EM MEU PEITO ARDE UM VULCÃO
sem medo de encantar o coração.
Alguns, trazem um relógio no peito
marcando o tempo num tic-tac sem noção.
No fim de tudo
o tempo marcará nossa passagem.
Seremos cinzas!
Mas eu fui lava, sonho, paixão!
Carrego sementes de palavras
levo um sol aqui
uma noite ali
arranco um passado
e planto um esquecimento
para não ver mais brotar a dor.
Dentro do bolso levo
sementes de trocados
documentos inúteis
e chaves que não abrem portas.
Hoje vi renascer uma palavra antiga
cheia de encantos, alegrias, bondades
surgiu como um broto abrindo-se em flor
depois foi dormir trancada em silêncios.
Quero plantar uma floresta de palavras
todas iguais, que não tenham amargura
inveja, tristeza. Vou dizê-la todo dia.
Não me importam os reinos
a palavra é ser feliz.
A tarde cai como areia
Do alto da duna incendeia
O sol em lentas imagens
A tarde cai como pedra
No meio das engrenagens
Do trem que vem do futuro
A tarde cai como uma virgem
Pálida e desesperada
Com medo da madrugada
A tarde cai como pássaro
Ensanguentando a cidade
Nas ruas do infinito
A tarde cai como Vera
No chão, no mar, no colchão
Mascando pedaços de lua
A tarde cai, mas levanta
E passa a noite acordada
Marcando o raiar do dia
A tarde cai como manga
Doce amarela silenciosa
No ruge ruge dos pássaros
A tarde cai como a tarde
Do alto do edifício
Na porta do restaurante
A tarde cai como água
Que escorre e volta pra terra
No leito das moças que sonham.
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