Lista de Poemas

KILLER SHOW

Breaking news: a strange man was caught downtown last night. He was mumbling words with no sense and a body was on his side. Check it

Sometimes I wish I could be by myself
but the voices never leave me alone
so, I walk till the end of night
and sink in this lonely dark
I want to stay in a safe place
far, far away from these crazy faces
but I can´t, I can´t, I can´t

Roll the dices
and I´ll pick you up there
small, sweet, private ax
let me give you your truly part
your skin is so kind, so terrified pure
I want to feel and smell your perfume
but I can´t, I can´t, I can´t

I want to leave this place
I´m not recognizing this stage
I´m not myself anymore
I just feel pride and want more
but I can´t, I can´t, I can´t

Talking to these voices
I know what to do
and i bet it´s not good for you
fighting against dragons, using swords
I need to leave this world
a simple and lost soul

voices say:
I can´t
anyway
855

PÓS-MASSACRE PANDÊMICO

Quero tirar a maquiagem
da bagagem
e arrancar essa máscara
tão ácida
Quero rever o meu sorriso
nesse grito
sem pressentir a agonia
dessa sinfonia
chamada vida
partida,
bipolar
Não tenho medo, 
nem pouco um lar
Destroços, restos
partidas, lacunas
passos modestos
reais comunas
Sou apenas a pena
leve, que se atreve
no vazio
sombrio
do repovoamento
sangrento
da humanidade
sem identidade
Flutuo,
mergulho,
num precipício 
um início
desolador
ecos e cacos
num mundo deserto
perdas, luto
recomeçar

CAROL, 2020
456

ODE A UM HERÓI DE 90 ANOS

Estamos no mundo há muito tempo
e já é hora de morrer
minha vida foi embora
e não consegui viver
minha diversão não veio
vivi anseios
trabalhei por fora
e esqui da construção
fiz cimento, fiz vitórias
mas não fiz meu coração
Foi assim que em anos
de concreto fiz o tempo
e da falsidade
fiz sentimento
Foi um vento,
houve nomes, houve glórias
houve regras, repressão
Ah, se eu soubesse que chegaria a hora!
...
não há mais tempo

CAROL, 1994
435

LEMBRANÇAS DE INFÂNCIA

Nesses olhos secos
de desertos perdidos
encontra-se o perigo
de viver num grande vácuo
improfícuo
um astronauta,
pauta
neste imenso ser
vazio
sombrio
e o querer
é um capricho
um lixo
manchado de dor
e dissabor,
existência sem essência
Só preciso do seu colo
mas sei que demoro
pra entender
que você não me quer
e uma qualquer,
outra flor,
meu pavor 
terá seu abraço
e meu asco
Sou só 
um muro buraco
no universo
perverso
Lembranças de criança
que hoje é mulher
e sequer
sabe o lado
errado 
ou certo
de pedaços 
dispersos


CAROL, 2020
508

DA SERPENTE À MAÇÃ: QUAL O PECADO CAPITAL?

                                                                     ATO 1
   (Loucura e Sanidade conversam em um quarto escuro e abafado)

Sanidade: Que me responderia se eu te perguntasse aonde vais?
Loucura:   É simples, pois diria que para todos os lados, todas as partes. Cerco rios e pontes, vou ao céu e ao inferno, porque sou a sanidade que não tem cura, sou o real, sou a Loucura!
Sanidade: De todo o modo, por onde vás estarei presente, pois sou o real sou o concreto, sou um tudo em um deserto, o que todos vêem, o que todos sentem, a loucura sem liberdade, sou fiel ao que tu vês, sou a Sanidade.
Loucura: Ora, pois, Sanidade?! Como dizes ser sã, se és louca como eu?
Sanidade: Louca? Como posso ser louca se tua única salvação sou eu? Se, modestamente sou a única cura? Se todas as coisas estranhas sou eu quem as transforma em realidade?Sou a única forma saudável de ver o mundo!
Loucura: Tudo o que é grande você reduz a quase nada, todos os ângulos de enxergar as
coisas você subtrai. Como, ainda, podes dizer que és a única salvação que existe? Só um louco para acreditar em tal coisa!
Sanidade: Ah, então afirmas que um louco acreditaria na verdade? Tens consciência de que ao afirmar isso, nada mais dizes do que concordar que tu dependes de mim?
Loucura: Agora tu te deste mal! A minha suposta dependência pode ser comparada com um pássaro que se alimenta de formigas. Os pássaros precisam de insetos para viver. Se  elas morrem, eles também morrerão. Porém, vós, insetos, também precisais de nós, predadores. Compreendes? Tu precisas da minha existência para existir.

