Lista de Poemas

P rosa a Rim@ r

sei que hoje é difícil seguir linhas a mais... que nos temas que ateamos nestes ecrãs virtuais teríamos de respeitar o marketing das empresas que nos vendem os mesmos temas que partilhamos... humanidades que se desprendem, sonhos que se perdem nestas avenidas, ninhos simples que se tornam guaridas e pequenas obras de mestria entre a tela sempre vazia...

se chegasse, se uma fotografia falasse, porquê escrever sempre mais? se os rios de tinta espessa brotassem a jorros no que se pensa para quê vos esforçais? poesias dos nossos dias que se penduram sempre mais, prosas serenas e discretas entre técnicas e poemas das tecnologias digitais... criamos gaiolas rosadas para pendurar risadas entre seres iguais...

e isolados, lado a lado, colocados por entre o entramado de ruas e beirais, destas cidades de letras capitais, entre tantas melodias, outrora esguias que se engrandecem sempre mais... e sonhamos e cremos que nos abeiramos quando nos vemos nem nos olhamos e quando estamos parecemos que já não há jamais... que ver e descobrir na humanidade, no estar perto sem tempo e sem idade, comportamentos sempre grupais...

crianças educadas em casas quadradas, adultos às voltas nas esplanadas e seres de idade vagando sem vontade... quadrados entre linhas planificadas aonde as letras entrelaçadas das humanidades já não parecem ter valores iguais...

e o tempo ser qualidade, marca mais a vontade que tudo o demais... preencher de mim este grito, exato pertinente expedito, lançado qual cápsula espacial ao espaço sideral esperando encontrar vida aonde nada mais havia a não ser estrelas e constelações siderais...

e nessa terra prometida, por ora ainda vazia, esperamos plantar - um laivo de esperança para todo ser criança que ouse se abeirar... desse ser recatado, que passa ao nosso lado, à procura de ser qual os demais... e nessa esperança velada - entre o tudo e o nada - berrar! e lançar num milionésimo do segundo o que está neste meu mundo, para os corações vivenciais...

e esperar... uma resposta - originais - que regressem de outras vozes que fujam dos seus algozes e nos elevem a par, que sejamos mais que um, que dos medos tenhamos nenhum e dos sonhos algo no que repousar... se desse abraço em cada espaço nos reconhecesse alguém - milhões! são milhões de corações palpitantes percorrendo cada instante e nenhum se encontra aonde já há mais?!? estranha sensibilidade de um tempo sem idade aonde a ida não tem volta e ao voltar da esquina se encontra o mesmo olhar...

ecrãs, que se levam, no bolso das calças e nos formatam ao seu tamanho singular, cortamos pedaços para entrar nesses abraços virtuais... marcamos tempos nas agendas sempre iguais, esperamos que a tela colorida nos ensine a colorir - enquanto a humanidade vazia se desfaz ao se esvair...

somos o cheiro a presença a humanidade desse gesto de eternidade que nos levou ao extremo da expansão, do nada voltamos ao tudo, sem camisa, sem mais sobretudo do que um abraço qualquer...

esquecemos depressa essa serenidade, deixamos de dar prioridade e escolhemos uma coisa sem querer, uma voz de sereia sempre na maré cheia, levando aos rochedos de praias esquecidas num mapa sem marcar... esperamos que essa longevidade nos devolva a salubridade que esta juventude deixou para atrás... e entre o sonho e a realidade a linha que nos pauta a vontade parece recuar cada vez mais...

Assim fica expressa a vontade de quem meça esta humanidade a berrar, e entre canais e escolhas ficamos nas escolas do tempo virtual, realidades relativas que para uns são vidas e para outros apenas perspetivas deste novo querer... uma coisa qualquer melhor do que a anterior...
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O teu lugar

se dos teus braços abertos soubesse

se o teu olhar o meu visse e entendesse

se dos ecos de maravilha ouvisse

a melodia do teu sentir o meu sentisse

 

e se de tantos fossemos poucos - unidos

entre-tantos nos tempos jamais vazios...

 

lugares de sempre aonde sempre encontrar

uma voz eloquente que fale simples qual andar

lado a lado, aonde quer que fosse o teu ser...

estaríamos encontrados pelo facto de viver...

 

e do olhar, um sol pôr, poisados...

quais seres alados depois de voar

num lugar sempre novo,

sempre nosso;

sempre lar...
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Regressar

pequenas gotas de humanidade

nesta chuva sem se esperar...

pequenos gestos de verdade

aonde a cidade diz que é mais...

 

ai aonde me lês, descansa

o ser que eras, o ser criança...

ali aonde ainda te espero:

lume do lugar mais belo,

ainda há tempo sem contar

damos contas à vida...

que nos foi dada a cuidar;
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Poesia Ordenada

e de novo o descrever,

o que te diga a vontade

voz interior sem idade

cada vez mais a sonhar

 

poemas nesse dia... diferente...

caminhos entre tilhos de gente

começar o dia bem devagar

passo a passo levantar o olhar

 

e levar as asas do sonho

ali onde tudo é medonho

plantando veredas de encantar:

 

encontro entre o que se procura

no tempo ali onde tudo perdura

ventura de ser livre para inventar

a melodia de não mais terminar;

 

um dia crer e dizer sem temer que se quer encontrar

outro dia ir embora, sair pela porta fora e regressar:

rever horizontes jamais desenhados, 

locais de sonho assim... sempre amados...

