Mens@gem
esperar... que me leias...
que nestas páginas cheias
possa haver espaço para mais
palavras de sonho e ideais...
reencontrar, rumo entre vagas de gente a caminhar
descobrir, plantas e mundos de sonho por colorir
partilhar, a luz da tua presença o silencio no teu olhar
e ir, para aonde ainda exista tempo para se unir...
sentir, essa maré eterna sempre a subir
vogar, no imenso imaginário e voltar
a crer, a estar, a viver no esperar...
e assentir... sem mais nada;
dizer sim em cada curva da estrada
pensar que estás em cada dedada neste poema
e em cada melodia desse teu imenso tema...
ouvir, as tuas peugadas ao chegar...
e sentir que este coração volta a acelerar...
se me lês qual por terra adentro
qual ria desse oceano sem fim...
se ouves os versos,
palavras partilhadas
por ti e por mim...
recriadas...
Caminhar
Desde essa vereda
por nós preenchida
brisa na que se crê e respira…
aroma que se exala e transpira
até nos voltar a abeirar…
essa humanidade que é a chave
nesse abraçar de par em par
coração em coração aninhado
ser humano - lado a lado…
assim qual encontro por opção
em coragem de se dar a mão…
sentir o calor a se prolongar
sem tempo, a nos encontrar
duas tonalidades diferentes:
esse sentir e estar presentes
se transformando
ao som do encanto
assim se entrelaçando
melodia do pouco e tanto,
trazendo o realmente novo
voltando a viver nesse povo
até se reconhecer nesse ser o reviver:
esse querer a acontecer - o momento
nesse espaço - preenchido de alento…
assim qual força viva a nos animar
nessa perspetiva do bem querer
desse olhar e ser - transparente,
ver semelhança entre tanta gente,
em cada lugar, nosso verdadeiro lar
Curvas sec retas
ir e voltar
e em cada nova vaga
o ser que não se para
recomeça a caminhar...
e vamos e vemos e voltamos
em cada espaço, em cada novo passo
um silêncio a desafiar... e em cada nova pisada
nesta via, nesta moderna estrada... seguir sem hesitar
pulsátil, ágil, volátil... qual o sonho que nos foi dado a cuidar
essa promessa de flor mais bela que se encontra à janela do nosso olhar
essa luz estranha que nos ilumina em cada novo instante desse ser humano inquietante...
esse ser efervescente que nasce e renasce entre a gente quando se junta para celebrar
esse algo efémero que se desprende qual um cabelo para vogar no sopro belo dessa vida a palpitar
e no cinzento escreve poemas ao vento e espalha pétalas de prosa entre azul e rosa...
essa inquietude que não nos larga mais, essa longitude sem medidas iguais
loucuras a horas incertas, por entre as certezas, sempre secretas
compassos sem linhas rectas... e réguas com riscos a mais...
e nessa explosão saborosa
nessa imensidão glamorosa
nesse momento... tu vais!...
descobres florestas abertas entre os beirais
encontras lumes acesos nas pedras dos locais
fazes festas quando não é tempo das tais...
e o tempo voga para lá seus segundos iguais...
Poema Migrante
quando se não entende
a linguagem da gente
quando tudo
parece obscuro
nem transparente
nem seguro
quando te apressas por chegar
e chegas e vais chegando...
a nenhum lugar;
quando te precipitas
uma gota neste oceano
e hesitas... por estar só
tu és a água
do rio diário
do mar que nos cerca
do oceano que nos inunda
desta humanidade jocunda
que é fértil em obra e pensar
e voa aonde não mais se pode chegar
nestas ruas de pavimento
e betão armado...
quando caminhamos sempre sós
mesmo estando tantos lado a lado
podíamos ser tu e eu
podíamos ser só nós...
podíamos assentir em silêncio
no mesmo olhar, na mesma voz
Lugar ao Sol
se gostava, que neste nosso caminho
betão mascarado, estrada para outro lado
tu estivesses aqui, em tudo o que vejo...
...em mim;
essa alegria do regressar,
essa melancolia ao partir devagar;
esse ser sem sentido que vivo a procurar...
esse testemunho esquecido a reencontrar;
tantas possibilidades, tantos seres que se encontram nestas cidades!
e nós, gentes simples, lançados à procura dessas realidades...
...saudades:
do tempo em que tudo era bem mais simples: uma ocupação que nos preencha...
um tempo para ser preenchido por nós e tudo o que já se pensa, antes ser querido entre vós...
migrar e sentir que levamos tudo cá dentro
procurar, o lugar e o tempo... para se voltar...
a ser qual felicidade,
a sentir esperança
sem tempo ou idade;
e acreditar, que cada alegria,
leva mais perto do despertar:
um dia, uma nova alvorada,
um olhar fixo em mim -
mais nenhuma outra morada;
Sonhos – bem (s) reais
pairar... mais um sonho, mais uma vontade, mais humanidade para se poder voltar;
a casa, quem diria? que o renascer fosse esperado, encortinado no fim de um dia...
o abeirar, desse saber fazer, entre tantos que se desfazem e outros tantos a se erguer
devagar... no fim da azáfama... voltar por entre ruas, avenidas e praças... e chegar...
ali aonde nada mais espera... o sentir sentido de quem encontrou e já não desespera;
Rebentos de Esperança
na teia sossegada
aonde tudo bule
e não se nota nada
em cada passo dado:
seja caminho ou estrada
ao passar tantos lado a lado
procurando o ser compassado
o ser assim... animado...
o regressar ao seu lugar
tantos seres que vogam
voltando sempre a voltar...
Metros de Gente
neste entramado coerente
neste fluxo entre gente
nestas portas sem janelas
abertas para vê-las...
neste local sem fim
nem final...
aonde as gentes
nem andam bem
nem passam mal
entre os sorrisos mais prezados
e saldos nesses outros lados...
nestas estátuas, vazias de vida...
gentes que procuram o nascer do dia
ecos de vida passageira...
por avenidas de outra maneira
sentado, lado a lado
sem nos olhar...
vemos horizontes pesados
que passam devagar
e lá ao longe
uma voz prenuncia
a paragem exata
desde onde
renasça o dia
O teu lugar
se dos teus braços abertos soubesse
se o teu olhar o meu visse e entendesse
se dos ecos de maravilha ouvisse
a melodia do teu sentir o meu sentisse
e se de tantos fossemos poucos - unidos
entre-tantos nos tempos jamais vazios...
lugares de sempre aonde sempre encontrar
uma voz eloquente que fale simples qual andar
lado a lado, aonde quer que fosse o teu ser...
estaríamos encontrados pelo facto de viver...
e do olhar, um sol pôr, poisados...
quais seres alados depois de voar
num lugar sempre novo,
sempre nosso;
sempre lar...
Poesia da Ironia
vamos e vimos sem cessar
damos passos - inspirados
umas vezes despertos e acordados
outras sem acordo e sem hesitar...
e nesta duplicidade
noite e dia na cidade
sem pausa nem idade
ainda vogamos a sonhar...
umas vezes despertos
pela realidade
outras inspirados
sem vontade
outras ainda pelo ser igual
lado a lado parecemos pequenos - e somos tão grandes!
e sós, de vez em quando, ainda procuramos nos encontrar!