(Saem Loucura ou Sanidade e entra o Amor)

Amor: Onde estou? Qual minha identidade? Sou Loucura ou Sanidade? Preciso finalizar minha  eterna busca do doentio dos apaixonados, de outro está a calmaria dos amantes. Estou sem explicação. Que dizer? Que fazer? Posso não me enquadrar nesse mundo, mas não sou louco, nem tenho razão. Os que amam estão doentes ou doentes são os que petrificam o coração?

                                                                ATO II

Em um bosque da Grécia Antiga, entram, conversando, de mãos dadas, Orfeu e Eurídice:

Orfeu: Oh! Como estás tão formosa, minha Eurídice! O sol, que hoje brilham ao se entrelaçar ao teu suave charme, é para mim o pedaço do Éden. Todas as canções que sei são para ti e, em nome de Zeus, só usarei minha voz para te amar. Sou um mero mortal aprisionado em teu amor.
Eurídice: Meu doce Orfeu, como é bom olhar para ti e ver teus olhos brilhando. Amo-te tanto,  que nem o canto do mais belo pássaro, nem a mais formosa flor poderão expressar tal sentimento.
Orfeu: Eurídice, Eurídice, como é bom ouvir tais palavras e crer em tudo isso!
Eurídice: Nosso amor é tão real que a loucura está distante de alcançar nossos sonhos.
Orfeu: Tudo o que posso dizer-te, usando minha lira e minha humilde voz, é que te amo...

(entra a Serpente)

Orfeu: Eurídice, cuidado! Atrás de tua beleza, um monstro te persegue!...Oh, não! Eurídice!!!

(Serpente ataca Eurídice)
(Eurídice cai inanimada. Orfeu abraça-lhe o corpo)

Orfeu:Eurídice, como pode?! O que aconteceu contigo, minha amada?! Fala comigo! Dá-me, ao menos, um sorriso!...Juro pelas minhas lágrimas e pela minha voz que hei de ter-te novamente em meus braços. Juro por meu pai Eagro, o deus-rio, e por minha mãe, a musa Calíope, que te terei de volta! Juro que quando o sol surgiu novamente no horizonte de minha alma, estarei contigo ao meu lado e serei capaz de cantar e ver todo  o brilho dos nossos planos e sonhos surgirem novamente em nossas vidas. Poderei  dar-te todo o meu amor e assim poderemos juntos enxergar todas as coisas do   mundo da forma como fazíamos...Eurídice!

(Aproxima-se a Serpente)

Serpente: O veneno do ser humano mostra-se na hora de dor, de desespero. O homem pode até ser bom em dias de sol, em dias de glória, mas quando surge a angústia, aí sim é que ele mostra sua face sombria e seus gestos se tornam hostis, na busca desesperada e muitas vezes inútil de obter algo valioso de volta. Seus dias se transformam em horas vazias e sem sentido, sua vida fica oca e ele é reduzido a nada. A realidade o invade de tal forma que a loucura começa a persegui-lo. Todo o seu desejo de vingança torna-se o único motivo para agir. Ah, Orfeu, tu não serás diferente do resto dos mortais! Vais sofrer, desesperar-te, maltratar-te e, enfim, a realiade terá tamanho peso que a loucura o alcançará. Serás como o pior verme que  já habitou o mundo.

                                                      ATO III

(Novamente no quarto escuro conversam Loucura e Sanidade)

Loucura: Orfeu ficou louco! Orfeu ficou louco!
Sanidade: Presta atenção ao desfecho da história! Orfeu não enlouqueceu porque se entregou  à realidade!
Loucura: Estúpida, ele enlouqueceu porque fugiu de ti!

(Entra o Amor)

Amor: Acalmem-se, meninas! Orfeu adoeceu de amor, vocês foram mera consequência.
Loucura e Sanidade: Verdade?!
Amor: Observem que a cada caso de loucura, a causa principal foi um forte sentimento por alguém ou algo. Isso se chama amor mal resolvido, logo, vocês são apenas um acessório do amor.

(Humilhadas, saem Loucura e Sanidade. Entra a Serpente)

Serpente: Sabes, Amor, descobri teu segredo.
Amor: Ora, já era tempo, afinal, alguém teria que saber que sou o melhor e mais profundo    sentimento!
Serpente: Engana-te, medíocre! Tu não passas de um amador. Finalmente descobri que da maçã à serpente, do Éden ao Inferno, tu és o pecado capital.
Amor: Vais morder-me e espalhar o teu veneno, monstro bestial?
Serpente: Jamais sujaria meus lábios em ti, pois meu pior e mais letal veneno seria mais  limpo que teu caráter.

