Lista de Poemas
VELHO SOBRADO
Hoje demolirão
aquele velho sobrado...
e com ele todos os sorrisos
que um dia iluminaram suas janelas.
Sim, aquele velho sobrado será demolido...
levando consigo toda a vida
que um dia pulsou
em suas entranhas de pedra.
Hoje demolirão
aquele velho sobrado...
e com ele todos os segredos
revelados entre suas paredes
de ouvidos atentos.
Hoje demolirão
aquele velho sobrado...
e na poeira
se perderão todos os sonhos
humanamente sonhados
em noites frias e chuvosas
sob a sua proteção.
Sim, sim,
apressem-se com as despedidas
pois, hoje demolirão
aquele velho sobrado...
e logo, outro
e depois outro, outro
e outro, extinguindo toda uma nobre geração.
Hoje demolirão
aquele velho sobrado...
e amanhã
toneladas de história
poderão ser catadas
em migalhas,
em migalhas
no chão!
Publicado no livro "NOVA (DES)ORDEM"
36
AMARGO
Meu pai ao amanhecer
abancava-se solito
com o chimarrão bendito
e seu rádio companheiro.
Mateava sem parceiro,
pois, eu, como um filho ingrato
não via naquele fato
um tesouro passageiro.
Aquela cena diária
com a figura paterna
que eu julgava ser eterna
é página descartada.
Uma chance desgarrada
e perdida no passado.
Algo para ser lembrado
coa consciência pesada.
Pai, seu banquinho de cepa,
parceiro sempre ao lado,
jaz num canto abandonado.
E seu rádio companheiro
emudeceu por inteiro
no silêncio do galpão.
Cenário de tradição
do extremo sul brasileiro.
Hoje, porém, me arrependo
de não ter valorizado
este ritual sagrado
de tomar o chimarrão.
Por isso peço perdão
ao meu pai falecido
por nunca ter preenchido
sua triste solidão.
Poema publicado no livro "TCHÊ"
abancava-se solito
com o chimarrão bendito
e seu rádio companheiro.
Mateava sem parceiro,
pois, eu, como um filho ingrato
não via naquele fato
um tesouro passageiro.
Aquela cena diária
com a figura paterna
que eu julgava ser eterna
é página descartada.
Uma chance desgarrada
e perdida no passado.
Algo para ser lembrado
coa consciência pesada.
Pai, seu banquinho de cepa,
parceiro sempre ao lado,
jaz num canto abandonado.
E seu rádio companheiro
emudeceu por inteiro
no silêncio do galpão.
Cenário de tradição
do extremo sul brasileiro.
Hoje, porém, me arrependo
de não ter valorizado
este ritual sagrado
de tomar o chimarrão.
Por isso peço perdão
ao meu pai falecido
por nunca ter preenchido
sua triste solidão.
Poema publicado no livro "TCHÊ"
30
TEMPOS VERBAiS
Quisera deixar no passado
o que a ele pertence
mas, o tempo de outrora
está sempre presente.
Está sempre presente
em forma de saudade
das pessoas que partiram,
da infância e mocidade.
Quisera viver o presente
esta fera a minha frente
com seus grandes olhos
e seus poderosos dentes.
Seus poderosos dentes
afiados e absolutos
que mastigam os dias
e trituram os minutos.
Quisera ter um futuro
esta coisa abstrata
este tempo sem data
sem lembrança, sem nada.
II
Ora, futuro e passado
cabem na mesma frase,
mas, não nos mesmos planos
pois, entre eles existe
o abismo dos anos.
31
O TEMPO NÃO TEM DÓ
O tempo não tem dó
nem tem tolerância
com quem desperdiça
sua breve infância.
O tempo não tem dó
nem tem piedade
com quem joga fora
sua mocidade.
O tempo não tem dó
e não sente culpa
por quem malgastou
sua vida adulta.
O tempo não tem dó
nem se compadece
com quem se agarra
à sua velhice.
O tempo não tem dó,
passa simplesmente,
levando em seu bojo
a vida da gente.
nem tem tolerância
com quem desperdiça
sua breve infância.
O tempo não tem dó
nem tem piedade
com quem joga fora
sua mocidade.
O tempo não tem dó
e não sente culpa
por quem malgastou
sua vida adulta.
O tempo não tem dó
nem se compadece
com quem se agarra
à sua velhice.
O tempo não tem dó,
passa simplesmente,
levando em seu bojo
a vida da gente.
38
MILAGRE NO ASFALTO
Milagre!
Uma pequena flor
em seu derradeiro ato
nasceu sobre o asfalto.
Mal sabe ela
com sua beleza
que os transeuntes agradecem
pela gentileza.
32
DIA DE BRIQUE
Domingo é dia de brique.
Troco vírus de computador
por traças de livros
e minha última palavra
por hieróglifos primitivos.
Negocio uma máquina de sonhos
precisando de reparos.
Recebo insetos na troca
de um rebanho de ácaros.
Troco uma jamanta de utopias
por um choque de realidade.
Vendo a fração ideal
que me cabe nesta cidade.
Empresto um espaço na janela
para ver uma manhã sorridente
e esperar com paciência
uma estrela cadente.
Compro e pago com versos
uma folha de papel em branco
e troco sonetos incompletos
por uma vaga de saltibamco.
Troco um mar de mentiras
por um pingo de verdade.
E aceito a solidão em troca
de uma falsa amizade.
Estudo permutas ainda
por LP's sem toca-discos,
por uma bicicleta antiga
e dois mínis obeliscos.
Vendo selos muito raros,
e gibis de coleção.
Dou um pé de bota na troca
por uma calota de caminhão.
Vendo um relógio quebrado
que marca horas passadas
e uma máquina de escrever
nunca alfabetizada.
Vendo um roteiro pro futuro
que jamais foi encenado.
Compro retalhos de esperanças
e pago o valor de mercado.
Troco o peso da idade
por um peso de papel
e um bilhete premiado
por um cão fiel.
Lembre! Aproveite! Indique!
Domingo é dia de brique.
33
SANTO DE CASA
Santo de casa
não faz milagres.
Todavia, se os faz
todos fingem não ver.
— Onde já se viu
este santo de casa
está querendo aparecer.
não faz milagres.
Todavia, se os faz
todos fingem não ver.
— Onde já se viu
este santo de casa
está querendo aparecer.
43
O CORTEJO
Hoje na hora do almoço
passei por um cortejo fúnebre
que poderia ser o meu
ou de alguém do meu clã...
pois estar vivo
neste momento
não garante
meu amanhã.
Porquanto, neste instante
uma trama pode estar
ocorrendo em silêncio
no interior deste meu
corpo humano!
Ou, uma fatalidade externa
pode estar se formando
e estará a minha espera
para concretizar o seu plano!
E agora,
enquanto a família
e os amigos
choram e observam
o túmulo sendo preenchido
pelo morto em seu caixão.
Estou aqui
almoçando
com um aflitivo
dilema: será esta
a minha última refeição?
passei por um cortejo fúnebre
que poderia ser o meu
ou de alguém do meu clã...
pois estar vivo
neste momento
não garante
meu amanhã.
Porquanto, neste instante
uma trama pode estar
ocorrendo em silêncio
no interior deste meu
corpo humano!
Ou, uma fatalidade externa
pode estar se formando
e estará a minha espera
para concretizar o seu plano!
E agora,
enquanto a família
e os amigos
choram e observam
o túmulo sendo preenchido
pelo morto em seu caixão.
Estou aqui
almoçando
com um aflitivo
dilema: será esta
a minha última refeição?
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