou privenido
Disso não caio duente
Minha amada vovó Dotô
Ela tinha muita sabença
Que aprendeu com os índios
Lá das bandas de Olivença
Ela tinha receita pra tudo
E curava qualquer duença
Mas eu cá lhe agradeço
Pela visita recebida
Mas estou sempre me cuidando
Na empreita dessa lida
Pois o que mais gosto Dotô
É de zelar da minha vida
Agora me dê licença
Pois preciso me ausentar
Tenho coisas pra fazer
Que eu não posso adiar
Mas se eu sentir alguma coisa
Eu irei lhe procurar
Aqui termina a visita
Na casa de SEU JUÃO
A equipe foi embora
Agradecendo a atenção
João depois disse a si mesmo
NO MEU NÃO METEM O DEDO NÃO
Toda essa comicidade
Foi somente pra ilustrar
O início da narrativa
Que irei apresentar
Então a nossa historia
Vamos aqui começar.
A equipe se dirigiu
Pra casa de Bastião
Um matuto desletrado
Que lhes deu toda atenção
Mostrando sua gentileza
Desde a entrada do portão
Nobre Senhor Bastião
Mais cedo vir eu não pude
Quero aqui lhe perguntar
Se tá tomando atitude
E cuidando direitinho
Pra ter sempre sua saúde?
Doutor estou me cuidando
Com certa dificuldade
Ando pouco enxergo menos
Faço as coisas com vontade
Mas deixe eu começar a prosa
Sem rodeio e sem maldade:
Fico cá imaginando
Flutuando a mente em nada
Me perguntando seu moço
No correr dessa estrada
Qual será a sensação
De receber uma dedada?
Nos tempos do meu avô
Do bisavô e de papai
Não se via essas coisas
E nada disso me atrai
Por aqui não entra nada
E com certeza só sai
Vem agora umas campanhas
Se vem do norte, ou do sul
Ou trazida da Alemanha
Da Rússia ou de Istambul
Pra enganar minha ciência
Chamam de NOVEMBRO AZUL
Homem que é homem não aceita
Essa tal situação
Receber uma dedada
Isso é invenção do cão
O Mundo tá esculhambado
No meu, não entra dedo não.
Querido Sebastião
As coisas estão mudando
Os Homens querem viver
E estão melhor se cuidando
E se os dias de suas vidas
Estão de fato aumentando
Respeito o seu pensamento
Mas quero aqui relatar
O Câncer de próstata mata
Por isso temos que cuidar
E fazer essa campanha
Pro mundo todo alertar
Não fere a masculinidade
Mesmo sendo desagradável
Pois o Homem é machista
Isso pra ele é insuportável
Mas cuidando no tempo certo
Lhe fará um ser saudável
Por isso viemos aqui
Com carinho lhe alertar
Se cuide a todo instante
E se quiser engajar
Essa tão bela campanha
Venha junto pra somar
Caros amigos acreditem
Devemos nos precaver
Na narrativa acima
Muitos não querem entender
Que o cuidado é necessário
Disso não temos que morrer
Lá vou contar uma história
Que não é nenhum segredo
Usar palavras diretas
Pra não perder o enredo
Homem que é homem se cuida
Supera o trauma do dedo
O toque que o médico faz
É pra fazer a prevenção
A próstata pode crescer
Em inevitável evolução
Se cuidar é necessário
Tome a sua decisão
Novembro azul é só um símbolo
De uma perfeita campanha
Assim como é o AMARELO
E o ROSA com força tamanha
As cores não salvam ninguém
Mas, mais saúde a gente ganha.
A machesa não ajudará
Se é isso que você pensa
O toque retal evitará
A propagação da doença
Se cuide e queira o seu bem
Por isso fará diferença.
O câncer é doença terrível
A sua missão é matar
Destrói sonhos e vida
Sofrimento vem pra causar
Se proteja, a vida lhe ama
Não desista nunca de lutar.
Não é um exame imoral
Nem causa constrangimento
Pois ele se faz necessário
Para evitar um tormento
O fato é sério é real
Evita um pior acontecimento.
Um dia iremos morrer
Mas se puder se cuidar
Viverás um pouquinho a mais
Para essa vida gozar
O CANCER DE PRÓSTATA É UM MAL
Mas você pode evitar.
Peste muita atenção
À campanha do mês de novembro
Traz a cor azul para o homem
Amarelo foi pro mês de setembro
O rosa pro Mês de outubro
Dessas cores bem me lembro
Então vamos prevenir
Alertar a nossa gente
Essa campanha é forte
Seja você inteligente
É QUESTÃO DE ATITUDE
Pra viver alegremente.