 

nesse ser dentro da cidade 

tanto passar sem notar, 

vida cheia de encantos

jardins ternos a germinar;

 

até caminhar de novo, com passos de gigante;

ser criança de existência eterna bem renovada 

indo pela avenida fora qual vereda mais amada

 

eternidades escondidas na luz de cada instante

ver a via aberta à tua frente, semente a germinar:

 

águas vivas, gentes viventes, veredas iluminadas

passos por entre locais que não eram mais nada:

 

pessoas na rua, 

a passarem a estrada, 

aventuras da vida renovada

 

nesse dia - sem mais: 

palete de cores garridas 

entre cinzas de vidas 

agora quais andorinhas 

por entre os beirais

 

rodopiar entre a brisa

encontrar a premissa

de assentir sem querer 

a uma pessoa qualquer

caminhando despertos 

de rostos abertos

uma outra vez...

 

ecos de carnavais de cores garridas;

entre as máscaras pela vida vencidas
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... abraços

e neste cansaço... 

desabar nesse abraço... 

e voltar a sonhar...

nessa terra prometida,

nessa tela ainda vazia: 

despertar em ti um dia

aves sobre nós a voar,

asas dessa fantasia

...do querer... 

se... 

r... 

e... encontrar...
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Poema Migrante

quando se não entende

a linguagem da gente

 

quando tudo

parece obscuro

nem transparente

nem seguro

 

quando te apressas por chegar

e chegas e vais chegando...

a nenhum lugar;

 

quando te precipitas

uma gota neste oceano

e hesitas... por estar só

 

tu és a água

do rio diário

do mar que nos cerca

do oceano que nos inunda

desta humanidade jocunda

 

que é fértil em obra e pensar

e voa aonde não mais se pode chegar

 

nestas ruas de pavimento

e betão armado...

 

quando caminhamos sempre sós

mesmo estando tantos lado a lado

 

podíamos ser tu e eu

podíamos ser só nós...

 

podíamos assentir em silêncio

no mesmo olhar, na mesma voz
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Metros de Gente

neste entramado coerente

neste fluxo entre gente

nestas portas sem janelas

abertas para vê-las...

 

neste local sem fim

nem final...

aonde as gentes

nem andam bem

nem passam mal

 

entre os sorrisos mais prezados

e saldos nesses outros lados...

 

nestas estátuas, vazias de vida...

gentes que procuram o nascer do dia

 

ecos de vida passageira...

por avenidas de outra maneira

 

sentado, lado a lado

sem nos olhar...

vemos horizontes pesados

que passam devagar

 

e lá ao longe

uma voz prenuncia

a paragem exata

desde onde

renasça o dia
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Curvas sec retas

ir e voltar

e em cada nova vaga

o ser que não se para

recomeça a caminhar...

 

e vamos e vemos e voltamos

em cada espaço, em cada novo passo

um silêncio a desafiar... e em cada nova pisada

nesta via, nesta moderna estrada... seguir sem hesitar

 

pulsátil, ágil, volátil... qual o sonho que nos foi dado a cuidar

essa promessa de flor mais bela que se encontra à janela do nosso olhar

essa luz estranha que nos ilumina em cada novo instante desse ser humano inquietante...

 

 

esse ser efervescente que nasce e renasce entre a gente quando se junta para celebrar

esse algo efémero que se desprende qual um cabelo para vogar no sopro belo dessa vida a palpitar

e no cinzento escreve poemas ao vento e espalha pétalas de prosa entre azul e rosa...

 

essa inquietude que não nos larga mais, essa longitude sem medidas iguais

loucuras a horas incertas, por entre as certezas, sempre secretas

compassos sem linhas rectas... e réguas com riscos a mais...

 

e nessa explosão saborosa

nessa imensidão glamorosa

nesse momento... tu vais!...

 

descobres florestas abertas entre os beirais

encontras lumes acesos nas pedras dos locais

fazes festas quando não é tempo das tais...

e o tempo voga para lá seus segundos iguais...
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Mens@gem

esperar... que me leias...

que nestas páginas cheias

possa haver espaço para mais

palavras de sonho e ideais...

 

reencontrar, rumo entre vagas de gente a caminhar

descobrir, plantas e mundos de sonho por colorir

partilhar, a luz da tua presença o silencio no teu olhar

e ir, para aonde ainda exista tempo para se unir...

 

sentir, essa maré eterna sempre a subir

vogar, no imenso imaginário e voltar

a crer, a estar, a viver no esperar...

 

e assentir... sem mais nada;

dizer sim em cada curva da estrada

 

pensar que estás em cada dedada neste poema

e em cada melodia desse teu imenso tema...

 

ouvir, as tuas peugadas ao chegar...

e sentir que este coração volta a acelerar...

 

se me lês qual por terra adentro

qual ria desse oceano sem fim...

se ouves os versos, 

palavras partilhadas

por ti e por mim...

recriadas...
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Madrid

Os gostos, as texturas, as emoções e os montes de pedras tão belas... tão duras!

As gentes, no seu olhar, mergulho entre ondas e ondas que se repetem sem cessar!...


As ruas, exatas, as praças que neste vagar eterno 

reluzem como pratas... calor de inverno

Tão longe e com tanta vontade de se estar perto!

 

E o renascer, em cada dia alimentar esp'ranças e voltar a crer!

E o definhar, em cada momento no que a névoa cega o teu olhar...

 

Pontes que unem margens, sem rios para se parar...

docas secas... sem barcas... sem novas águas por onde se navegar...

Artérias pesadas de gentes que vogam ao som de um mesmo cantar

Coração de nação, entre tantos corações a palpitar!...
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