paisagens do além
Nesses nossos lugares
Aparentes
Tão díspares
Eloquentes
Quais os cantares
Que se ouviam
De lugar em lugar
Nesse vale
Que se abria
Ao se ver
Desde a cima
Desse promontório
elevado
Esse algo
Que é levado
E sempre
no coração
É guardado
Esperando
O ser encontrado
Amores Anunciados
Qual o papel a se estender
Nesse ser homem ou mulher
Para melhor representar
Pinturas e palavras a celebrar
Por cada momento vivido
Por cada gesto sentido
Por cada partilha sem mais
Pelo mais simples trilho que sigais
Até recomeçar
A sentir a vida ressoar
E tudo em volta
a se acender devagar
E essa luz que transborda
No calor emanado
Desse ser humano
Nesse brilho que se tem apagado
Ao olhar o reflexo amado
Nesse espírito elevado
Que sorri quando é trespassado
De mão em mão
Entregue
De abraço em abraço
Se eleve
E nesse gesto simples
Dessa atenção humilde
Assim trazer ao de cima
Essa ponte de vida
Na que se crê
E caminha
E se anuncia
Rebentos de Esperança
na teia sossegada
aonde tudo bule
e não se nota nada
em cada passo dado:
seja caminho ou estrada
ao passar tantos lado a lado
procurando o ser compassado
o ser assim... animado...
o regressar ao seu lugar
tantos seres que vogam
voltando sempre a voltar...
Madrid
Os gostos, as texturas, as emoções e os montes de pedras tão belas... tão duras!
As gentes, no seu olhar, mergulho entre ondas e ondas que se repetem sem cessar!...
As ruas, exatas, as praças que neste vagar eterno
reluzem como pratas... calor de inverno
Tão longe e com tanta vontade de se estar perto!
E o renascer, em cada dia alimentar esp'ranças e voltar a crer!
E o definhar, em cada momento no que a névoa cega o teu olhar...
Pontes que unem margens, sem rios para se parar...
docas secas... sem barcas... sem novas águas por onde se navegar...
Artérias pesadas de gentes que vogam ao som de um mesmo cantar
Coração de nação, entre tantos corações a palpitar!...
Curvas sec retas
ir e voltar
e em cada nova vaga
o ser que não se para
recomeça a caminhar...
e vamos e vemos e voltamos
em cada espaço, em cada novo passo
um silêncio a desafiar... e em cada nova pisada
nesta via, nesta moderna estrada... seguir sem hesitar
pulsátil, ágil, volátil... qual o sonho que nos foi dado a cuidar
essa promessa de flor mais bela que se encontra à janela do nosso olhar
essa luz estranha que nos ilumina em cada novo instante desse ser humano inquietante...
esse ser efervescente que nasce e renasce entre a gente quando se junta para celebrar
esse algo efémero que se desprende qual um cabelo para vogar no sopro belo dessa vida a palpitar
e no cinzento escreve poemas ao vento e espalha pétalas de prosa entre azul e rosa...
essa inquietude que não nos larga mais, essa longitude sem medidas iguais
loucuras a horas incertas, por entre as certezas, sempre secretas
compassos sem linhas rectas... e réguas com riscos a mais...
e nessa explosão saborosa
nessa imensidão glamorosa
nesse momento... tu vais!...
descobres florestas abertas entre os beirais
encontras lumes acesos nas pedras dos locais
fazes festas quando não é tempo das tais...
e o tempo voga para lá seus segundos iguais...
O teu lugar
se dos teus braços abertos soubesse
se o teu olhar o meu visse e entendesse
se dos ecos de maravilha ouvisse
a melodia do teu sentir o meu sentisse
e se de tantos fossemos poucos - unidos
entre-tantos nos tempos jamais vazios...
lugares de sempre aonde sempre encontrar
uma voz eloquente que fale simples qual andar
lado a lado, aonde quer que fosse o teu ser...
estaríamos encontrados pelo facto de viver...
e do olhar, um sol pôr, poisados...
quais seres alados depois de voar
num lugar sempre novo,
sempre nosso;
sempre lar...
... abraços
e neste cansaço...
desabar nesse abraço...
e voltar a sonhar...
nessa terra prometida,
nessa tela ainda vazia:
despertar em ti um dia
aves sobre nós a voar,
asas dessa fantasia
...do querer...
se...
r...
e... encontrar...
Iron ias
agradeceria, cometários sobre a nostalgia...
neste esperar, fazer-se algo útil
entre a arte subtil do rimar...
como um nascer do dia:
lançar pontes sobre o desespero,
para ver a luz do teu olhar de segredo
pintada sobre a estrada pavimentada
a sorrir e assentir, sem mais nada...
alvorada...
a sorrir, quem sabe...
assentir sem tempo nem idade
quiçá a ver além do ser real:
o escrever sonhos indiferentes
por entre as melodias
e os dons de gentes
que aqui pairam pelos beirais;
palavras sempre veladas
letras sempre a mais...
e doces sentidos,
para sempre vivos,
por entre os temporais;
destas sombras nas avenidas
quando se recolhe a luz dos dias
e as horas se tornam invernais...
rimar quais obras primas...
frases às que aspiras
entre olhares sempre iguais...
desencadear de fantasias...
quando os temas que dizias
eram os meus breves finais...
por entre reticencias das belas ciências sociais,
estar perto na distância que nos gela os ideais;
Poema Migrante
quando se não entende
a linguagem da gente
quando tudo
parece obscuro
nem transparente
nem seguro
quando te apressas por chegar
e chegas e vais chegando...
a nenhum lugar;
quando te precipitas
uma gota neste oceano
e hesitas... por estar só
tu és a água
do rio diário
do mar que nos cerca
do oceano que nos inunda
desta humanidade jocunda
que é fértil em obra e pensar
e voa aonde não mais se pode chegar
nestas ruas de pavimento
e betão armado...
quando caminhamos sempre sós
mesmo estando tantos lado a lado
podíamos ser tu e eu
podíamos ser só nós...
podíamos assentir em silêncio
no mesmo olhar, na mesma voz
Caminhar
Desde essa vereda
por nós preenchida
brisa na que se crê e respira…
aroma que se exala e transpira
até nos voltar a abeirar…
essa humanidade que é a chave
nesse abraçar de par em par
coração em coração aninhado
ser humano - lado a lado…
assim qual encontro por opção
em coragem de se dar a mão…
sentir o calor a se prolongar
sem tempo, a nos encontrar
duas tonalidades diferentes:
esse sentir e estar presentes
se transformando
ao som do encanto
assim se entrelaçando
melodia do pouco e tanto,
trazendo o realmente novo
voltando a viver nesse povo
até se reconhecer nesse ser o reviver:
esse querer a acontecer - o momento
nesse espaço - preenchido de alento…
assim qual força viva a nos animar
nessa perspetiva do bem querer
desse olhar e ser - transparente,
ver semelhança entre tanta gente,
em cada lugar, nosso verdadeiro lar