Lista de Poemas
NA PRAIA
Na praia
há pessoas na areia
e banhos de mar.
Na praia
há surfistas nas ondas
e o marulho singular.
Na praia
há o milho verde,
a agua de coco
e o sorvete
andando prá lá e prá cá...
Não há Netuno,
nem há sereias,
mas há desfiles na areia
e vendedores de peixe
recém chegados do mar.
Na praia há tatuíras,
carangueijos e gastrópodes,
gaivotas e maçaricos
entre outros seres
camuflados à beira-mar.
Pelas marés
que sobem e descem
avançam e recuam
em eterna sintonia
com o luar.
E é na praia que,
sua majestade,
o verão, repousa
antes do outono
chegar.
há pessoas na areia
e banhos de mar.
Na praia
há surfistas nas ondas
e o marulho singular.
Na praia
há o milho verde,
a agua de coco
e o sorvete
andando prá lá e prá cá...
Não há Netuno,
nem há sereias,
mas há desfiles na areia
e vendedores de peixe
recém chegados do mar.
Na praia há tatuíras,
carangueijos e gastrópodes,
gaivotas e maçaricos
entre outros seres
camuflados à beira-mar.
Pelas marés
que sobem e descem
avançam e recuam
em eterna sintonia
com o luar.
E é na praia que,
sua majestade,
o verão, repousa
antes do outono
chegar.
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MEDO
Medo de seguir
medo de ficar
medo de partir
medo de voltar.
Medo de descer
medo de subir
medo de morrer
medo de existir.
Medo de ganhar
medo de perder
medo de lembrar
medo de esquecer.
Medo de chorar
medo de sorrir
medo de acordar
medo de dormir.
Medo de insistir
medo de ceder
medo de expandir
medo de conter.
Medo de dizer
medo de calar
medo de não ver
medo de avistar.
Medo de se abrir
medo de segredo
medo de reagir
medo de ter medo.
33
HAIKAI'S
A folha sem pressa
escolhe no cair dengoso
o lugar do pouso.
***
O mar chega e vai
em ondas, recua e avança
o mar não descansa.
***
A sombra do pássaro
que voa na imensidão
se arrasta no chão.
***
Os pingos da chuva
afagam fraternalmente
a pobre semente.
24
CEMITÉRIO ESQUECIDO
Ah, cemitério esquecido
e morto como seus mortos
no meio de uma coxilha
longe de todos os olhos.
Foi em tuas proximidades
que o campo virou mortalha
ao fim de uma batalha
da grande revolução.
Quantos de teus habitantes
lutaram sem ideal
e agora repousam longe
da sua terra natal?
Ah, cemitério esquecido
nem um mapa te registra,
nem estrada te visita
e não há cerca ou marcação.
Só o vento te cochicha
um punhado de segredos
recolhidos no degredo
sina de todos os ventos.
Ah, cemitério esquecido
com cruzes enferrujadas
e nomes já apagados
de lápides desgastadas.
Hoje o mato nasce e morre
sobre tuas sepulturas
e as raízes se forjam
a tua velha estrutura.
És a imagem do abandono,
da desconsideração
com tantos homens valentes
que repousam neste chão.
Ah, cemitério esquecido
tua localização
só a noite denuncia
através da combustão
Do fogo-fátuo que assombra
o xirú desinformado
que imagina estar diante
de um cemitério assombrado.
29
O ÚLTIMO TREM
Vejo os trilhos abandonados
sobre os quais,
entre britas cansadas,
o capim cresce
sem ser incomodado.
Vejo-os perdendo-se
ao longo da paisagem
para unir com seus braços
de ferro, pregos e madeirames
estações e populações
implacavelmente distantes.
Ah, estes trilhos tristonhos
nem sequer desconfiam
de seus serviços prestados;
quantas viagens,
quanta lenha e óleo queimados,
quantas cargas transportadas,
quantos passageiros
levando consigo
lágrimas de partidas
e planos de chegadas.
Quanto atrito produzido
entre rodas e trilhos,
quantos apitos aflitos
anunciaram sua aproximação.
Quantos olhares estendidos
até aonde a vista alcançava
a espera do próximo trem,
entre tantos e tantos,
que de forma rotineira
surgiam no horizonte
até o dia fatídico,
melancólico e simbólico
da despedida do último trem.
II
Vejo esta tapera agonizante
que luta para se manter de pé
e nem de longe lembra
o seu passado
quando, orgulhosa,
ostentava uma tabuleta
com a informação: Estação...
Hoje, não há mais burburinhos,
não há mais frenesi
não há mais pessoas
vendendo e comprando.
Não há mais conversas entusiasmadas
nem cochichos e dedos, disfarçadamente, apontados.
Não há mais desfiles com a última moda de Paris,
nem pessoas humildes
com as suas "domingueiras"
guardadas para grandes ocasiões.
Não há mais mendigos
e nem crianças chorando.
Não há mais cães perdidos e famintos
vagando entre as pessoas.
Não há mais vagabundos sem rumo
e nem destinos em cada vagão.
Não há mais funcionários, bilhetes
e um chefe em cada estação.
Não há mais malas,
bolsas,
caixas e
bagagens de mão.
Há apenas uma grande saudade
embrulhada para a viagem
a espera de alguém
que em seu íntimo
ainda revive
a partida do
último trem.
sobre os quais,
entre britas cansadas,
o capim cresce
sem ser incomodado.
Vejo-os perdendo-se
ao longo da paisagem
para unir com seus braços
de ferro, pregos e madeirames
estações e populações
implacavelmente distantes.
Ah, estes trilhos tristonhos
nem sequer desconfiam
de seus serviços prestados;
quantas viagens,
quanta lenha e óleo queimados,
quantas cargas transportadas,
quantos passageiros
levando consigo
lágrimas de partidas
e planos de chegadas.
Quanto atrito produzido
entre rodas e trilhos,
quantos apitos aflitos
anunciaram sua aproximação.
Quantos olhares estendidos
até aonde a vista alcançava
a espera do próximo trem,
entre tantos e tantos,
que de forma rotineira
surgiam no horizonte
até o dia fatídico,
melancólico e simbólico
da despedida do último trem.
II
Vejo esta tapera agonizante
que luta para se manter de pé
e nem de longe lembra
o seu passado
quando, orgulhosa,
ostentava uma tabuleta
com a informação: Estação...
Hoje, não há mais burburinhos,
não há mais frenesi
não há mais pessoas
vendendo e comprando.
Não há mais conversas entusiasmadas
nem cochichos e dedos, disfarçadamente, apontados.
Não há mais desfiles com a última moda de Paris,
nem pessoas humildes
com as suas "domingueiras"
guardadas para grandes ocasiões.
Não há mais mendigos
e nem crianças chorando.
Não há mais cães perdidos e famintos
vagando entre as pessoas.
Não há mais vagabundos sem rumo
e nem destinos em cada vagão.
Não há mais funcionários, bilhetes
e um chefe em cada estação.
Não há mais malas,
bolsas,
caixas e
bagagens de mão.
Há apenas uma grande saudade
embrulhada para a viagem
a espera de alguém
que em seu íntimo
ainda revive
a partida do
último trem.
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