(Serpente esfaqueia Amor, matando-o. Fecham as cortinas)


ANO: 1999


456

DOCES SONHOS DE UMA GAROTINHA

Ela dormiu como a muito tempo não fazia. Deitou-se levemente sobre as cobertas e acolheu-se num mundo só seu. Era tão bom ficar só e não precisar entender o mundo, sentir que tudo era só seu e que nada lhe faltava. Era uma vício.
        Fechou os olhos e sonhou. Como era bom, longe das gritarias e neuroses da vida, ver e sentir o que era carinho! Vínculos que jamais teve antes.
        Virou-se de lado. Estava entrando na zona proibida. Viu a realidade que nunca vira: pessoas lhe falavam coisas, um abraço apertado, uma imensidão de sentimentos bons preenchendo todo aquele vazio. Sentiu-se querida e superou seus traumas que antes ninguém dava atenção. São tão egoístas as pessoas! Tudo bem, continuou sonhando.
        Entregava-se, agora, às sensações. Via-se distante de tudo o que sempre foi. Todo aquele sentimento de que estava sendo a mais, de que estava atrapalhando, foi embora. Perdeu, por um instante, a mania de ferir-se. Perdeu o jeito de machucar-se.
        Andou, de novo, por essa terra mágica e encontrou uma criancinha: linda garotinha, sem traços dos antepassados, brincando calada, sufocada pela mentira. Ficou distante, observando. Então sentou e pensou "será que estava sendo injusta ao sentir tudo aquilo?" Então ficou com medo de ter ido além. Era, agora, uma traidora, uma louca, insana.
        Uma lágrima percorreu seu rosto. Calou-se, como era de costume. Tinha medo de magoar pessoas. Então, acordou e levantou-se.
        Tudo estava igual a antes: caos. Até quando iria continuar? Talvez até que a loucura ou egoísmo absoluto chegasse.
        Teria solução? ...Não, não pense besteiras, minha garotinha. Não perca o único vínculo concreto com a lucidez.


ANO: 1998
324

SOU CULPADA

Sou culpada pelo mundo
pela falta de existência
sou culpada por mim
pela pouca inocência
pelo medo, ignorância,
preconceito, pelas palacras
Sou culpada,
única culpada,
pela tristeza, por não ser nada
por mim mesma
sou culpada...
Sou culpada pela ausência de vida
pela frieza
pela escuridão
pelas lágrimas
pela imensidão
sou um monstro
anti-social
sou culpada
uma espécie animal
sou eu, só eu
Sou culpada e mais ninguém
o preço é a vida
pro sol brilhar
pago o preço que for
por não me calar
Sou culpada
irracionalmente culpada
eternamente
culpada


ANO: 1995
319

MARGARIDA

Bom dia, margarida
se tens uma hora
pra ser florida
é o agora
Não demora
pra ser feliz
imperatriz
de sua vida
e sua história
é um presente
do seu Presente


ANO: 2020
296

SENSAÇÕES

Se eu sentir sua boca
oca
roçar o meu seio
sem receio
sei que anseio
por gozar
na sua pele molhada
colada
em mim por suor
quero ser sua amada
mulher
incendiada
na sua carne
um charme
viril
meu macho febril
quero derreter meus desejos
nesse ensejo
de safadeza
e clareza
entre os lençóis
sois anzóis
para pescar o meu prazer
nesse louco entardecer


ANO: 2020
363

A LEBRE E A TARTARUGA

Um dia a tartaruga
resolveu contar vantagens
dizendo que a lebre
não tinha capacidade

A lebre, como de costume,
propôs uma corrida
sendo que a tartaruga
ganhou essa partida

Esse seria o fim da história
se não houvesse um problema
a realidade da trajetória
construir esse poema

A tartariga que, até então, 
era a vencedora da competição
precisou sair correndo
algo estava acontecendo

Não era apenas uma corrida
fugia para salvar sua vida
homens armados se aproximando
um animal estavam caçando

Ela teve uma ideia
e resolveu se esconder
ficando bem quieta
para ninguém a perceber

A lebre,
se achou a melhor
e despreocupada
quase levou a pior

Ela esqueceu completamente
que aquele tipo de gente
estavam com várias armas
e que pelo dinheiro
eram capaz de matá-la

Graças à sua esperteza
com um plano para fugir
ela correu para a mata
e logo voltou a sorrir

Infelizmente
essa é só uma história
muitos animaizinhos 
não conseguem essa vitória

Lutam contra a violência
sem chances de rendição
sem sobrevivência
entram para a lista de extinção


ANO: 1994
557

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber