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MORRER DE FRENTE PRO MAR


Ah! Se eu pudesse escolher
escolheria morrer...
morrer de frente pro mar.

Esta lágrima de Deus
sobre a qual eu deixaria
a minha alma navegar.
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Poemas

25

CEMITÉRIO ESQUECIDO


Ah, cemitério esquecido
e morto como seus mortos
no meio de uma coxilha
longe de todos os olhos.

Foi em tuas proximidades 
que o campo virou mortalha
ao fim de uma batalha
da grande revolução. 

Quantos de teus habitantes
lutaram sem ideal
e agora repousam longe
da sua terra natal?

Ah, cemitério esquecido
nem um mapa te registra,
nem estrada te visita
e não há cerca ou marcação.

Só o vento te cochicha
um punhado de segredos
recolhidos no degredo
sina de todos os ventos.

Ah, cemitério esquecido
com cruzes enferrujadas
e nomes já apagados
de lápides desgastadas.

Hoje o mato nasce e morre
sobre tuas sepulturas
e as raízes se forjam
a tua velha estrutura.

És a imagem do abandono,
da desconsideração
com tantos homens valentes
que repousam neste chão.

Ah, cemitério esquecido
tua localização
só a noite denuncia
através da combustão

Do fogo-fátuo que assombra 
o xirú desinformado
que imagina estar diante 
de um cemitério assombrado.
46

A BIFURCAÇÃO


Os anos rapidamente
vão nos puxando pra frente 
por este caminho de ida 
que apelidamos de vida.

Levamos como bagagem 
nesta singular viagem 
nossas escolhas, rascunho
de um último testemunho.

Quando a estrada a nossa frente 
abrir assim de repente 
uma derradeira opção 
ante uma bifurcação.
44

INSONE

Em meio à madrugada
acordo acompanhado.
Problemas do cotidiano
agitam-se ao meu lado.
 
Preocupações grandes,
preocupações pequenas
e preocupaçõezinhas de nada
resolveram me cobrar
soluções imediatas.

As horas congelam
e meu sono se vai.
Junta seus trapos
para dormir 
no sofá da sala.

Meus pensamentos nervosos
brigam entre si.
Inutilmente, movo-me 
de um lado para o outro
e tento dormir.

Levanto-me...
sirvo café para as preocupações
e sentados frente a frente
discutimos até o amanhecer.

Publicado no livro "SE ESTA RUA FOSSE MINHA"
48

MEDO



Medo de seguir
medo de ficar
medo de partir
medo de voltar.

Medo de descer
medo de subir
medo de morrer
medo de existir.

Medo de ganhar
medo de perder
medo de lembrar
medo de esquecer.

Medo de chorar
medo de sorrir
medo de acordar
medo de dormir.

Medo de insistir
medo de ceder
medo de expandir
medo de conter.

Medo de dizer
medo de calar
medo de não ver
medo de avistar.

Medo de se abrir
medo de segredo
medo de reagir
medo de ter medo.
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O TEMPO NÃO TEM DÓ

O tempo não tem dó
nem tem tolerância
com quem desperdiça
sua breve infância.

O tempo não tem dó
nem tem piedade
com quem joga fora
sua mocidade.

O tempo não tem dó
e não sente culpa
por quem malgastou
sua vida adulta.

O tempo não tem dó
nem se compadece
com quem se agarra
à sua velhice.

O tempo não tem dó,
passa simplesmente,
levando em seu bojo
a vida da gente.
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