Meu aliado tempo
Tenho sob minhas lembranças, o tempo que de mim cuidou e que se fez presente em cada amanhecer, em cada entardecer e zelou as minhas noites de sono embalados pelas cantigas de ninar da minha mãe.
Cresci, e o tempo comigo sempre esteve acompanhando as minhas lutas, umas em cheias e outras em vão, como assim dizia minha mãe, quando queria nos ensinar algo que a vida nos dava, mas que também nos tirava sem prévio aviso.
Ele, o tempo, tornou-se meu tutor, responsável pelos passos que daria na vida após a minha saída de casa em busca da independência, em busca de conhecer o desconhecido. No fundo eu me perguntava: Porque sair de casa de onde tempos tudo sem pagar nada por isso?
Muitas por incontáveis vezes, chorei de saudades de casa, da cama arrumada, perfumada, da comidinha quente de mãe, dos conselhos e correções do meu pai e dos abraços recebidos dos irmãos que junto comigo dividiam sonhos e lutas de viver numa cidade tão pequena, mesmo que tivéssemos nascidos numa megalópole que para trás deixamos. Dos amigos que serviram de base de sustentação da infância livre e sem compromisso de nada.
Os tanques, rios, pescarias, cajus, laranjas, mangas, ficaria a partir da minha ida, apenas na lembrança do gosto imortalizado no céu da boca. Cada lembrança, era um motivo para um choro doce. Não de sofrimento, mas de muitas saudades.
Reconhecia que aquele torrão era o conforto dos nossos sonhos onde todos conheciam todos, e todos (DE ALGUMA FORMA) procuravam ser felizes com o que tinham, com o que eram, com o que faziam para tocar suas vidas interioranas e tão pacatas, mas envoltos em sua paz costumeira e tão cumplice de cada um.
Tudo aquilo seria, em breve, meus objetos de saudades plantados no coração que mesmo antes de ir, já desejava voltar e por ali ficar até quando a vontade de sair esquecesse de mim.
Reconheço que ali era nosso novo universo, mesmo sabendo que chegaria a hora que cada um de nós levantaríamos nossos voos mais longínquos de onde vivíamos, para tentar como tantos, saber o que existe do outro lado das montanhas, onde as nossas vistas somente avistavam o lado daquele sertão que tanto conhecíamos. Após as curvas e as ladeiras, tínhamos uma visão dos montes que víamos imensos no final do horizonte, em cada pôr do sol, como a nos chamar para desbravarmos esse vasto mundo.
Assim, cada um de nós, na proporção devida, seguimos nossos itinerários diferentes, afastando-nos e carregando em nós, somente as boas e imortais lembranças de tudo aquilo que um dia, o tempo nos proporcionara com tanta leveza e perceptível inocência.
Cá estou eu, lembrando um lembrar que para traz deixei há muitos anos. Não sou mais criança, as coisas mudaram, pessoas partiram, os mundos de outrora agora estava dividido em muitos mundos, e para muitos, guardados lá no tempo do esquecimento.
Quer saber de uma coisa? Sem que ninguém me veja fazê-lo, vou chorar um pouquinho escondido, para somente a minha alma notar que estou com muitas saudades do meu tempo que se passou, e com ele, arrastou minhas lembranças que hoje só posso dividi-las comigo e com minhas lágrimas solitárias.
Carlos Silva, em mais uma poesia para Itamira, Município de Aporá, Estado da minha querida e tão amada BAHIA.
UMA DATA PARA NAO ESQUECER
ALBERTO DE JESUS DOS SANTOS segue pela rua, noite fria de uma insistente garoa. Seus passos aumentam de acordo o ritmo dos pingos que agora tornam-se mais fortes. Estava ansioso para chegar em casa, pois era aniversário da sua filha Rebeca que estaria completando naquela data, naquela noite de garoa os seus 6 aninhos de vida. Ele aumenta os passos por vários motivos que impulsionam seu caminhar.
Eis que surge na mesma rua uma viatura de polícia, que ao passar por Alberto, freia bruscamente e já lhe dá a voz autoritária: ENCOSTA NA PAREDE.
Bairro de classe média, todo mundo é suspeito, principalmente sendo negro, andando em passos apressados pela noite e com o tempo chuvoso, dava o tom característico (Na visão do policial) que se travava de um suspeito.
Ele tenta falar algo mas é interrompido. O policial desce de arma na mão e diz: Mandei encostar na parede, seu preto safado.
Seria pela cor o emprego da elevação do tom de voz daquele funcionário público, que ao vestir uma farda e empunhar uma arma, agora tornava-se tão arrogante?.
Alberto obedece e já começa MANTER O CONTROLE DA SITUAÇÃO, pois sabia que naquele momento, sua pele estaria em plano de condenação por parte daquele policial.
O que você tem nessa mochila crioulo? Ele responde: É um bolo que estou levando para o aniversário da minha filha Senhor.
Bolo de aniversário? Tá chique em negão. Deixa eu ver, abra essa mochila. Alberto tenta fazer com cuidado para não amassar o bolo, mas o policial puxa com força e o bolo cai na calçada.
A Ira de Alberto se inflama, mas ele tenta não transparecer isso para não piorar a situação.
Sarcasticamente, o REPRESENTANTE DA LEI DIZ: - Que pena, negão, parece que não vai ter mais aniversário. Ele pisa no bolo enquanto pergunta ao indefeso contribuinte (que inclusive paga pela farda, pela viatura, pela gasolina, mas só não paga pela truculência desse despreparado policial) Você tem passagem pela polícia? Mostra os seus documentos, negrinho.
Ele pede autorização para pegar sua carteira (lentamente) pois não queria fazer nenhum movimento para que o seu interlocutor não achasse que ele estava reagindo aquela abordagem.
O POLICIAL PEGA A CARTEIRA E ABRE LENTAMENTE PARA CONFERIR A DOCUMENTAÇÃO.
Usa a lanterna para melhor fazer a leitura, Um outro policial desse da viatura e pergunta: Tudo bem ai Sargento? Sim, está tudo bem. Só vou conferir os documentos desse crioulo. A gente bem que podia dar uma ciranda com ele né não?
Deixa esse preto ir embora, é só mais um vagabundo vagando pela rua.
Alberto continua imóvel e sem que eles percebam aciona o celular, como se fizesse uma comunicação em secreto.
O debochado policial rir e acha até interessante a ideia da CIRANDA.
Mas é aconselhado a apenas fazer a revista. Aquilo não era uma revista, era na verdade uma humilhação, pela qual o Sr. Alberto passava naquele momento
Ao analisar a documentação, o Sargento fica estarrecido, olha para a sua PRESA, ali imóvel á sua frente sem lhe dizer uma palavra sequer. Ele olha para o colega, e ao fazer a leitura, da identificação onde se lia:
“República Federativa do Brasil – Ministério da Defesa, EXERCITO BRASILEIRO (Serviço de Identificação do Exército)
Carteira de Identidade numero (xxxxx) Lei 3069 de 08 de Janeiro – e Lei 2136 de 29 de agosto de 1983
Nome ALBERTO DE JESUS DOS SANTOS
TENENTE CORONEL R1”.
Afasta-se , faz continência e começa pedir desculpas. Nisso um carro preto com 5 oficiais do Exercito, chega naquele exato momento, um helicóptero faz a varredura do local com possante holofote.
Eles rendem os policiais da viatura, e perguntam ao TENENTE CORONEL ALBERTO: Está tudo bem Senhor?
Sim. Quero que prendam esses marginais fardados imediatamente, comunique aos seus superiores que tratem da expulsão imediata da corporação e prisão desses maus servidores.
O Arrogante policial ia falar algo, mas o Tenente ordenou: CALE A SUA BOCA SEU IDIOTA. Eu tinha deixado o meu carro a poucos metros daqui porque tinha furado o pneu e a garoa foi aumentando e eu tive que aumentar os passos para chegar em casa quando você de forma irresponsável me fez perder o bolo de aniversário da minha filha.
Você terá tempo para pensar na merda que você fez, achando-se superior a outra pessoa por conta da sua pele.
As providencias foram tomadas, conduziram os policiais para a sua respectiva corporação onde foi lavrado o BO, onde os ocupantes da viatura tiveram suas prisões efetuadas para procedimentos futuros regido pela legislação.
Lição:
Não se olha, não se mede e nem tampouco se condena alguém pela cor, pelas vestes, pela aparência, pela forma de falar, de andar, de comer, ou pelo local onde mora, pelo partido que vota, pelo time que torce, pela cidade ou estado que vive. Cada cidadão tem o direito de ir e vir, pois este direito lhe é assegurado pela Constituição Nacional Brasileira , conforme art. 5º, da Constituição que diz:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.